As mulheres jovens com síndrome do ovário metabólico poliendócrino, anteriormente conhecida como síndrome dos ovários poliquísticos, podem enfrentar riscos mais elevados de doença cardiovascular aterosclerótica, incluindo ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais, mostra um novo estudo realizado por investigadores da Escola de Medicina Perelman da Universidade da Pensilvânia e da Universidade de Rochester, nos EUA.
Os investigadores descobriram que o aumento dos riscos foi independente de outros fatores de risco conhecidos. Publicado na revista The Lancet Obstetrics, Gynaecology and Women’s Health, o estudo compilou dados de mais de dois milhões de participantes e é o maior já realizado sobre este tema nos EUA.
“O nosso trabalho demonstra que é imperativo que os médicos acompanhem e avaliem de perto a saúde cardiovascular das doentes com síndrome do ovário metabólico poliendócrino”, afirma a autora sénior Anuja Dokras, Professora Catedrática de Saúde da Mulher na Universidade da Pensilvânia. “É importante que todas as pessoas com síndrome do ovário metabólico poliendócrino cuidem da saúde do coração e controlem outros fatores que podem levar a problemas cardiovasculares, como o tabagismo, o sedentarismo, a obesidade, o colesterol LDL elevado, a diabetes e a hipertensão.”
Embora pesquisas anteriores tenham demonstrado uma associação entre a doença cardiovascular aterosclerótica e a síndrome do ovário metabólico poliendócrino, o grande número de participantes do estudo permitiu aos investigadores separar o risco deste problema do de fatores de risco cardiovascular conhecidos. O novo estudo da Penn Medicine sugere que a síndrome do ovário metabólico poliendócrino pode contribuir diretamente para estas condições cardiovasculares potencialmente fatais.
Os dados da Organização Mundial de Saúde revelam que 10% a 13% das mulheres em idade reprodutiva têm síndrome do ovário metabólico poliendócrino, e 70% das mulheres com este problema não sabem que têm a doença. Embora seja uma das causas mais comuns de infertilidade, a perturbação pode persistir ao longo da vida e continuar a contribuir para problemas de saúde, incluindo doença cardiovascular aterosclerótica, cancro do endométrio e diabetes tipo 2, mesmo após o período fértil.
Foi isso que confirmaram os investigadores: o risco é maior, e verificaram ainda que as pessoas com síndrome do ovário metabólico poliendócrino, independentemente de outros factores de risco, apresentavam um risco aumentado de AVC e enfarte.
Após ajuste para outros fatores de risco, apresentaram uma probabilidade aproximadamente 2,5 vezes superior de sofrer um enfarte ou AVC durante o período de estudo; uma probabilidade 3,4 vezes maior de sofrer um ataque isquémico transitório, um sinal de alerta para um possível AVC futuro, e uma probabilidade quase quatro vezes maior de desenvolver doença arterial periférica, um estreitamento ou bloqueio das artérias fora do coração, geralmente nas pernas.
“As palavras que escolhemos como médicos são importantes”, refere Dokras. “As minhas pacientes presumiam frequentemente ter quistos nos ovários, mas, na verdade, as pessoas com síndrome do ovário metabólico poliendócrino têm um aumento de folículos que podem assemelhar-se a quistos. Embora o termo poliquístico fosse inadequado, os efeitos da doença vão muito além da saúde ginecológica, como demonstrámos na nossa nova investigação. O próprio novo nome sinaliza o impacto de múltiplas hormonas do sistema endócrino, e esperamos que permita aos médicos prestar cuidados mais abrangentes.”
As pessoas diagnosticadas com síndrome do ovário metabólico poliendócrino devem falar com o seu médico sobre a saúde cardiovascular e considerar mudanças no estilo de vida, como manter-se ativas e monitorizar a pressão arterial, o colesterol e a glicemia, conclui Dokras.
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