Os homens que têm rendimentos mais altos apresentam um risco maior de pressão alta, relata um estudo apresentado na 84.ª Reunião Científica Anual da Sociedade Japonesa de Circulação.

“Homens com rendimentos mais altos precisam de melhorar o seu estilo de vida para evitar pressão alta”, afirma o autor do estudo, Shingo Yanagiya, da Escola de Medicina da Universidade Hokkaido, no Japão. “Os passos incluem comer de forma saudável, exercitarem-se e controlarem o peso. O álcool deve ser mantido em níveis moderados e o seu consumo excessivo deve ser evitado.”

Mais de mil milhões de pessoas têm pressão alta em todo o mundo. Cerca de 30 a 45% dos adultos são afetados, percentagem que aumenta para mais de 60% entre as pessoas com mais de 60 anos.

A pressão alta é a principal causa global de morte prematura, responsável por quase 10 milhões de mortes em 2015. Destas, 4,9 milhões foram devido a doenças cardíacas isquémicas e 3,5 milhões foram causados ​​por acidente vascular cerebral.

“A pressão alta é uma doença relacionada com o estilo de vida. Como médico atendendo a estes doentes, eu queria saber se o risco varia de acordo com a classe socioeconómica, para nos ajudar a concentrar os nossos esforços de prevenção”, refere Shingo Yanagiya.

Diferença entre homens e mulheres

Esta análise examinou a relação entre rendimentos e pressão alta em funcionários japoneses. Ao todo, 4.314 funcionários (3.153 homens e 1.161 mulheres) com emprego diurno e pressão arterial normal foram recrutados em 2012, em 12 locais de trabalho.

Foram depois divididos em quatro grupos, de acordo com os seus rendimentos anuais: menos de 5 milhões, 5 a 7,9 milhões, 8 a 9,9 milhões e 10 milhões ou mais de ienes japoneses por ano. Os investigadores olharam então para a associação entre o que ganhavam e o desenvolvimento de pressão alta durante um período de dois anos.

Comparados com os homens da categoria de rendimento baixo, os homens do grupo com mais dinheiro apresentaram quase duas vezes mais risco de desenvolver pressão alta. Homens nos grupos de 5 a 7,9 milhões e 8 a 9,9 milhões tiveram um risco 50% maior de desenvolver pressão alta em comparação com os homens com rendimentos mais baixos.

Os resultados foram consistentes, independentemente da idade, e foram independentes da pressão arterial basal, local de trabalho, ocupação, número de membros da família e tabagismo. As relações foram levemente enfraquecidas após a contabilização do consumo de álcool e do índice de massa corporal, que foram maiores para os homens nos grupos de maior rendimento.

Nas mulheres, não foi encontrada ligação significativa entre rendimentos e pressão arterial. No entanto, as mulheres com maior rendimento familiar tendem a ter um risco menor de desenvolver pressão alta.

“Alguns estudos japonesas anteriores relataram que o rendimento familiar mais alto está associado a estilos de vida mais indesejáveis ​​nos homens, mas não nas mulheres”, diz Yanagiya. “O nosso estudo vai ao encontro disso: homens, mas não mulheres, com maior rendimento familiar eram mais propensos a serem obesos e beber álcool todos os dias. Ambos os comportamentos são os principais fatores de risco para hipertensão.”

De acordo com o especialista, os homens com empregos diurnos bem remunerados correm um risco particular de pressão alta. Isso aplica-se a homens de todas as idades, que podem diminuir muito o seu risco de sofrer um ataque cardíaco ou AVC, melhorando os seus comportamentos de saúde”.