Há sensações que muitas pessoas conhecem bem: aquela sensação de peso nas pernas que se instala ao fim do dia, o inchaço nos pés que obriga a descalçar os sapatos antes de chegar a casa, a sensação de que as pernas ficaram para trás enquanto o resto do corpo quer continuar. Um desconforto que continua a ser normalizado, muitas vezes atribuído ao ritmo acelerado da vida moderna, ao trabalho, ao stress, mas que pode traduzir um problema que, apesar da sua elevada prevalência, continua a ser grandemente subvalorizado: a doença venosa crónica. Joana de Carvalho, especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular, é direta sobre este paradoxo: “Não se dá o valor que se deveria dar, nem a importância, à doença venosa crónica. As queixas são, muitas vezes, desvalorizadas e acaba por se deixar andar.”
Um dos maiores desafios no diagnóstico precoce da doença venosa é precisamente a sua banalização. Os sintomas iniciais de sensação de cansaço, peso ou dor nas pernas são facilmente confundidos com o desgaste do quotidiano. “É muito fácil habituarmo-nos ao mal-estar e entendermos como normal algo que não deve ser tido como tal”. Mas quando estes sintomas deixam de ser ocasionais e passam a ser rotineiros, é tempo de procurar uma avaliação médica. E a boa notícia é que, diagnosticada a tempo, a doença venosa crónica tem tratamento eficaz.
Estamos a falar de um problema que, “em estadios mais avançados pode mesmo ter um impacto grande no bem-estar, a nível pessoal, laboral, com complicações mais graves, eventuais tromboflebites, necessidade de repouso e limitação grande”, sublinha a especialista.
Existe, aqui, uma dimensão que vai muito além da saúde física. “As pernas permitem-nos caminhar, permitem-nos ir mais longe, são o nosso meio de transporte mais eficaz, mais disponível, mais económico”, refere a médica. Quando a doença venosa crónica se manifesta, o impacto não é apenas funcional. É também profundamente emocional. A forma como olhamos para o nosso corpo influencia diretamente a forma como nos sentimos connosco próprios. A progressão da doença pode afetar a autoimagem, gerar constrangimento e levar muitas pessoas a evitarem determinadas roupas, atividades sociais ou momentos de lazer. Por isso, quando limita a mobilidade, “limita também a confiança, a autoestima e, em última instância, a capacidade de viver em pleno”.
A mensagem é simples: ouvir o corpo, não desvalorizar os sinais que este envia e procurar ajuda de um profissional de saúde sem esperar que o problema se agrave. “Devemos, acima de tudo olhar para as nossas pernas, não desvalorizar o peso, o cansaço, o inchaço, praticar exercício físico, ter uma alimentação cuidada e procurar um tratamento atempado e precoce na presença de qualquer sinal inicial de doença venosa.”
O tema vai estar em debate, no próximo dia 14 de março, às 11h00, no SelfCare Market & Summit, na Cordoaria Nacional, em Lisboa, onde Joana de Carvalho, a convite da Servier, vai confirmar como podemos garantir que “Os nossos sonhos têm pernas para andar”.
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