mindfulness ajuda a combater o stress

Curso de mindfulness quer ajudar a reduzir stress dos médicos

Por Marque na Agenda

Não é um curso para toda a gente. De facto, os destinatários são apenas os médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde. É para estes que a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto decidiu criar um curso diferente, que tem como missão ajudar a gerir o stress destes profissionais.

‘Mindfulness em Contextos de Saúde’ vai ser ministrado ao longo de 28 horas, estando abertas as candidaturas até ao final deste mês.

Um tema que não é novo, ainda que, por cá, esteja a dar os primeiros passos. De resto, lê-se na página da internet que explica tudo sobre as candidaturas, “desde 1979 que o Mindfulness foi introduzido com êxito nos EUA como meio terapêutico para diferentes problemas psicológicos e em diferentes contextos”.
 
Começou por ser destinado apenas às “pessoas com elevados níveis de ansiedade, depressão e dor crónica”, tendo depois sido aplicada aos profissionais de Saúde.
 
“A eficácia de abordagens Mindfulness e os mecanismos neurobiológicos subjacentes têm sido demonstrados em publicações cujo número tem aumentado exponencialmente, ultrapassando as 600 apenas no ano de 2016.”

Dois terços dos médicos em risco de burnout

O curso nasce de uma necessidade, tendo em conta que “os profissionais de saúde são uma população particularmente sujeita a desgaste emocional”, sendo elevadas as “incidências de problemas de stress nesta população”.
 
É isso que justifica a sua criação e justifica também que seja direcionado aos profissionais de saúde, vítimas de stress e burnout. De acordo com os dados nacionais mais recentes, dois terços dos médicos em Portugal admitem estar em elevado estado de exaustão emocional, um dos indicadores relevantes associados ao stress profissional crónico.
 
Neste curso, o objetivo é “desenvolver as competências, conhecimentos e atitudes necessárias para, através da prática pessoal, teoria e aplicações do Mindfulness, promover a Saúde Mental holística e ambiental e o bem-estar pessoal”, assim como ajudar numa gestão adequada do stress, dando-se a conhecer as diferentes técnicas disponíveis.
Burnout afeta 13% dos portugueses

Teste permite identificar risco de burnout através da saliva

Por Saúde Mental

E se fosse possível identificar o risco de burnout, um problema que, em 2016, afetava 13% dos portugueses ativos, de forma simples, tornando também mais fácil a prevenção? É isso que propõe um grupo de investigadores, que afirma ter criado um teste de saliva capaz de o fazer.

Investigadores da MedUni de Viena e do Centro de Saúde e Prevenção da Agência de Seguros de Saúde austríaca socorrem-se do cortisol para o fazer, uma hormona anti-stress, produzida predominantemente no início da manhã, ao acordar.

Nas pessoas saudáveis, o nível de cortisol cai ao longo do dia, até que praticamente não haja cortisol mensurável à noite. Um quadro que muda quando as pessoas estão sujeitas a um stress constante. Para estas, o corpo mantém o nível de cortisol dentro do intervalo mensurável por muito mais tempo, para lidar com o stress prevalente. E se o stress se tornar “crónico”, os níveis desta hormona permanecem elevados sem qualquer padrão diário normal.

O que Helmuth Haslacher, Alexander Pilger e Robert Winker, os três investigadores principais deste estudo, conseguiram mostrar é que níveis elevados de cortisol podem ser detetados através de uma amostra única de saliva, recolhida ao meio-dia ou à noite, capaz de medir o risco de burnout.

Um teste que funciona

“Verificou-se que as pessoas identificadas como tendo elevados níveis de stress associados ao trabalho tinham valores de cortisol notavelmente mais altos ao meio-dia e também à noite. Observamos também uma melhoria clínica e nos níveis de cortisol daqueles que receberam tratamento na clínica de stress criada para o efeito”, afirmam os especialistas.

“Isso significa que podemos usar estes marcadores para identificar preventivamente as pessoas que estão em maior risco de burnout.”

O que é preciso agora é que se realizem outros estudos para avaliar este resultado e desenvolver um sistema de testes bioquímicos válido para uso na prática clínica diária, para identificar candidatos de alto risco para o burnout.

“Os nossos dados atuais indicam que o risco de burnout pode ser identificado a partir de uma única amostra de saliva com quase 100% de precisão.”

Burnout: o que é e quais os sintomas

Definido pela Organização Internacional do Trabalho, o burnout “é um estado de exaustão física, emocional e mental, que resulta do envolvimento a longo prazo em situações de trabalho emocionalmente exigentes”. Ou seja, trata-se de uma resposta prolongada à exposição crónica a riscos psicossociais, emocionais e interpessoais no espaço do trabalho.%

Caracterizado por exaustão emocional, faz-se acompanhar por cinismo (atitudes negativas, desumanizadas e insensíveis em relação às pessoas em redor), despersonalização, falta de envolvimento no trabalho, baixo nível de realização pessoal e ineficiência.