Num comunicado publicado recentemente, uma equipa de cientistas-médicos da Escola de Medicina de San Diego, nos EUA, confirmou que os transplantados que receberam órgãos sólidos e foram vacinados contra a Covid-19 apresentaram uma redução de quase 80% na incidência da doença sintomática, em comparação com aqueles que não receberam a vacina no mesmo período de tempo.

“As pessoas que receberam um órgão são consideradas de risco aumentado para a COVID-19 e para um resultado grave da doença, porque os seus sistemas imunitários são necessariamente suprimidos para garantir que os transplantes sejam bem-sucedidos e duradouros”, refere Saima Aslam, professora de medicina na Escola de Medicina da UC San Diego e diretora médica do Serviço de Doenças Infecciosas de Transplante de Órgãos Sólidos daquela instituição.

“Estas descobertas oferecem fortes evidências de que a vacinação oferece proteção significativa.”

Os investigadores examinaram dados clínicos do registo de transplantes da UC San Diego Health de 1 de janeiro de 2021 a 2 de junho de 2021, abrangendo 2.151 recetores de órgãos sólidos, incluindo rim, fígado, pulmão e coração. Desse número, 912 estavam totalmente vacinados e 1.239 eram controlos (ou seja, 1.151 não tinham a vacina e 88 estavam parcialmente vacinados). Quase 70% dos vacinados receberam a vacina mRNA-1273 (Moderna).

Durante o período do estudo, houve 65 casos diagnosticados de COVID-19 entre os recetores de órgãos: quatro entre os indivíduos totalmente vacinados e 61 entre os controlos (dois envolvendo indivíduos parcialmente vacinados). Não houve mortes entre os vacinados, mas contaram-se dois óbitos nos casos de controlo.

“Estas descobertas são encorajadoras por algumas razões”, refere a coautora Kristin Mekeel, médica, chefe de cirurgia de transplante da UC San Diego Health. “Em primeiro lugar, demonstram a eficácia clínica, de mundo real, da vacinação contra a COVID-19 numa população vulnerável. Em segundo lugar, a eficácia é melhor do que o esperado.”

Aslam diz ainda que os resultados reforçam a importância da vacinação entre os transplantados, ainda que, acrescenta, “a proteção da vacina não seja perfeita e, por isso, seja importante continuar a usar máscara, a praticar o isolamento social, e a encorajar os membros da família a serem vacinados”.

Apesar dos resultados, os autores observaram várias limitações ao estudo: envolveu uma recolha de dados retrospetiva, foi um relatório de centro único e houve potencial para subnotificação por alguns doentes do seu estado de vacinação.