Entre 2010 e 2016, mais de 290.000 pessoas perderam a vida na Europa por ano por causas atribuíveis ao álcool. Os dados são da Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomenda mais ação para ajudar a reduzir estes números.

Ao contrário do esperado, as taxas de consumo nocivo de álcool na Europa não desceram, ainda que todos os países tenham assinado o Plano de Ação Europeu para Reduzir o Uso Nocivo de Álcool 2012-2020.

Contas feitas, em média, os adultos (com 15 ou mais anos) dos países da União Europeia (UE), aos quais se junta a Noruega e a Suíça bebem o equivalente a mais de duas garrafas de vinho por semana.

Se à equação forem retirados os abstémicos e os que deixaram de beber, o número sobe para mais de três garrafas de vinho por semana, um nível de consumo com graves consequências para a saúde.

Consumo excessivo de álcool 

Mas há outros problemas. Em toda a população, 30,4% das pessoas relataram ter consumido mais de 60g de álcool puro numa única ocasião nos últimos 30 dias, ou seja, mais de cinco bebidas num só momento.

Um padrão prejudicial que é sobretudo problemático no caso dos homens (47,4%), em comparação com as mulheres (14,4%) e é mais prevalente nos países bálticos, na República Checa e no Luxemburgo.

“O consumo de álcool diminuiu em muitos países europeus, mas o progresso está a abrandar. Os formuladores de políticas precisam de implementar as estratégias que sabemos serem eficazes, como aumentar os preços, limitar a disponibilidade e proibir a publicidade”, refere em comunicado Zsuzsanna Jakab, diretora regional da OMS para a Europa.

“Com cerca de 800 pessoas a morrer todos os dias nesta região devido a danos atribuíveis ao álcool, precisamos de fazer mais para continuar a luta.”

Mortes podem ser evitadas

O álcool é uma substância psicoativa, capaz de diminuir a saúde física e mental. De todas as mortes atribuíveis ao álcool na região da UE, 76,4% são devidas a doenças não transmissíveis, como cancro, cirrose hepática e doenças cardiovasculares, e 18,3% são causadas por lesões atribuíveis ao álcool, como as resultantes de acidentes de trânsito, suicídios e homicídios.

Mortes que são evitáveis ​​e colocam um enorme ónus na saúde dos países.

Embora tenha havido uma redução geral nas mortes, o relatório da OMS revela que, em toda a região da UE, o álcool é ainda o responsável por 5,5% de todas as mortes.

Em números absolutos, 291.100 pessoas morreram em 2016 devido a doenças atribuíveis ao álcool e 7,6 milhões de anos de vida foram perdidos devido a mortalidade prematura ou incapacidade.

Jovens em risco

No que diz respeito aos jovens, os números são, segundo a OMS, demasiado altos em toda a Europa, sendo a maioria das mortes evitável.

“Quando o álcool é um dos maiores assassinos dos nossos jovens, não podemos dar-nos ao luxo de ser complacentes. Este é um produto que é repetidamente comercializado e disponibilizado para os jovens, apesar das evidências de que o consumo de álcool tem um efeito prejudicial no desenvolvimento cerebral e na saúde física”, alerta Carina Ferreira-Borges, do Programa de Álcool e Drogas Ilícitas da OMS para a Europa.

“Esta é a próxima geração de líderes e devemos protegê-los”, acrescenta.