
Foram 166 os investigadores financiados pelo Conselho Europeu de Investigação (ERC) que conquistaram as Proof of Concept Grants, bolsas no valor de 150.000 mil euros cada, financiamento que irá ajudá-los a preencher a lacuna entre os resultados do seu trabalho pioneiro e as fases iniciais de sua comercialização. E de entre eles contam-se quatro portugueses.
João Barata, do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes, Elvira Fortunado, da Universidade Nova de Lisboa, Manuela Gomes, da Universidade do Minho e Ana Roque, da NOVA School of Science and Technology | FCT, são os nomes nacionais que constam de uma longa lista de investigadores que podem usar a verba ‘Prova de Conceito’ (PoC), por exemplo, para verificar a viabilidade prática de conceitos científicos, explorar oportunidades de negócios ou preparar pedidos de patente.
Esta ronda de financiamento beneficiará projetos em vários campos, como a criação de um novo kit de ferramentas para combater o comportamento prejudicial de adolescentes ou o uso do poder das bolhas para obter um tratamento de águas residuais mais sustentável. Os projetos incluem também uma ‘app’ para ajudar a treinar músicos a tocar em grupo e uma forma de ajudar os médicos a ler e analisar ADN em tempo real.
No caso dos portugueses, João Barata encontra-se a trabalhar numa terapêutica genética para a leucemia linfoblástica aguda de células T, enquanto Elvira Fortunato se dedica ao estudo do grafeno verde; Manuela Gomes está a desenvolver BioCHIPS e Ana Roque procura formas de acompanhamento não invasivo de cancros do trato urinário.
Maria Leptin, presidente do Conselho Europeu de Investigação, considera “maravilhoso ver que a investigação de ponta tem a capacidade de gerar descobertas que podem ser rapidamente colocadas em prática. Não esqueçamos que não há investigação aplicada sem pesquisa básica que alimente primeiro o pipeline – e que as inovações muito valiosas surgem de todas as disciplinas, das ciências físicas e da vida às ciências sociais e humanas”.
O que fazem os investigadores com as bolsas
O esquema de bolsas Proof of Concept está aberto apenas a investigadores que são ou foram anteriormente financiados pelo ERC, que usam o financiamento PoC para desenvolver descobertas feitas durante projetos de investigação financiados pelas suas bolsas ERC Starting, Consolidator, Advanced ou Synergy.
Dos projetos selecionados para financiamento em 2021, 54% foram baseados em conhecimentos adquiridos durante estudos feitos nos domínios das ciências físicas e engenharia – dentro deste domínio, os projetos derivados de descobertas feitas durante a investigação sobre a “engenharia de produtos e processos” foram os mais bem-sucedidos. Ao todo, 33% dos projetos vencedores tiveram origem a partir das ciências da vida, sendo o subdomínio de maior sucesso o de “ferramentas de diagnóstico, terapias e saúde pública”.
As propostas do domínio das ciências sociais e humanas ganharam 11% de todas as bolsas. Aqui, “Instituições, valores, crenças e comportamentos” foram os temas de maior sucesso.
Em geral, em 2021, foram avaliadas 348 propostas de Prova de Conceito, com uma taxa geral de sucesso de 48%. Valor que se compara a uma taxa de sucesso total de 32% no ano anterior, quando os candidatos enviaram mais propostas. O mesmo montante de financiamento estava disponível em ambos os anos.
Entre os vencedores, contam-se 48 bolsistas do sexo feminino. A proporção de mulheres entre candidatos e bolsistas aumentou em relação ao ano passado.