fisioterapeuta digital

Fisioterapeuta digital ‘made in’ Portugal ganha prémio internacional

Por Investigação & Inovação

Um fisioterapeuta digital, que combina sensores de movimento com inteligência artificial, criado por uma startup portuguesa, conquistou um prémio de inovação internacional, que lhe reconhece potencial para transformar o paradigma da reabilitação mundial.

Atribuído pela Sociedade Internacional de Medicina Física e Reabilitação, o SWORD Phoenix, uma ideia da SWORD Health, foi o vencedor desta competição internacional, que identifica e reconhece o projeto mais inovador e tecnológico, capaz de reduzir a incapacidade em termos de atendimento, reabilitação ou melhorar a participação cívica de pessoas com deficiência.

Melhora o acesso e reduz custos

Disponível nos EUA, Canadá, Austrália, Noruega, Portugal, África do Sul, México e Japão, a tecnologia recorre à combinação de sensores de movimento de alta precisão com os mais recentes avanços tecnológicos na área da inteligência artificial.

E permite aos doentes realizarem as suas sessões de fisioterapia no conforto da sua casa, com feedback em tempo real da sua performance e sempre monitorizados pela equipa clínica.

Ao mesmo tempo, torna possível a expansão da pegada terapêutica das equipas clínicas, permitindo-lhes tratar mais doentes, com resultados clínicos sólidos e reduzindo custos operacionais.

O que significa que se reduz também o custo da fisioterapia para os fornecedores de serviços de saúde, ao mesmo tempo que disponibiliza o acesso à informação mais relevante relativa à performance do doente e ao aumento da eficiência operacional das equipas clínicas.

A tudo isto junta-se ainda outra vantagem: como é usado sem que seja necessário sair de casa, o SWORD Phoenix aumenta os níveis de envolvimento e compromisso dos doentes com o seu processo de recuperação.

De resto, confirmam os resultados dos ensaios clínicos, 93% daqueles que se reabilitaram com o SWORD Phoenix apresentam uma melhoria na qualidade das suas capacidades motoras.

Um fisioterapeuta especial

Criada por Virgílio Bento, a SWORD Health é uma startup portuguesa tecnológica, que visa melhorar o acesso a cuidados de saúde de qualidade e a preços acessíveis.

Quanto ao SWORD Phoenix, é um fisioterapeuta digital sofisticado, desenhado para dar aos doentes o acesso a fisioterapia intensiva e de qualidade, no conforto da sua casa, sempre monitorizada pelas equipas clínicas. 

sistema quer evitar erros na dministração de antibióticos durante as cirurgias

Investigador português quer criar ‘GPS’ para antibióticos nas cirurgias

Por Atualidade, Investigação & Inovação

É uma espécie de GPS nas cirurgias. Mas aqui, o sistema que um investigador nacional está a desenvolver vai guiar os cirurgiões na administração mais correta dos antibióticos. Uma ferramenta que pode reduzir em 25% as falhas neste campo.

Américo Agostinho é o homem em causa, um investigador do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, que recebeu uma bolsa de investigação de cerca de 170 mil euros, concedida pelos Hospitais Universitários de Genebra para que possa lançar mãos à obra.

Um trabalho que está a ser desenvolvido no âmbito da tese do investigador, no Programa Doutoral em Investigação Clínica e em Serviços de Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

“Da mesma forma que um GPS indica o caminho a seguir, o sistema que estamos a desenvolver vai indicar aos médicos, no bloco operatório, que antibióticos administrar, em que quantidade e com que intervalo de tempo (deixando sempre a possibilidade de seguir ou não essa indicação). No entanto, este lembrete vai permitir diminuir os erros de administração”, refere Américo Agostinho, citado pela Notícias UP.

Erros na administração aumentam risco de resistências

As guidelines internacionais recomendam um antibiótico para diferentes cirurgias, tendo em conta diferentes parâmetros. O que não impede, no entanto, a existência de taxas de erro de 30% na administração de antibióticos em cirurgia.

“Estes erros aumentam as infeções hospitalares bem como as resistências aos antimicrobianos”, alerta o investigador.

Infeções que a Organização Mundial de Saúde classifica como um dos fatores que mais põem em risco a segurança dos doentes nos cuidados de saúde. 

luta contra a resistência aos antibióticos

Combinação de antibióticos pode ajudar a combater resistências

Por Investigação & Inovação

É possível alterar a eficácia dos antibióticos através da combinação com outros antibióticos, com diferentes tipos de medicação ou até mesmo com aditivos alimentares, revela uma nova investigação. Uma descoberta que pode ajudar na luta contra a resistência a estes medicamentos.

O uso excessivo e indevido de antibióticos tem dado origem a problemas de resistência generalizada. E combinações específicas de medicamentos podem ajudar no combate a infeções bacterianas resistentes, mas são amplamente inexploradas e raramente usadas na clínica.

Foi para avaliar a sua eficácia que um grupo de cientistas do European Molecular Biology Laboratory fez o perfil de cerca de 3.000 combinações de medicamentos para três bactérias diferentes causadoras de doenças.

Publicado em forma de artigo na revista Nature, o estudo verificou que, apesar de muitas das combinações terem diminuído o efeito dos antibióticos, houve mais de 500 que melhoraram o seu resultado dos antibióticos.

Uma seleção destes pares positivos foi também testada em bactérias resistentes a múltiplos medicamentos, isoladas a partir de doentes infetados em hospitais, tendo melhorado, aqui, o efeito dos antibióticos.

O regresso de um antibiótico para combater a gonorreia

Quando a vanilina – o composto que dá à baunilha o seu sabor característico – se juntou a um antibiótico específico, conhecido como espectinomicina, ajudou-o a entrar nas células bacterianas e a inibir o seu crescimento.

A espectinomicina foi desenvolvida no início da década de 1960 para tratar a gonorreia, mas é hoje raramente usada devido à resistência que se criou. No entanto, combinada com a vanilina, pode voltar a tornar-se clinicamente relevante e usada para eliminar outros micróbios causadores de doenças.

“Das combinações testadas, esta foi uma das sinergias mais eficazes e promissoras que identificamos”, afirma a investigadora portuguesa Ana Rita Brochado, primeira autora do artigo. Combinações como esta podem fazer aumentar o arsenal de armas na guerra contra a resistência aos antibióticos.

Curiosamente, no entanto, a vanilina diminuiu o efeito de muitos outros tipos de antibióticos. 

Uma luta mais seletiva

Nassos Typas, outro dos autores do estudo, explica que as combinações de medicamentos que diminuem o efeito dos antibióticos também podem ser benéficas para a saúde humana.

“Os antibióticos podem levar a danos e efeitos secundários porque também têm como alvo bactérias saudáveis. Mas os efeitos dessas combinações de drogas são altamente seletivos e frequentemente afetam apenas algumas espécies bacterianas.”

O especialista acredita que, no futuro, poderíamos usar combinações de medicamentos para impedir seletivamente os efeitos nocivos dos antibióticos nas bactérias saudáveis.

“Isso também diminuiria a resistência aos antibióticos, uma vez que as bactérias saudáveis ​​não seriam colocadas sob pressão para evoluir para uma resistência a antibióticos, o que pode mais tarde ser transferido para bactérias perigosas.”

Mais estudos necessários

Esta é a primeira triagem em grande escala de combinações de medicamentos em diferentes espécies bacterianas feita em laboratório. Os compostos utilizados já foram aprovados para uso seguro em humanos, mas ainda são necessárias mais investigações em animais e estudos clínicos para testar a eficácia de combinações específicas.

Para além de identificar novas combinações de fármacos, o tamanho desta investigação permitiu que os cientistas entendessem alguns dos princípios gerais por detrás das interações medicamentosas, o que permitirá uma seleção racional de pares de medicamentos no futuro e pode ser amplamente aplicável a várias áreas terapêuticas.

Pele inteligente pode ser usada por robots

Uma pele ‘inteligente’ capaz de dar aos robots a sensação de tacto

Por Investigação & Inovação

Uma mão robótica coberta de “pele inteligente”, que replica o sentido humano do tacto, está a ser desenvolvida por cientistas britânicos. O objetivo? Melhorar as próteses e construir robots com um sentido de toque.

Uma pele sintética, ultra-flexível e que “pensa por si mesma” é o objetivo do trabalho do professor Ravinder Dahiya, da Universidade de Glasgow. Uma pele que reage como a humana, que tem os seus próprios neurónios, capazes de responder de forma imediata ao toque, em vez de levar a mensagem ao cérebro.

Feita como transístores neuronais, esta “pele pensante” é composta por silício e grafeno, com um átomo de espessura, mas mais forte do que o aço.

E apresenta-se como uma versão mais poderosa, menos incómoda e capaz de funcionar melhor do que os protótipos anteriores, também desenvolvida pelo mesmo cientista e a sua equipa, na Bendable Electronics e Sensing Technologies, daquela universidade escocesa.

Projeto conquista financiamento milionário

Chamada neuPRINTSKIN (Neuromorphic Printed Tactile Skin), a investigação acaba de receber mais um financiamento, desta feita de 1.5 milhões de libras (cerca de 1.7 milhões de euros), atribuído pelo Engineering and Physical Sciences Research Council, uma instituição do Reino Unido.

“A pele humana é um sistema incrivelmente complexo, capaz de detetar pressão, temperatura e textura através de uma série de sensores neuronais, que transportam sinais da pele para o cérebro”, explica o professor.

“Inspirado na pele real, este projeto vai aproveitar os avanços tecnológicos em engenharia eletrónica para imitar algumas características da pele humana, como a suavidade, flexibilidade e, agora, também a sensação de toque.”

nova forma de combater o suor para breve

O fim do suor malcheiroso pode estar para breve

Por Atualidade, Investigação & Inovação

O verão tem muitas coisas boas, mas o odor corporal que se liberta nos dias de maior calor não é uma delas. Seja do próprio ou de terceiros, o suor é daquelas coisas difíceis de evitar e, por vezes, de combater. Mas pode deixar de ser, garante um estudo britânico, que diz estar mais próximo de conseguir bloquear os odores corporais.

Os investigadores da Universidade de York, juntamente com os colegas da Universidade de Oxford, identificaram uma parte fundamental do processo molecular através do qual as bactérias da axila produzem o componente mais ‘doloroso’ do cheiro.

Uma descoberta que pode ter como resultado o desenvolvimento de desodorizantes mais eficazes, com ingredientes ativos direcionados.

Bactérias responsáveis pelo mau cheio

O papel dos micróbios, especificamente das bactérias, na produção do odor corporal é há muito conhecido. O que os investigadores britânicos descobriram agora é que um pequeno número de espécies de bactérias Staphylococcus é responsável ​​pela formação do componente mais mal cheiroso do suor.

Mas pouco ou nada se sabia sobre a forma como estas bactérias conseguiam tomar conta dos compostos sem odor excretados pelas axilas, convertendo-os em químicos com um cheiro de fugir.

Num artigo publicado na revista eLife, os cientistas conseguiram decifraram o primeiro passo de todo o processo, ao identificar e  descodificar a estrutura da molécula, conhecida como ‘proteína de transporte’, que permite que as bactérias reconheçam e absorvam os compostos inodoros excretados pelo suor.

Resolver a estrutura da proteína significa que uma nova geração de desodorantes poderia agora ser desenvolvida para interromper sua função.

Nova forma de combate ao suor

Gavin Thomas, coautor do trabalho e investigador do Departamento de Biologia da Universidade de York, explica que “a pele das nossas axilas fornece um nicho exclusivo para as bactérias”.

“Através das secreções de várias glândulas que se abrem na pele ou nos folículos capilares, esse ambiente é rico em nutrientes e abriga a sua própria comunidade microbiana, o microbioma das axilas, com muitas espécies de diferentes micróbios”, acrescenta.

O que os desodorizantes modernos fazem, avança, é inibir ou matar “muitas das bactérias presentes nas nossas axilas para prevenir o odor corporal”.

“Apenas um pequeno número das bactérias nas nossas axilas são realmente responsáveis por maus odores. Daqui pode resultar no desenvolvimento de produtos mais direcionados, que visam inibir a proteína de transporte e bloquear a produção de odor corporal.”

café ajuda a prolongar a vida

Benefícios do café confirmados: estudo garante que ajuda a prolongar a vida

Por Atualidade, Investigação & Inovação

Se é dos que já transformaram a ida ao café numa rotina diária, dos que não passam sem uma ou mais chávenas fumegantes todos os dias, nada tema. Há um novo estudo que deita por terra as dúvidas associadas aos benefícios do café, confirmando que pode ajudar a prolongar a vida.

Publicado na JAMA Internal Medicine, o trabalho conclui que “beber café está inversamente associado à mortalidade”, e isto independentemente da quantidade diária ingerida. Um efeito indiferente também ao tipo de metabolismo dos amantes desta bebida.

“Estas descobertas fornecem mais garantias de que o consumo de café pode fazer parte de uma dieta saudável”, revela ainda o mesmo estudo, que se socorreu de dados do Biobank do Reino Unido, uma base de dados com questionários de saúde, resultados de exames físicos e amostras biológicas de milhares de pessoas.

Os investigadores analisaram as informações fornecidas por cerca de 500.000 pessoas, que responderam a perguntas sobre o seu consumo de café, hábitos de tabaco e de ingestão de bebidas alcoólicas, histórico de saúde, entre outros, para avaliar os benefícios do café.

Foi com estes dados que foi possível comprovar os benefícios de longevidade associados a quase todos os níveis e tipos de consumo de café.

A redução de risco variou ligeiramente dependendo de quanto café foi consumido, do conteúdo de cafeína e se se tratava de café instantâneo ou moído. No entanto, no geral, quando comparando com quem não bebe café, aqueles que o faziam uma vez por dia tinham um risco 8% menor de morte prematura, uma taxa que subiu ligeiramente com o aumento do consumo – chegou aos 16% para os que bebem seis a sete chávenas por diárias, baixando para 14% quando se tratava dos que tomavam oito ou mais cafés diários.

Café pode mesmo ajudar a saúde

As notícias são boas, mas tendo em conta que este estudo foi apenas observacional, os especialistas consideram necessário aprofundar a investigação.

No entanto, este é mais um estudo que se junta à lista de vários salientam os benefícios do café, desmentido a suspeita de associação a doenças, como o cancro.

obesidade e tabagismo da mãe na gravidez prejudicam as filhas

Saúde da mãe associada a risco de ovário poliquístico nas filhas

Por Investigação & Inovação

É um problema familiar a uma em cada dez mulheres e uma das causas mais comuns de infertilidade feminina. Agora, um estudo vem dizer que as filhas de mulheres obesas e fumadores na gravidez têm um risco acrescido de vir a sofrer de síndrome do ovário poliquístico.

Publicado online na revista BJOG: An Journal of Obstetrics and Gynecology, o trabalho consegue quantificar este risco. Revela que as meninas com mães obesas, ou seja, com um índice de massa corporal (IMC) de 30 ou superior, apresentaram o dobro do risco relativo de terem síndrome do ovário poliquístico (SOP), quando comparando com aquelas nascidas de mães com peso normal.

Contas feitas, das cinco em 1.000 que se espera venham a desenvolver SOP, o valor aumenta para sete em 1.000 quando a mãe é obesa durante a gravidez e para oito em 1.000 quando a progenitora se encontrava acima do peso (um IMC de 25-30).

No caso do tabaco, o trabalho, desenvolvido por especialistas da Universidade de Uppsala, na Suécia, o risco absoluto aumentou para oito em 1.000 meninas quando a mãe é fumadora (fuma 10 cigarros ou mais por dia), isto quando se compara com aquelas que não têm o vício dos cigarros.

Foram avaliadas, ao todo, mais de 680.000 meninas nascidas na Suécia entre 1982 e 1995, examinando-se a associação entre a exposição pré-natal e o risco associado de desenvolver SOP. Em 2010, 3.738 (0,54%) das meninas foram diagnosticadas com esta a doença.

Riscos na gravidez

Definida como uma doença que influencia o funcionamento dos ovários da mulher, o síndrome do ovário poliquístico pode causar períodos irregulares e um excesso de hormonas masculinas, que podem levar ao excesso de pelos faciais ou corporais. Os sintomas também podem incluir problemas de fertilidade, ganho de peso, perda de cabelo e pele oleosa, tendo um impacto significativo na qualidade de vida.

Embora a causa exata da doença não seja ainda conhecida, mas são cada vez mais as evidências que sugerem que  pode ser desencadeado por fatores ambientais no útero.

“Os resultados deste estudo juntam-se à evidência existente que o excesso de peso ou obesidade durante a gravidez é um fator de risco para o desenvolvimento e ginecologista do Departamento de Saúde da Mulher e da Criança da Universidade de Uppsala, na Suécia.

“Os resultados mostram também uma associação entre tabagismo na gravidez e desenvolvimento de SOP. Embora o nosso estudo mostre apenas uma associação e, portanto, não pode ser feita nenhuma conclusão definitiva sobre causa e efeito, aconselhamos as mulheres a deixar de fumar e garantir um peso saudável para reduzir o risco associado.”

Conselhos dirigidos às mulheres

Para Melanie Davies, obstetra, ginecologista e porta-voz do Royal College of Obstetricians and Gynaecologists, considera que este estudo “destaca a importância das mulheres deixarem de fumar e manterem um peso saudável, garantindo uma dieta bem equilibrada e fazendo exercício regular antes e durante a gravidez, para darem aos seus filhos um início de vida muito melhor”.

“Não há cura para a SOP, mas parar de fumar, garantir uma alimentação saudável e ser ativo pode melhorar ou prevenir muitos sintomas associados à doença, ajudando a equilibrar o nível de hormonas.”

John Thorp, editor adjunto do BJOG, acrescenta ser necessário “aumentar a consciencialização sobre os efeitos adversos do tabagismo e da obesidade na gravidez. As mulheres tendem a ser mais recetivas a fazer mudanças saudáveis ​​antes da conceção e durante a gravidez, e os profissionais de saúde têm uma oportunidade incomparável de apoiar as mulheres a fazer tais ajustes, para garantir os melhores resultados possíveis para eles e para os seus bebés”.

depressão afeta cada vez mais portugueses

Equipa nacional cria tratamento digital para a depressão

Por Investigação & Inovação

Num país onde os números da depressão não têm parado de aumentar, são cada vez mais urgentes formas de combater a doença acessíveis a todos. É isso que pretende um novo projeto, que procura interessados em fazer um tratamento gratuito e inovador para a depressão clínica.

A ideia é de especialista do INESC TEC, do Porto, em colaboração com o Instituto Universitário da Maia (ISMAI), que partem do princípio, já reconhecido, de que as abordagens baseadas na internet são “uma possível alternativa” a uma “lacuna” que se tem verificado: o escasso acesso a tratamentos eficazes. De facto, “metade dos Europeus ainda não recebe tratamento adequado para a depressão, por diversas razões, tais como listas de espera, ou custos elevados”.

É aqui que entra o ‘iCare4Depression’ (Eu Cuido da Depressão), um projeto que, explica-se na página da Internet que lhe é dedicada, “foca este problema, através de uma investigação acerca da eficácia clínica e o custo-eficácia da implementação de soluções combinadas de tratamentos empiricamente apoiados com abordagens baseadas na internet”.

Ou seja, oferecer uma combinação entre a psicoterapia cara a cara, com aplicações móveis e plataformas web que visam o tratamento da depressão, chegando a mais doentes e, ao mesmo tempo, reduzindo os custos associados ao mesmo.

A ideia é “criar a primeira forma de terapia computorizada ‘combinada’ para a depressão em Portugal”. Ao mesmo tempo, os especialistas pretendem “clarificar a sua eficácia clínica e relação custo-eficácia através de um ensaio clínico, comparando, a nível clínico e de custo-efetividade, a terapia computorizada ‘combinada’ e o tratamento usualmente utilizado nos centros de saúde de cuidados primários da área da cidade de Porto”.

Inscrições através da Internet

Para que este estudo se possa realizar são precisos voluntários, que devem ter “mais de 18 anos de idade, apresentar sintomas depressivos e não estarem, no presente momento, em acompanhamento psicológico”.

Os interessados devem responder a um questionário online (https://icare4depression.ismai.pt/enroll/) e, consoante o resultado, preencher um formulário com os dados necessários para um posterior contacto.

Números preocupantes

Segundo os dados da Organização Mundial de Saúde, a depressão é um transtorno mental comum, afetando globalmente mais de 300 milhões de pessoas de todas as idades.

Trata-se da principal causa de incapacidade em todo o mundo, sendo um dos problemas que mais contribui para a carga global global de doenças.

Afeta mais mulheres do que homens e, nos casos mais graves, pode mesmo levar ao suicídio. Isto apesar de existirem tratamentos psicológicos e farmacológicos eficazes para a levar de vencida.

Consultar o mesmo médico evita mortes

Consultar sempre o mesmo médico pode salvar vidas

Por Atualidade, Investigação & Inovação

Costuma mudar muitas vezes de médico? Se sim, talvez seja melhor repensar essa estratégia. É que, de acordo com um estudo inovador, os doentes que consultam o mesmo médico ao longo do tempo têm menores taxas de mortalidade.

A garantia é dada pelos especialistas da Clínica de St Leonard em Exeter e da University of Exeter Medical School, no Reino Unido que, num trabalho publicado na revista BMJ Open, fazem a primeira revisão sistemática da relação entre as taxas de mortalidade e a continuidade dos cuidados de saúde.

“Há muito que os doentes sabem que importa qual o médico que veem e como podem comunicar com ele. Até agora, permitir que consultem o médico da sua escolha tem sido considerada uma questão de conveniência ou cortesia: mas é claro que se trata da qualidade da prática médica e é literalmente ‘uma questão de vida ou morte'”, esclarece Denis Pereira Gray, um dos autores do trabalho.

“A continuidade do cuidado acontece quando um doente e um médico se veem repetidamente e se conhecem. Isso leva a uma melhor comunicação, satisfação do paciente, adesão ao aconselhamento médico e muito menor uso de serviços hospitalares”, garante Philip Evans, da da University of Exeter Medical School.

“Como a tecnologia médica e os novos tratamentos dominam as notícias médicas, o aspeto humano da prática médica tem sido negligenciado. O nosso estudo mostra que pode potencialmente salvar vidas e deve ser priorizado.”

Redução confirmada da mortalidade

De acordo com o estudo, o contacto repetido entre médico e doente está relacionado com um menor número de mortes. O efeito encontra-se em diferentes culturas e verificou-se não apenas para médicos de família, mas também para especialistas, incluindo psiquiatras e cirurgiões.

A revisão feita analisou os resultados de 22 estudos, de nove países com culturas e sistemas de saúde muito diferentes. Destes, 18 (82%) verificaram que o contacto repetido com o mesmo médico ao longo do tempo representava menos mortes ao longo dos períodos de estudo, comparando com aqueles sem continuidade.

fadiga associada à endometriose

Fadiga, sintoma comum mas subestimado na endometriose

Por Atualidade, Investigação & Inovação

A fadiga é um sintoma comum, mas subestimado na endometriose, revelam os resultados de um estudo internacional realizado com mais de 1.100 mulheres.

Publicado na Human Reproduction, uma das principais revistas de medicina reprodutiva do mundo, o trabalho concluiu que a prevalência da fadiga foi mais do dobro em mulheres diagnosticadas com endometriose, comparando com as que não foram afetadas por esta doença, e manteve-se significativa mesmo depois de ajudada a outros fatores, como dor, insónia, stress ou depressão.

“Estes resultados sugerem que a endometriose tem um efeito sobre a fadiga que é independente de outros fatores e que não pode ser atribuída a sintomas da doença”, explica Brigitte Leeners, especialista do Departamento de Endocrinologia Reprodutiva do Hospital Universitário de Zurique, na Suíça, e líder da investigação.

“Embora a fadiga crónica seja conhecida como um dos sintomas mais debilitantes da endometriose, não é amplamente discutida e poucos são os grandes estudos que a investigaram”, acrescenta.

“Acreditamos que, para melhorar a qualidade de vida das mulheres com esta doença, os médicos devem investigar e abordar este problema quando estiverem a discutir com os seus doentes as melhores formas de administrar e tratar o problema.”

Prevalência elevada

A endometriose é um problema no qual as células endometriais que formam o interior do útero crescem também noutras áreas da região pélvica, como os ovários e a cavidade abdominal, sendo os principais sintomas a dor e infertilidade.

Não se sabe o que causa a doença, mas trata-se de um problema comum, com uma prevalência global entre 6-10%, que pode ser tratado com medicamentos e com cirurgia.

Um sintoma com grande impacto

Para o estudo, os investigadores recrutaram 1.120 mulheres, 560 das quais com endometriose e outras tantas sem a doença, de hospitais e consultórios particulares na Suíça, Alemanha e Áustria, entre 2010 e 2016.

As mulheres completaram um questionário que as inquiriu sobre vários fatores relacionados com a qualidade de vida e endometriose, como bem como histórias médicas e familiares, estilo de vida e transtornos mentais. Fadiga e insónia foram categorizadas em cinco níveis diferentes, variando de 1 (nunca) a 5 (com muita frequência).

A análise permitiu verificar que 50,7% das mulheres diagnosticadas com endometriose sofriam de fadiga frequente, comparando com 22,4% das que não tinham a doença. Fadiga e endometriose foi também associada a um aumento em sete vezes das insónias, quatro vezes da depressão, duas vezes da dor e quase 1,5 vezes do stress ocupacional.