rastreio ao cancro do colo do útero

‘Faz o rastreio’: campanha alerta para importância de detetar cancro do colo do útero

Por Cancro

Não se sabe quantas mulheres, em Portugal, deixaram de ir ao seu médico e fazer o rastreio do cancro do colo do útero por medo do contágio da Covid-19. É neste cenário que a Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) lança uma campanha de sensibilização para o rastreio do cancro do colo do útero, o segundo tipo de cancro mais frequente no sexo feminino a nível mundial e que, em 2018, causou 340 mortes em Portugal.

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rastreio do cancro do colo do útero

Cerca de 13% das mulheres não fazem o rastreio do cancro do colo do útero no País

Por País

Cerca de 13% das mulheres portuguesas nunca fizeram o rastreio do cancro do colo do útero e, entre as que fizeram, 12% não seguem as recomendações europeias relativas à periodicidade de realização do exame. Os dados são de um estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), que ainda assim dá conta de um aumento do número de mulheres que fazem este rastreio.

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vacina contra o cancro do colo do útero

Cancro do colo do útero pode ter os dias contados

Por Investigação & Inovação

Numa altura em que, por cá, se discute o eventual alargamento da comparticipação da vacina contra o HPV aos rapazes, um estudo publicado na revista The Lancet revela que a vacina que protege do cancro do colo do útero é muito mais eficaz do que o esperado, com benefícios que ultrapassam as pessoas vacinadas.

Ou seja, a vacina não só reduz as taxas de infeção por HPV e a presença de células pré-cancerígenas no colo do útero das pessoas que recebem a vacina, como reduz ainda a taxa de doenças relacionadas com o HPV em pessoas que não receberam a vacina.

O HPV, ou papilomavírus humano, é a principal causa de cancro do colo do útero. Mas não só. O vírus pode também causar outros tipos de cancro, incluindo do pénis, cabeça e pescoço, além de verrugas genitais.

Introduzida pela primeira vez em 2006, a vacina foi aprovada em Portugal em 2018 tendo, em dez anos, sido vacinadas cerca de 750 mil jovens raparigas. No mundo, mais de 115 países e territórios implementaram a profilaxia nos seus programas de vacinação.

Redução acentuada de casos de HPV, responsável por cancro do colo do útero

O trabalho da The Lancet olhou para para 65 estudos, referentes a qualquer coisa como 60 milhões de pessoas e revelou uma queda de 83% nos casos de HPV 16 e 18 nas meninas com idades entre os 15 e os 19 anos e de 66% nas mulheres entre os 20 e os 24.

Os casos de verrugas genitais caíram 67% nas meninas de 15 a 19 anos (54% em mulheres dos 20 aos 24), tendo o crescimento pré-cancerígeno caído 51% nessa mesma faixa etária (e 31% nas mulheres dos 20 aos 24).

medo pode afastar do rastreio do cancro do colo do útero

Vergonha pode afastar as mulheres do rastreio do cancro do colo do útero

Por Cancro

Os estigmas sociais e os mitos à volta do vírus do papiloma humano (HPV) podem deixar as mulheres ansiosas, levá-las a colocar em causa a fidelidade dos parceiros e colocá-las fora do rastreio do cancro do colo do útero, revela um inquérito apresentado na Early Diagnosis Conference, em Birmingham.

Realizado junto de mais de 2.000 mulheres do Jo’s Cervical Cancer Trust, os dados mostram que os estigmas associados ao HPV incluem vergonha, medo e promiscuidade.

Quase 40% das inquiridas revelaram preocupação com aquilo que as pessoas pensam deles se dissessem que tinham HPV e mais de 40% confessam sentirem-se preocupadas com o facto do seu parceiro ter sido infiel.

Sete em cada dez mulheres admitem medo de saber que têm HPV e dois terços preocupam-se que isso se traduza em cancro.

Informações erradas e desconhecimento

Os resultados permitem concluir que muitas mulheres não entendem o vínculo entre o HPV e o cancro: uma em cada três não sabe que pode este vírus causar cancro do colo do útero e quase todas desconhecem que pode causar cancro da garganta ou da boca.

De acordo com os investigadores, apenas 15% das entrevistadas sabem que a infeção pelo HPV é frequente. De facto, oito em cada 10 mulheres têm alguma forma de infeção por HPV durante a sua vida, mas apenas muito poucas vão desenvolver tipos específicos de alto risco, que dão origem ao cancro.

Sara Hiom, uma das diretoras do Cancer Research UK, considera “preocupante que haja muitos mal-entendidos sobre o HPV. É um vírus muito comum e, na maior parte das vezes, fica inativo e não causa problemas”.

“O teste ao vírus é uma forma de melhor identificar as pessoas que podem ter alterações no colo do útero que, se não forem tratadas, podem transformar-se em cancro do colo do útero. Portanto, o rastreio do HPV é uma excelente forma de prevenir o desenvolvimento deste cancro.”

A especialista acrescenta ainda que “todas as mulheres têm a escolha de fazer o rastreio, mas acabar com os mitos e remover os estigmas à volta do HPV é vital para garantir que as pessoas se sintam mais confiantes para marcar consultas e ir aos rastreios do colo do útero”.

novo teste para o cancro do colo do útero

Novo teste com 100% de eficácia a detetar cancro do colo do útero

Por Cancro

Ainda não está disponível, mas já deu provas de sucesso: um novo teste para detetar o cancro do colo do útero foi capaz de identificar todos os casos da doença num estudo feito com 15.744 mulheres, tendo sido mais eficaz que o atual exame do Papanicolau e que o teste ao papilomavírus humano (HPV).

O trabalho foi realizado pela Queen Mary University of London e teve como resultado um estudo, que comparou o novo teste baseado em epigenética aos já existentes.

Attila Lorincz, principal autor do estudo, investigador da Queen Mary University of London, e um dos nomes por detrás do primeiro teste do mundo para o HPV, criado em 1988, considera que este é “um enorme desenvolvimento”.

“Não só ficamos impressionados com a forma como este teste deteta o cancro do colo do útero, mas é a primeira vez que alguém provou o papel fundamental da epigenética no desenvolvimento de um tumor sólido, com dados de pacientes na prática clínica. São as alterações epigenéticas que este teste deteta e é exatamente por isso que funciona tão bem”, acrescenta.

Uma maior eficácia

O rastreio para prevenir o cancro do colo do útero é feito tipicamente através do exame de Papanicolau, que envolve a recolha, coloração e exame microscópico das células do colo do útero. Um exame que pode detetar apenas cerca de 50% dos pré-cancros do colo do útero.

Um método de triagem cervical muito mais preciso envolve o teste da presença de DNA do papilomavírus humano (HPV) – a causa primária, mas indireta, deste tipo de cancro. 

No entanto, o teste do HPV só identifica se as mulheres estão ou não infetadas com um HPV causador de cancro, mas não os riscos reais de virem a sofrer da doença, que permanecem bastante baixos.

Isso causa preocupação desnecessária para a maioria das mulheres infetadas pelo HPV que recebem um resultado positivo, mas acabarão por eliminar o vírus e não desenvolver a doença.

O novo teste é significativamente melhor do que o exame do Papanicolau ou o teste de HPV, uma vez que detetou 100% dos oito cancros invasivos do colo do útero que se desenvolveram nas 15.744 mulheres durante o estudo. Em comparação, o Papanicolau identificou apenas 25% dos casos e o teste de HPV 50%.

“Um grande avanço”

Attila Lorincz não tem dúvidas que este “é realmente um grande avanço na forma como se lida com mulheres e homens infetados pelo HPV, que somam milhões em todo o mundo, e isso vai revolucionar a triagem”.

“Ficamos surpreendidos com o quão bem este novo teste pode identificar e prever com antecedência casos de cancro do colo do útero, com 100% dos tumores detetados, incluindo adenocarcinomas, que são um tipo muito difícil de detetar.”

Apesar de, referem os autores do trabalho, o seu uso na prática clínica poder reduzir o número de visitas ao médico e as consultas de triagem, pode demorar “pelo menos cinco anos” até que este novo teste venha a estar disponível.

Desafios sobre os cuidados de saúde na mulher em debate

Por Cancro

A prevenção do cancro do colo do útero e os rastreios pré-natais são temas que vão estar em destaque no Women’s Health Symposium, evento que vai ter a sua 2ª edição no próximo sábado, dia 27, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

A iniciativa, organizada pela Roche, conta com a presença de especialistas nacionais e internacionais para debaterem a evolução e a realidade dos cuidados na saúde da mulher.  

O rastreio do cancro do colo do útero será o tema em análise na primeira parte do simpósio, cobrindo assuntos como os desafios da colposcopia, o papel dos biomarcadores emergentes e a antevisão do rastreio do cancro do colo do útero na próxima década.

Ainda que a introdução da vacina contra o vírus do papiloma humano se tenha configurado como uma nova forma de controlar a doença, o rastreio mantém-se como um elemento essencial na luta contra o cancro do colo do útero, especialmente tendo em consideração que a vacina não cobre todos os tipos de HPV de alto risco.

É por isso que a definição das estratégias de rastreio ganha cada vez mais destaque, tendo em conta que, em Portugal, o rastreio ainda tem uma implementação assimétrica e considerando também a existência de desafios humanos, técnicos e económicos que vão estar em debate no encontro.

Entre eles, a necessidade de aplicar ferramentas para melhor a eficiência do rastreio, a adesão do público-alvo a esse mesmo rastreio, que pode exigir a criação de campanhas de sensibilização ou a aplicação de dispositivos que permitam a autocolheita, algo que já se faz em algumas zonas do País.

Experiência testa autocolheita feita em casa

É na região Centro que se realiza um estudo, com o objetivo de aumentar a participação no rastreio do cancro do colo do útero, através da autocolheita e, desta forma, contribuir para melhor a saúde da mulher.

De acordo com informação partilhada pela Administração Regional de Saúde do Centro, o projeto, designado “Rastreio do Cancro do Colo do Útero em casa”, é dirigido a 800 mulheres, escolhidas aleatoriamente do universo das que não realizam o rastreio há quatro ou mais anos, convidando-as, por carta, a participar.

Caso aceitem,recebem em casa um estojo para a auto colheita de fluido cervicovaginal, que é depois enviado para laboratório, em envelope pré-pago.