Sejam algas ou cianobactérias, as chamadas algas azuis que se desenvolvem em águas doces superficiais, estuários ou no mar, são vários os organismos marinhos capazes de produzir substâncias que podem ajudar a tratar doenças. Agora, um grupo da Universidade do Porto descobriu compostos capazes de combater a obesidade.

É um artigo científico publicado na revista na revista Marine Drugs que o explica. Realizado no âmbito do projeto CYANOBESITY, a investigação está a cargo do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto (CIIMAR-UP) e dá conta da identificação de dois derivados da clorofila nas cianobactérias marinhas, que mostraram ter capacidade de reduzir os lípidos neutros, como é o caso dos triglicéridos.

Um desses compostos, o hydroxy-pheophytin a, não é desconhecido da comunidade científica, mas o segundo, o hydroxy-pheofarnesin a, surge como uma novidade.

Tesouros escondidos no mar

Testados pelos investigadores do CIIMAR-UP, foi comprovada a capacidade de ambos para a redução dos lípidos neutros em larvas de peixe-zebra, o que revelou efeitos em todo o organismo, sem toxicidade detetada nas doses administradas. Para além, confirmou-se a atividade em células que armazenam gordura de ratinhos.

Dos dois compostos, o hydroxy-pheophytin foi o que deu mostras de ter a maior atividade, tendo sido estudada a sua presença em diversos produtos aprovados para consumo humano, como é o caso da spirulina, o que pode vir a dar origem a nutracêuticos ou alimentos funcionais com capacidade anti-obesidade.

O estudo, de olhos postos no mar, tem a duração de três anos, envolve um consórcio de quatro países: Portugal, Suécia, Alemanha e Islândia e é cofinanciado pela Fundação da Ciência e Tecnologia.