congresso de transplantes

Tráfico e comércio de órgãos em destaque em Coimbra

Por Atualidade

As rotas clandestinas da transplantação, o tráfico e o comércio de órgãos é um dos temas em destaque no XVII Congresso Luso Brasileiro de Transplantação, organizado pela Sociedade Portuguesa de Transplantação (SPT), que reúne especialistas portugueses e brasileiros de todas as áreas de órgãos transplantados, num encontro que arranca esta quinta-feira em Coimbra.

Ao longo de três dias, serão apresentadas as principais inovações e trabalhos de investigação nas várias áreas de órgãos transplantados, contando-se ainda com a presença de especialistas espanhóis, cujo país tem a maior taxa de doação por milhão de habitantes no mundo.

Alexandre Linhares Furtado é um nome que dispensa apresentações. O médico, pioneiro na área da transplantação em Portugal, tendo realizado realizado o primeiro transplante renal e o primeiro transplante hepático sequencial, vai marcar também presença, com uma palestra sobre “Medicina e Arte”.

Maior evento sobre transplantação no País

Susana Sampaio, presidente da SPT, adianta que “este é o maior evento sobre transplantação no nosso país, com organização portuguesa”.

E acontece “fruto de um acordo de cooperação com a congénere brasileira, a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, e que pressupõe a organização alternada deste congresso, que tem como objetivo a troca de experiências e conhecimentos. Importa referir que o Brasil tem uma das unidades que mais transplanta no mundo”.

Este evento irá coincidir com a XIV Congresso Português de Transplantação, reunião anual da SPT, na qual serão divulgados os vencedores da Bolsa de apoio à Investigação e Bolsa de apoio à Publicação.

CHUC convida doentes ´raros´a pintarem a sua doença

Por Marque na Agenda

Nem sempre é fácil falar sobre as doenças, descrever como é viver com elas, as dificuldades, os desafios. É assim no geral e é mais ainda para quem tem uma doença rara. É por isso que o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) decidiu convidar quem sofre de doenças raras a transformar em arte a sua vivência e a mostrá-las, numa exposição.

Os desenhos, pinturas ou fotografias criadas pelos doentes vão mesmo integrar a Exposição ‘Expression of Hope III’, que já se encontra patente no átrio principal do CHUC.

Depois do Porto, onde esteve disponível para visita no i3S – Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, a ‘Expression of Hope III’ ruma a Coimbra, onde estará, até ao dia 26 de maio.

A abertura oficial está marcada para esta terça-feira (15 de maio), pelas 14 horas, no âmbito da celebração do Dia Internacional da Consciencialização para as Mucopolissacaridoses (MPS)um grupo de doenças hereditárias genéticas, que surgem num em cada 25.000 nascimentos.

Cada tipo de MPS e os distúrbios que lhes estão associados podem causar uma variedade de sintomas, tais como córnea opaca, baixa estatura, rigidez articular, problemas de fala e audição, hérnias, infeções respiratórias frequentes, problemas cardíacos e, em alguns casos, comprometimento neurológico grave.

Uma exposição em nome da esperança

A exposição ‘Expression of Hope’ é uma exposição itinerante, que conta com o apoio de várias associações de doentes em todo o mundo – por cá é a Aliança Portuguesa de Associações das Doenças Raras e tem como objetivo sensibilizar para as Doenças Lisosomais de Sobrecarga e aumentar a informação sobre estas doenças genéticas raras junto dos doentes, familiares, cuidadores e da sociedade em geral.

Risco de obesidade é maior para os rapazes com hábitos de sono irregulares

Por Nutrição & Fitness

As crianças do sexo masculino com maus hábitos de sono apresentam risco muito elevado de obesidade. A conclusão é de um estudo realizado por uma equipa de investigadores de Coimbra, que avaliou os hábitos de sono de mais de oito mil crianças lusas com idades entre os seis e os nove anos.

As recomendações mais recentes, da Academia Americana de Pediatria, são claras: para as crianças dos seis aos 12 anos, a duração adequada de sono deve andar entre as nove e 12 horas por noite. Este foi um dos dados que os investigadores do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde (CIAS), da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), foram avaliar, assim como a atividade física e os comportamentos sedentários (por exemplo, o tempo passado a ver televisão ou a jogar no computador).

Através de questionários preenchidos pelos pais e da avaliação de algumas variáveis antropométricas, como a estatura e o peso das crianças e calculado o seu índice de massa corporal (IMC), foi feita uma associação entre os hábitos de sono e o risco de excesso de peso e obesidade para meninos e meninas.

Os resultados, publicados no American Journal of Human Biology, confirmam que “os rapazes que apresentavam hábitos de sono irregulares para a sua idade, isto é, quer abaixo das nove horas/noite quer acima das 12 horas/noite, durante a semana, têm 128% maior probabilidade de serem classificados como crianças com excesso de peso comparativamente com aqueles que dormiam as horas recomendadas”, refere em comunicado o investigador Aristides Machado-Rodrigues.

No caso das raparigas, “não houve associações significativas entre a duração do sono e o risco de obesidade, nem nos dias da semana nem durante o fim de semana”, declara o investigador do CIAS, realçando, no entanto, que “o cumprimento dos hábitos de sono recomendados na infância, no nosso ponto de vista, é um aspeto crucial da saúde cognitiva e do desenvolvimento harmonioso das crianças”.

Uma epidemia do século XXI

A obesidade é considerada uma das epidemias do século XXI, estando associada a várias cormobilidades, sobretudo de natureza metabólica e cardiovascular. Aristides Machado-Rodrigues salienta “a sua etiologia multifatorial”, referindo “a existência um conjunto alargado de variáveis, de natureza biológica, genética, social e comportamental, que concorrem decisivamente para o facto de um indivíduo poder padecer de adiposidade aumentada, para além do padrão normal”.

As conclusões deste estudo chamam a atenção para a necessidade de esforços adicionais para controlar os hábitos de sono durante a semana, especialmente entre os rapazes portugueses.

“Os pais devem reforçar as regras familiares da hora de deitar das crianças para que estas possam ter o tempo de sono diário recomendado para a saúde. A literatura sustenta, de forma inequívoca, que a privação do sono, especialmente em idades pediátricas, está associada a problemas de saúde aumentados, não só de índole cognitivo mas especialmente relacionados com a diminuição da tolerância à glicose, o qual é um fator de risco para a obesidade.”

Ainda de acordo com o investigador, “na atualidade, e de forma muito pragmática, não podemos deixar de manifestar a nossa preocupação para os comportamentos sedentários de ecrã, vulgo tablets, telemóveis e computadores, que as crianças e jovens perpetuam pela ‘noite dentro’, comprometendo as horas de sono recomendadas, muitas vezes fechados no quarto e sem conhecimento dos pais”.

Nos últimos anos, estudos epidemiológicos relataram que a duração irregular do sono pode ser um fator de risco adicional para excesso de peso entre as crianças. No entanto, os hábitos de sono são os que têm merecido menor atenção comparativamente a outros comportamentos do nosso quotidiano, como a atividade física, os hábitos nutricionais, ou ainda o sedentarismo.

ineye®, uma pérola que promete mudar a forma de tratar as doenças oculares

Por Atualidade

Chama-se ineye®, mais parece uma pérola, não só pelo aspeto, mas também pelo valor que tem para a oftalmologia e está a ser desenvolvida por uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC). O que é que faz? É uma tecnologia que administrar medicamentos e outras moléculas nos olhos de quem sofre com problemas oculares.

Se até agora a única forma de o fazer era através de gotas, o ineye®, pioneiro a nível internacional e que poderá chegar ao mercado dentro de três anos, promete mudar esta situação.

“Atualmente, a administração da maioria dos fármacos continua a ser feita através de gotas, num processo que exige destreza, leva ao desperdício e à distribuição sistémica de grande parte do fármaco e para o qual os doentes mostram pouca adesão, principalmente em doenças crónicas”, revela em comunicado Marcos Mariz, investigador responsável pela criação desta inovação, realizada no âmbito do Doutoramento no Departamento de Engenharia Química da FCTUC.

Por isso, não tem dúvida que “esta tecnologia (de acordo com a definição do INFARMED, um medicamento) terá um grande impacto no tratamento de doenças oculares como o glaucoma“.

Mais fácil e mais eficaz

“Colocada no interior da pálpebra inferior sem necessidade de cirurgia”, a composição e a arquitetura da tecnologia da pérola “dotam este sistema de uma versatilidade sem precedentes no mercado”, acrescenta o autor do projeto, que acaba de obter 230 mil euros de financiamento através de uma candidatura ao concurso de projetos de investigação IC&DT lançado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.

Uma verba que, explica Marcos Mariz, vai permitir “otimizar o processo de preparação do dispositivo, não só ao nível do fabrico mas também avaliar qual o processo de esterilização mais eficaz e seguro. Vai permitir ainda fazer a avaliação da biocompatibilidade, isto é, saber se o ineye® não causa irritação ocular e se é bem tolerado pelo doente”.

Após a avaliação da biocompatibilidade do dispositivo, serão iniciados os ensaios pré-clínicos do inserto na forma de placebo, ou seja, sem fármaco.

O ineye®, que já tem patente nacional, estando a decorrer o processo de patenteamento internacional, e tem vindo a obter várias distinções. Só em 2017, ano de arranque do projeto como negócio, angariou cerca de 100 mil euros em dinheiro e serviços.