Quer um coração saudável? A receita é simples: desligue a televisão e coma um bom pequeno-almoço. A garantia é dada por um novo estudo, que confirma que as pequenas escolhas feitas todos os dias importam quando se trata de saúde do coração.

Apresentado no encontro anual da American College of Cardiology, o trabalho revela que as pessoas que passam menos tempo a ver televisão e comem regularmente um pequeno-almoço rico em energia apresentaram menos placa a rigidez nas suas artérias, o que se traduz num coração saudável, com menos risco de doenças cardíacas ou AVC. 

“Os fatores ambientais e de estilo de vida são importantes, mas subestimados enquanto fatores de risco para doenças cardiovasculares”, refere Sotirios Tsalamandris, cardiologista da National and Kapodistrian University, de Atenas, Grécia, e principal autor do estudo.

Os benefícios de fazer ‘off’ na TV

Foram, ao todo, duas as análises feitas, que avaliaram os marcadores de saúde do coração, assim como uma variedade de fatores ambientais e de estilo de vida em 2.000 pessoas residentes em Coríntia, na Grécia, que incluíam pessoas saudáveis e com fatores de risco cardiovascular e doença cardíaca estabelecida, com idades entre os 40 e os 99 anos.

Para a primeira parte do estudo, os investigadores dividiram os participantes em três grupos, de acordo com o número de horas gastas a ver televisão ou vídeos por semana: baixa (sete horas ou menos), moderada (sete a 21 horas) ou alta (mais de 21 horas).

Depois de contabilizados os fatores de risco cardiovasculares e o estado no que diz respeito a doença cardíaca, os especialistas descobriram que aqueles que viam mais horas de televisão por semana tinham quase o dobro da probabilidade de terem placa de aterosclerose nas artérias, quando comparando com os que viam menos.

Está na hora de mudar os comportamentos sedentários

“Os nossos resultados enfatizam a importância de evitar períodos prolongados de comportamento sedentário”, afirma Tsalamandris.

“Estas descobertas sugerem uma mensagem clara: fazer ‘off’ no botão na TV e abandonar o sofá. Mesmo atividades com baixo gasto energético, como socializar com amigos ou realizar atividades domésticas, podem ter benefícios para a saúde.”

O estudo verificou também que o tempo passado à frente do pequeno ecrã está associado a um risco aumentado de outros fatores de risco cardiovascular, incluindo pressão elevada e diabetes.

Comparando com aqueles que viam menos de sete horas de TV por semana, os que o faziam mais de 21 horas apresentam um risco 68% superior de pressão alta e 50% superior de diabetes.

“Uma vez que os nossos resultados enfatizam o benefício clínico de atividades de baixo gasto energético, levantar pesos, fazer alongamentos ou exercícios em passadeiras enquanto se vê televisão pode ser a alternativa para um coração saudável”, refere Tsalamandris.

A importância do pequeno-almoço para um coração saudável

Na segunda parte do estudo, os participantes foram divididos em três grupos com base na sua ingestão calórica diária ao pequeno-almoço: energia elevada (pequeno-almoço que contribuía com mais de 20% das calorias diárias), energia baixa (5% a 20% das calorias diárias) ou pequeno-almoço ignorado (menos de 5% das calorias diárias).

No total, cerca de 240 pessoas consumiam um pequeno-almoço muito energético, que incluía leite, queijo, cereais, pão e mel; quase 900 inseriam-se no segundo grupo, optando por café ou leite com baixo teor de gordura, assim como pão com manteiga, mel, azeitonas ou fruta, enquanto cerca de 680 não faziam a primeira refeição do dia.

Seguiu-se a avaliação das artérias de todos, que deixou claro que os adeptos de um pequeno-almoço mais rico estavam em melhor estado ​​do que as artérias dos que comiam pouco ou não tomavam o pequeno-almoço.

Contas feitas, a rigidez arterial era anormal em 15% dos que não comiam de manhã, 9,5% dos que consumiam um pequeno-almoço baixo em energia e 8,7% dos que optavam por um reforço de energia matinal.

“Um pequeno-almoço rico em energia deve fazer parte de um estilo de vida saudável”, conclui Tsalamandris.

“Preferir uma primeira refeição que represente 20% do total de ingestão calórica diária pode ser de importância igual ou até maior do que o padrão alimentar escolhido, como seguir a dieta mediterrânea, uma dieta com baixo teor de gordura ou outra dieta padronizada”, acrescenta.