O projeto CORONADX, financiado pela União Europeia, está a desenvolver um teste ultrarrápido adequado para o rastreio em massa do Sars-Cov2, o coronavírus que causa a COVID-19.

Denominado PATHAG, o teste fornece resultados em menos de um minuto com um procedimento simples no local.

O sistema usa anticorpos contra o SARS-CoV-2, que são fixados em esferas microscópicas de látex. Se a amostra de um doente tiver o vírus, os anticorpos ligam-se às partículas virais e juntam os grãos de látex, formando um aglomerado visível. A reação ocorre em segundos e pode ser feita numa pequena tira de papel barata. A positividade ao vírus é então vista como um grão no papel.

Espera-se que o teste esteja pronto antes do fim de 2020, devendo estar inicialmente disponível na Dinamarca para mais testes de campo e, em seguida, chegando a outros países. Ao contrário da maioria dos testes rápidos de hoje, o PATHAG não será comercializado.

“Comparado com outros sistemas, o PATHAG tem a vantagem de ser mais rápido e barato e não requer nenhum equipamento especial”, explica Hans-Christian Slotved, do Statens Serum Institut (SSI), em Copenhaga, na Dinamarca, cuja equipa desenvolveu o PATHAG, inserido no projeto CORONADX.

“Queremos ser capazes de dizer às pessoas se o teste é positivo ou não em questão de minutos.”

O sistema está a ser testado nas amostras de zaragatoa de uso comum retiradas dos doentes, enquanto o uso de amostras de saliva está ainda sob avaliação, o que dispensaria a colheita com zaragatoa.

Um teste, dois testes, três testes na calha

O projeto CORONADX é executado por um consórcio de oito parceiros na Áustria, China, Dinamarca, Itália e Suécia. Foi lançado em abril de 2020 e financiado pela Comissão Europeia como uma resposta de emergência à pandemia.

O consórcio está também a trabalhar em dois outros testes rápidos, PATHPOD e PATHLOCK, baseados em diferentes tecnologias de ponta.

“Com a reabertura de escolas e atividades, a monitorização massiva com exames rápidos e acessíveis passa a ser fundamental. Os nossos três sistemas vão economizar tempo e aliviar a pressão sobre os laboratórios, de que precisamos muito durante uma pandemia”, acrescentou Anders Wolff, professor da Universidade Técnica da Dinamarca e coordenador científico do consórcio CORONADX.

“O teste COVID-19 é fundamental, não apenas para o uso clínico, mas ainda mais para a vigilância epidemiológica e o controlo da epidemia de COVID-19”, acrescenta Anna Odone, professora associada de Saúde Pública da Universidade Vita-Salute San Raffaele, em Milão.

“A disponibilidade de testes rápidos e altamente sensíveis representa uma oportunidade única na luta contra a COVID-19, dados os seus potenciais efeitos na prestação de serviços preventivos eficazes e os seus impactos sociais e económicos positivos.”