Um relatório global alerta para uma iminente escassez de quase 100 milhões de profissionais de saúde que trabalham no tratamento do cancro até 2050. A Comissão Lancet Oncology avisa que a falta de profissionais, impulsionada pelo aumento das taxas de cancro e pelas lacunas na força de trabalho, exercerá uma pressão significativa sobre os sistemas de saúde em todo o mundo, com as maiores carências previstas nas áreas da enfermagem e do diagnóstico.
A escassez de profissionais bem treinados para fornecer cuidados oncológicos e realizar investigação continua a ser um grande obstáculo para a redução das disparidades na sobrevida do cancro entre países de elevados rendimentos e de baixos e médios rendimentos.
Para compreender melhor a magnitude do crescente ónus global do cancro e das necessidades resultantes de força de trabalho, o estudo modelou o cenário global atual e futuro de 17 tipos de cancros mais comuns e 18 categorias de profissionais.
De entre os cancros modelados, as taxas de incidência diagnosticada devem aumentar globalmente, sobretudo nos países de baixos e médios rendimentos, impulsionadas pelo crescimento e envelhecimento populacional e por mudanças nos fatores de risco.
Atualmente, estima-se que um em cada três casos de cancro não seja diagnosticado em todo o mundo, sendo que mais de 60% dos casos permanecem por diagnosticar em algumas regiões de África.
O estudo projeta uma desigualdade contínua nos resultados de sobrevivência, com taxas de sobrevivência significativamente mais baixas projetadas em regiões de baixo e médio rendimento, como África (34%) e Ásia (39%), enquanto ultrapassam os 60% em áreas de alto rendimento, como América do Norte e Oceânia.
A escassez global da força de trabalho em oncologia deverá atingir cerca de 100 milhões de profissionais em 2050, com as maiores lacunas entre enfermeiros (65 milhões) e profissionais de diagnóstico (radiologia e patologia – 16 milhões), sobretudo em África e na Ásia. E porque é isto importante? Porque a expansão abrangente da força de trabalho em todas as categorias profissionais poderá evitar 170 milhões de mortes por cancro e gerar benefícios económicos líquidos de 120 biliões de dólares entre 2030 e 2050, correspondendo a um retorno global de quatro dólares para cada dólar investido.
Andrew Scott, professor do Instituto de Investigação do Cancro Olivia Newton-John, em Melbourne, refere que a abordagem da escassez de mão de obra, particularmente no diagnóstico por imagem, é essencial para melhorar os resultados em todo o mundo. “Identificar as lacunas na força de trabalho para exames de imagem de doentes oncológicos é essencial para garantir que os diagnósticos e tratamentos corretos estão disponíveis para os doentes em todos os países”, afirma.
O artigo publicado na revista The Lancet Oncology apela a ações urgentes a nível nacional e mundial, incluindo um planeamento mais robusto da força de trabalho, investimentos direcionados em formação e alargamento do acesso a serviços de diagnóstico e tratamento para fazer face à crescente procura.
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