Serve para acalmar o choro, para aplacar as birras, para consolar… Mas nem sempre estes benefícios, que os pais tão bem conhecem, são superiores aos eventuais riscos. Foi sobre a chupeta, cujo uso tantos criticam ainda que sem conseguir dispensar, que um novo estudo agora se debruça, deixando, em jeito de conclusões, recomendações para quem delas mais precisa, os pais.

Investigadores Universidade Jaume I Desirée Mena e Jennifer Sánchez, em Espanha, revisitaram cerca de dois mil artigos científicos sobre os efeitos prejudiciais e os benéficos do uso de chupeta em recém-nascidos e lactentes.

As conclusões do estudo, publicado na revista Rol de Enfermería, propõem uma série de recomendações baseadas em evidências, que visam facilitar a tomada de decisões na escolha de chupetas.

Associado a malformações orais, abandono precoce da amamentação, otites médias e diminuição da produção de sons da fala, bem como ao tabagismo na adolescência e idade adulta, o uso da chupeta surge também relacionado com a proteção contra a síndrome da morte súbita do lactente durante o sono e o excesso de peso e obesidade na adolescência ou estimulação do reflexo de sucção em situações onde é subdesenvolvido.

Quando usar a chupeta

A partir de uma análise baseada em evidências científicas, Desirée Mena, uma das autoras do estudo, dá conta de uma série de recomendações que os pais devem ter em conta na hora de escolher a chupeta.

Em caso de amamentação, os especialistas sugerem que o melhor é não usar a chupeta, uma vez que se encontra associada à dificuldade em amamentar e ao desmame precoce.

No caso de, ainda assim, ser usada, e para evitar problemas de dentição, recomenda-se seu uso apenas a partir dos seis meses de idade, apesar de estar aqui associada a problemas atrás referidos.

A investigação indica que a chupeta deve ser recomendada nos casos em que os bebés não tenham desenvolvido o reflexo de sucção, já que pode ser usada para o estimular. É também recomendada para acalmar o bebé em situações stressantes ou dolorosas.

Nestes casos, segundo refere Jennifer Sanchez, outra das autoras do trabalho, “não é desencorajado o uso de sacarose, embora, por razões nutricionais, este não seja aconselhado; no entanto, a amamentação seria sempre melhor como primeira opção, no caso de estar disponível. Além disso, recomenda-se o uso da chupeta durante o sono para evitar o aparecimento da síndrome da morte súbita do lactente”.

Lavagem obrigatória

No caso do uso da chupeta, recomenda-se que esta seja lavada com uma solução aquosa de clorexidina, um antissético químico ou que se mergulhe em água fervente.

São ainda aconselhados exames odontológicos periódicos, para monitorizar o crescimento da dentição temporária e detetar o aparecimento de malformações.