É a primeira vez que uma reunião da Sociedade Europeia de Neuroftalmologia (EUNOS) se realiza em conjunto com a Rede Europeia de nervo ótico (EUPON – European Optic Nerve Network), o que torna a patologia do nervo ótico um tema central no EUNOS 2019, que termina esta quarta-feira, no Porto.

Olinda Faria, oftalmologista do Centro Hospitalar Universitário de São João, na Invicta, confirma que são várias as patologias do nervo ótico, sendo todas importantes “a partir do momento em que temos pelo menos um paciente afetado, mesmo que sejam raras. De qualquer modo, algumas podem ter maior impacto pela sua frequência, gravidade e possibilidades terapêuticas”.

É o caso, destaca, das neuropatias óticas glaucomatosa e desmielinizante, que “são frequentes, podem ser incapacitantes e apresentam diversas opções terapêuticas”, sendo, por isso, a “deteção e tratamento precoces muitas vezes determinantes na prevenção da perda visual”.

Nervo ótico, alvo de vários problemas

“O nervo ótico é uma das partes do sistema visual que conduz a informação do olho ao córtex visual, de forma a podermos ver”, explica Olinda Faria. “É alvo de manifestações de múltiplas doenças neurológicas e sistémicas assim como de patologia isolada. Todas elas têm em comum o possível comprometimento visual.”

Para lhes dar resposta, a investigação tem conseguido resultados importantes. “Existem diversos tratamentos comprovados em algumas neuropatias óticas e estão a decorrer ensaios clínicos a nível internacional em várias outras, alguns com resultados preliminares promissores”, refere Olinda Faria.

É o caso da neuropatia ótica hereditária de Leber (LHON), “uma patologia do nervo ótico que, embora rara, tem um grande impacto na vida dos pacientes. São frequentemente jovens estudantes ou em início de vida profissional, que apresentavam uma boa visão e que, de repente, com a grande perda visual causada pela doença, têm de mudar as suas actividades e planos de vida”.

Também aqui há esperança de novas formas terapêuticas, ainda que, confirma Olinda Faria, esta seja uma doença com tratamento. “O único até agora aprovado pela Agência Europeia de Medicamentos é a idebenona, uma medicação oral que permite reduzir a perda visual numa fase inicial e promover alguma recuperação, segundo os dados disponíveis.”