
Em 26 anos, muita coisa mudou na saúde dos portugueses, que vivem hoje mais tempo. Os números confirmam que, entre 1990 e 2016, a esperança de vida à nascença aumentou 7,1 anos para os homens e 6,1 anos para as mulheres, diminuindo, assim, a diferença entre sexos, apesar de esta ser, ainda, superior a seis anos.
Os dados são do 1.º Relatório sobre a Carga Global da Doença e Fatores de Risco em Portugal, que resultou de um trabalho da Administração Regional de Saúde do Norte (Departamento de Saúde Pública), da Direção-Geral da Saúde e do Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME).
O quadro, traçado pelo documento, permite ainda confirmar que a mortalidade prematura diminuiu, sobretudo, à custa da redução das mortes prematuras relacionadas com doenças cerebrocardiovasculares (acidente vascular cerebral e doença isquémica do coração) e com os acidentes de transporte.
Mas ainda que se morra menos, vive-se mais com doença e incapacidade. De facto, as doenças músculo-esqueléticas (dores nas costas e pescoço), as perturbações mentais (depressão e ansiedade), doenças dos órgãos dos sentidos (audição e visão), doenças de pele, distúrbios neurológicos (enxaquecas e Alzheimer) e diabetes são responsáveis por um elevado número de anos perdidos por doença e incapacidade;
Ainda de acordo com o relatório, é necessário prevenir a morte e o sofrimento. Uma prevenção que é possível, uma vez que os principais fatores de risco para a mortalidade prematura em Portugal em 2016 foram o consumo de álcool, a alimentação inadequada, a pressão arterial elevada, o consumo de tabaco e o índice de massa corporal elevado (que engloba a pré-obesidade e a obesidade), todos estes modificáveis.