Nos últimos anos, o número de interrupções da gravidez de forma voluntária tem vindo a cair. Contas feitas, entre 2011 e 2017, a redução foi na ordem dos 25%.

Os dados são do relatório da Direção-Geral da Saúde (DGS), referentes a dados de 2017, ano em que se contaram 14.899 interrupções da gravidez por opção da mulher até às 10 semanas, o valor mais baixo desde que a prática é legal em Portugal e menos 3,4% face a 2016.

Do total de abortos feitos no ano passado, por opção ou por motivos médicos, 11.035 tiveram lugar em serviços públicos e 4.457 em serviços privados.

A maioria das mulheres (56,4%) que fizeram um aborto em 2017 tinha pelo menos um filho – 28,7% tinham um filho, 20,6% tinham dois e 7,2% tinham três ou mais filhos -, sendo que 70,7% estavam a realizar pela primeira vez o procedimento.

Mais casos em Lisboa e Vale do Tejo

É na região de Lisboa e Vale do Tejo (57,3%) e no Norte (22,8%) que se encontra o maior número de casos. No que diz respeito à idade, a avaliação dos dados oficiais permite concluir que, no ano passado, a idade média das mulheres que o fizeram foi 28 anos.

Ao todo, 64% do total de interrupções foram efetuadas por mulheres entre 20 e 34 anos de idade, sendo raras as situações abaixo dos 15 (0,30%) e acima dos 44 anos (0,76%).

De acordo com o relatório, “estima-se que a mulher que engravida entre os 30 e os 34 anos, seja a que tem probabilidade mais elevada (90,7%) de prosseguir com a gravidez”.

Outras nacionalidades

Em 2017, 18,3% das interrupções da gravidez no quadro legal foi feita em mulheres de nacionalidade não portuguesa, um valor semelhante ao observado em 2015 e ligeiramente superior ao de 2016 (17,7%).

Caboverdianas, brasileiras, angolanas, guineenses e são-tomenses foram as nacionalidades mais frequentes, depois das portuguesas, nacionalidades eram também as mais frequentes em 2016.

Em média, as mulheres que realizaram IG por opção até às 10 semanas, fizeram-no com 7,43 semanas de gestação. Ao todo, 70,2% foi medicamentoso e 28,8% foi cirúrgico, com anestesia geral. 

Os números permitem também verificar que 2,4% das mulheres que interromperam a gravidez já o tinha feito três ou mais vezes antes.