Adultos com cancro de sangue respondem ao reforço da vacina contra a Covid-19, mas não à dose inicial

cancro de sangue

As pessoas com cancro de sangue, incluindo leucemia, linfoma e mieloma múltiplo, têm um sistema imunitário comprometido devido à doença e ao seu tratamento, o que as coloca em risco de infeção grave por COVID-19 e de uma resposta reduzida à vacinação contra esta infeção. Num estudo recente, publicado na revista CANCER, verificou-se que menos da metade dos doentes com este tipo de cancro apresentaram anticorpos detetáveis ​​após a vacinação inicial com a vacina contra a COVID-19, mas 56% destes produziram anticorpos após terem recebido uma dose de reforço.

Para o estudo, Thomas Ollila, especialista da Brown University, nos EUA, e os seus colegas analisaram retrospetivamente as respostas de anticorpos à vacinação inicial e de reforço para a COVID-19 em 378 pessoas com cancros de sangue.

Foram detetados anticorpos anti-SARS-CoV-2 no sangue de 181 destes doentes (48%) após a vacinação inicial com uma das três vacinas COVID-19 autorizadas ou aprovadas pela Food and Drug Administration dos EUA (Pfizer-BioNTech, Moderna e Janssen), mas aqueles com cancro de sangue ativo ou recentemente tratados com uma terapêutica de depleção de células imunes tinham menor probabilidade de produzir esses anticorpos.

E entre as pessoas com cancro de sangue que não apresentaram resposta após a vacinação inicial, a mesma foi observada após uma dose de reforço em 56% destes doentes.

“As nossas descobertas baseiam-se na riqueza da literatura que mostra que as pessoas com doenças hematológicas malignas têm uma resposta prejudicada à vacinação contra a COVID-19. É importante realçar que mostramos que muitos destes doentes que não responderam inicialmente terão de facto uma resposta à vacinação de reforço”, explica o investigador.

“Além disso, quando analisamos os resultados, descobrimos que as mortes por COVID-19 na população de doentes que analisamos ocorreram apenas naqueles com anticorpos indetetáveis, e não ninguém que recebeu tratamento profilático com anticorpos foi diagnosticado com COVID-19. Isso sugere a importância de verificar os níveis de anticorpos nestes doentes e de organizar a terapêutica profilática.”

Por isso, o especialista incentiva a administração de doses de reforço das vacinas para os doentes com cancro de sangue e a priorização do tratamento profilático de anticorpos quando indicada. “Esta é uma evidência do mundo real de que estas ações podem salvar vidas.”

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