A bactéria que causa tuberculose encontrou uma forma de se tornar mais contagiosa, descobriu um grupo de investigadores. E a culpa é de uma molécula.

Especialistas do Southwestern Medical Center, da Universidade do Texas, confirmaram que a bactéria facilita a sua própria disseminação através da produção de uma molécula que desencadeia a tosse.

As descobertas, publicadas na revista Cell, abrem portas a novas formas de impedir a propagação da tuberculose, responsável pela morte de mais de 1,5 milhões de pessoas por ano em todo o mundo.

É certo e sabido que a tosse é um sintoma primário da tuberculose e que esta permite a disseminação da doença. No entanto, a causa da tosse associada à tuberculose não era clara, explica em comunicado o líder do estudo, Michael Shiloh, professor naquela instituição.

A hipótese que predominava era a de que a tosse é desencadeada por irritação e inflamação pulmonar induzida pela infeção, ainda que tal nunca tivesse sido provado definitivamente.

Shiloh e os colegas tiveram uma ideia diferente: especularam que o próprio agente bacteriano que causa a tuberculose, o mycobacterium tuberculosis, pode produzir uma substância que desencadeia a tosse, permitindo a propagação da doença.

Forma de acabar com a tosse na tuberculose

Para testar a ideia, a equipa socorreu-se de porquinhos-da-índia e os testes feitos em laboratório com estes animais permitiu identificar uma molécula, que dizem ser responsável pela tosse.

Os resultados sugerem que as bactérias causadoras da tuberculose produzem esta molécula, sendo o objetivo a estimulação do reflexo da tosse, isto para facilitar a disseminação da infeção.

Eventualmente, refere Michael Shiloh, se a investigação mostrar que a supressão da tosse não é prejudicial para os indivíduos infetados, os cientistas podem desenvolver uma forma de impedir a transmissão, contrariando a molécula ou impedindo a sua produção.

“Em muitas zonas onde a tuberculose é endémica, as pessoas com a doença ativa não são frequentemente internadas no hospital, mas são simplesmente enviadas para casa com antibióticos. As pessoas podem tossir durante meses e espalhar doenças mesmo quando recebem tratamento adequado”, refere o especialista.

“Podemos chegar ao dia em que os médicos podem dar antibióticos em conjunto com um medicamento que evita a tosse, o que, por sua vez, pode impedir a propagação da doença.”