É uma doença crónica, muitas vezes dolorosa, que afeta cerca de 200 milhões de mulheres e adolescentes em todo o mundo. Mas estes argumentos não impedem que as mulheres que sofrem com endometriose enfrentem uma quantidade infindável de barreiras para receberem cuidados de qualidade.

“Apesar da sua carga significativa sobre as mulheres, as suas famílias e a sociedade como um todo, a endometriose é subfinanciada e subinvestigada, o que limita muito a compreensão da doença e retarda a inovação necessária nas opções de diagnóstico e tratamento”, confirma Rebecca Nebel, diretora de programas científicos da Society for Women’s Health Research.

A endometriose é uma doença inflamatória sistémica, com sintomas como infertilidade, dor pélvica crónica, períodos dolorosos, sexo doloroso, dor nas costas e problemas intestinais, que pode afetar negativamente todos os aspetos da vida diária da mulher, incluindo o seu bem-estar físico e emocional e a produtividade. O que acarreta gastos para as pessoas e sociedade.

Em resposta a estas preocupações, um grupo de trabalho da norte-americana Society for Women’s Health Research publicou, no American Journal of Obstetrics and Gynecology, uma revisão de especialistas, que identifica as áreas onde é necessário melhorar o diagnóstico, tratamento e acesso a um atendimento de qualidade, destacando prioridades para o futuro da investigação e dos cuidados com a doença.

Barreiras de todas as formas

São muitas as barreiras que as vítimas de endometriose têm de enfrentar. Desde a normalização social da dor e do estigma das mulheres à volta dos problemas menstruais, à falta de conhecimento e consciencialização sobre a doença, ausência de diagnósticos não invasivos, limitações das opções atuais de tratamento ou dificuldades no acesso ao atendimento.

A estas juntam-se os atrasos de sete a 12 anos, em média, desde a primeira vez que as mulheres apresentam sintomas até ao diagnóstico, para os quais em muito contribui o facto de as causas da endometriose permanecerem desconhecidas.

Os especialistas não têm dúvidas: é preciso mais investigação sobre a biologia básica da endometriose e as suas causas, para tornar mais rápido o diagnóstico. Aqui, é também urgente a criação de novas ferramentas de diagnóstico não invasivas.

O reforço da educação e a consciencialização para os doentes, profissionais de saúde e público em geral pode também ajudar a aumentar o diagnóstico e os tratamentos atempados.

“Algumas mulheres sofrem com sintomas extremamente dolorosos de endometriose ao longo de mais de uma década, em parte porque o estigma social à volta da menstruação e do sexo doloroso pode torná-las relutantes em discutir sintomas ou procurar ajuda”, refere Nebel.

Especialistas pedem mais investigação e melhores tratamentos

Para tratar a endometriose, as estratégias médicas e cirúrgicas atuais concentram-se no controlo da dor e dos sintomas. 

E embora proporcionem alívio para muitas, não funcionam para todas e não podem ser usadas quando as mulheres estão a tentar engravidar. Mesmo procedimentos cirúrgicos, como a laparoscopia para remover lesões e a histerectomia para remover o útero em casos graves de endometriose, não são curativos e a dor pode persistir.

É por isso que os especialistas pedem tratamentos e cuidados futuros, para proporcionar a mudança “para uma abordagem multidisciplinar, centrada no doente, que se concentre neste como um todo, em vez de apenas num sintoma de cada vez”.