incentivo para caminhar

‘App’ que paga às pessoas para caminharem torna-as mais ativas fisicamente

Por Nutrição & Fitness

E se lhe pagassem para caminhar? O que faria se lhe oferecessem uma recompensa monetária para trocar o apelo do sofá por atividade física? Aceitaria? A resposta aqui é positiva, pelo menos de acordo com um novo estudo que confirma: o incentivo para tornar as pessoas fisicamente ativas parece estar no dinheiro.

O trabalho, feito por investigadores do Instituto de Saúde Digital da Universidade de Warwick, olhou para a Sweatcoin, uma aplicação disponível para iOS e Android, que pretende incentivar as pessoas a caminhar oferecendo-lhes, para isso, uma moeda virtual, que pode ser trocada por produtos, serviços ou experiências.

E concluem que atingir o número desejado de passos diários é um pouco mais fácil para quem usa esta ‘app’, que converte o número de passos gravados no smartphone numa moeda virtual, as Sweatcoins.

A cada mil passos são geradas 0,95 Sweatcoins, que podem ser usadas para comprar produtos no mercado da aplicação e em lojas locais ou podem ser transferidas entre utilizadores.

Aumento de quase 20% na contagem dos passos

Os especialistas da Universidade de Warwick analisaram os dados diários referentes aos passos dados por 6.000 utilizadores da aplicação. E verificaram que houve um aumento médio sustentado de quase 20% na contagem diária de passos durante um período de seis meses após o registo na ‘app’, comparando com um período de três meses anterior à instalação da Sweatcoin.

A investigação revelou que, dos seis mil participantes, aqueles que foram classificados como menos ativos fisicamente e com excesso de peso apresentaram maior probabilidade de aumentar a sua contagem diária de passos ao usar a ‘app’. O que significa que a Sweatcoin estava a ter impacto numa faixa importante da população.

“Ao analisar os dados diários da contagem de passos de uma amostra de utilizadores da Sweatcoin e combiná-los com dados de outras pessoas pudemos identificar quais os tipos de utilizadores que mostraram uma maior mudança em termos do aumento da atividade física usando a ‘app'”, explica Mark Elliott, professor assistente do Instituto de Saúde Digital. 

“Incentivar as pessoas a caminhar mais é fundamental para melhorar os níveis de atividade física sustentada”, refere Anton Derlyatka, cofundador da Sweatcoin.

“No entanto, as ideias tradicionais, como fornecer mais educação ou descontos, simplesmente não funcionam. A Universidade de Warwick descobriu que uma economia baseada no movimento com a Sweatcoin estabelece uma motivação sustentada, para as pessoas serem mais ativas”, acrescenta.

“Para uma população cada vez mais sedentária, que enfrenta uma crise de obesidade e bem-estar, estas são descobertas significativas.”

Andar mais depressa pode prolongar a vida

Por Bem-estar

Andar faz bem à saúde, garante a ciência. E andar depressa faz ainda melhor, revela um novo estudo, que confirma que o ritmo da passada pode mesmo prolongar a vida.

Os investigadores da Universidade de Sydney, na Austrália, verificaram que andar a um ritmo médio foi associado a uma redução em 20% no risco de mortalidade por todas as causas, isto quando comparando com uma caminhada feita a um ritmo mais lento. Acelerar a passada fez mesmo subir a estatística para os 24%.

Um efeito protetor que, confirma o estudo, é válido também para os seniores. Aliás, no caso dos que têm 60 ou mais anos, a redução do risco é ainda mais pronunciada. Andar a um ritmo médio faz com que o risco de morte por doenças cardiovasculares caia 46%, valor que sobe para os 53% quando se acelera a caminhada.

E para quem não sabe o que é isto de um passo mais rápido, Emmanuel Stamatakis, especialista do Centro Charles Perkins da Universidade e Escola de Saúde Pública de Sydney, explica que “um ritmo acelerado é normalmente de cinco a sete quilómetros por hora, mas depende muito dos níveis de aptidão do praticante; um indicador alternativo é caminhar a um ritmo que o deixe sem ar ou suado”.

Ritmo da passada nas mensagens de saúde

Realizado em conjunto com a Universidade de Sydney, a Universidade de Cambridge, a Universidade de Edimburgo, a Universidade de Limerick e a Universidade de Ulster, o trabalho, publicado no British Journal of Sports Medicine, recorreu a registos de 11 estudos populacionais realizados em Inglaterra e na Escócia entre 1994 e 2008, em que os participantes relataram o seu ritmo de caminhada.

Um conceito “associado ao risco de mortalidade por todas as causas”, mas cujo papel específico, independente da atividade física total, não tinha sido alvo de grande atenção até agora, segundo Stamatakis.

Foi para ele que olharam os especialistas e que permitiu concluir que “caminhar a um ritmo médio ou acelerado foi associado a um risco significativamente reduzido de mortalidade por todas as causas e doenças cardiovasculares”, ainda que não haja evidências a sugerir uma influência significativa na mortalidade por cancro.

À luz destes resultados, a equipa de investigadores deixa um pedido: que a importância do ritmo da caminhada seja enfatizada nas mensagens de saúde pública.