FPI, a doença com uma sobrevivência média que não vai além dos cinco anos

FPI, doença respiratória

António Morais, médico pneumologista, não tem dúvidas: “vale a pena investir num diagnóstico precoce da Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI)”. Uma doença que continua a ser desafiante a este nível, não só para os doentes, que não costumam associar os principais sintomas a este problema de saúde, por serem semelhantes a tantos outros, mas também para os médicos.

A Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI) é uma doença rara. Tão rara que, na Europa, se contam apenas cerca de 4.6 novos casos por cada 100.000 habitantes.

Com uma sobrevivência mediana de três a cinco anos, caracteriza-se por sintomas muitas vezes desvalorizados e atribuídos a outras causas, mesmo quando persistentes. “Um dos principais sintomas da FPI é a dispneia de esforço, ou seja, o cansaço”, explica António Morais.

“Esta é uma doença característica do idoso, muito mais frequente a partir dos 60 anos. Ora quando se sente cansaço, o idoso atribui este sinal a uma perda de performance que é natural ocorrer com a idade.”

Um problema global que é preciso resolver, confirma o médico. E isto porque “há terapêuticas capazes de atrasar a evolução da doença. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, mais lenta será a progressão da FPI e maior qualidade de vida vão ter os doentes”.

É preciso sensibilizar os médicos 

É quando o cansaço se torna mais frequente que gera receio de algo mais grave e motiva uma consulta médica. “A FPI é uma doença rara e, por isso, não é – e nem tem de ser – a primeira doença em que o médico pensa.”

Ainda assim, o médico confirma que se procura sensibilizar os profissionais, “sobretudo os dos cuidados de saúde primários, que são aqueles aos quais o doente recorre primeiro, para não pararem de procurar quando não encontram razão que justifique os sintomas. O médico pode e deve pensar na FPI se o doente é idoso, se tem dispneia de esforço lentamente progressiva e/ou crepitações inspiratórias nas regiões inferiores do tórax, com som semelhante ao do velcro”.

Apesar de não ter cura, a doença tem tratamento. E há esperança de que o arsenal terapêutico possa vir a crescer, uma vez que, segundo António Morais, “há um grande interesse da indústria farmacêutica por esta doença e vários ensaios clínicos a decorrer”.

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