Cada vez mais crianças internadas com bronquiolite

internamentos por bronquiolite

São cada vez mais as crianças com menos de dois anos que, em Portugal, são internadas devido a bronquiolite aguda, revela uma análise nacional.

Realizada por investigadores do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde e recentemente publicado na revista científica Pulmonology, o estudo avaliou os registos de internamento das crianças com menos de dois anos de todos os hospitais públicos de Portugal continental, entre 2000 e 2015.

Uma análise que conclui que cerca de 20% das admissões hospitalares de crianças com menos de dois anos têm como motivo uma bronquiolite aguda.

Zona Norte com mais casos

Entre 2000 e 2015 foram ao todo registadas 80.491 admissões por bronquiolite aguda, numa média de cinco mil internamentos por ano, sendo os rapazes aqueles internados com mais frequência (59,7% vs. 40,3% no caso das meninas).

E é mais a Norte que se registam as taxas mais altas de internamento por bronquiolite (26 internamentos por mil crianças) o que, referem os investigadores, pode estar associado a questões climatéricas, que tornam os invernos mais rigorosos, “com quedas mais abruptas de temperatura”.

Algo que não se verifica tanto no Sul, onde as taxas são bastante mais baixas (22 casos por mil crianças em Lisboa e no Alentejo, e 19 por mil no Algarve).

“O estudo permitiu ainda observar uma tendência de crescimento das hospitalizações provocadas por esta doença. Essa tendência é mais acentuada nas crianças mais pequenas, nomeadamente nos bebés com menos de três meses, crescendo 3,8% ao ano, contra uma taxa de 1,6% de crescimento nas crianças até aos dois anos”, referem os investigadores.

Cada internamentos custa, em média, 900 euros

É o vírus sincicial respiratório, um agente patogénico conhecido pela comunidade médica como um dos principais causadores de doenças respiratórias nas crianças, que surge como a causa de 40% dos casos de bronquiolite aguda analisados. 

No que diz respeito aos tratamentos, verificou-se “uma diminuição do número de raios-X realizados, dos antibióticos prescritos e de injeções de corticoides administradas”, apesar de existir ainda uma prescrição excessiva de exames de diagnóstico e de tratamentos considerados ineficazes.

Contas feitas, os custos diretos totais associados a este problema foram superiores a 72,4 milhões de euros, numa média anual de quatro milhões, com cada hospitalização a custar, em média, 900 euros.

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