limitar as horas passadas ao ecrã

Novas ferramentas, regras antigas: é preciso limitar o tempo à frente do ecrã

Por | Saúde Infantil

Não há dúvida: o tempo passado à frente dos ecrãs de computadores, smartphones, tablets, videojogos, TV e outros dispositivos faz aumentar o sedentarismo nas crianças e adolescentes. O assunto não é novo, mas surge agora reforçado graças a uma declaração científica publicada pela Associação Americana do Coração.

E ainda que, nos últimos anos, a audiência de televisão tenha caído, o uso de outros dispositivos fez com que aumentasse, no geral, o tempo passado à frente de ecrãs. De facto, estima-se que, atualmente, as crianças entre os oito e os 18 anos passem mais de sete horas por dia à volta destes aparelhos.

“Os dispositivos portáteis permitem mais mobilidade e isso não reduziu o tempo total de sedentarismo nem o risco de obesidade”, afirma Tracie A. Barnett, Ph. D., investigadora do Institut Armand Frappier e do Hospital Universitário Sainte-Justine, em Montreal, Canadá.

“Embora os mecanismos que associam o tempo à frente do ecrã à obesidade não sejam totalmente claros, há preocupações reais sobre a influência nos comportamentos alimentares”, acrescenta a especialista. E isto porque, explica, “as crianças desligam e não percebem quando estão cheias ao comer em frente aos aparelhos”.

Mas há mais. A evidência científica aponta ainda para o impacto na qualidade do sono, “o que pode também aumentar o risco de obesidade”.

Mais tempo na rua, menos à frente de ecrãs

A mensagem é, por isso, dirigida a pais e filhos: é preciso limitar o tempo de ecrã.

“Queremos reforçar uma recomendação antiga da Associação Americana do Coração, para que crianças e adolescentes não passem mais de 1-2 horas por dia à frente de ecrãs. Dado que a maioria dos jovens já excede em muito esses limites, é especialmente importante que os pais estejam atentos quanto ao tempo passado, incluindo nos telefones”, reforça Barnett.

O que é que os pais podem fazer? Dar o exemplo, reduzindo o tempo que eles próprios passam agarrados aos dispositivos e definindo regras para o seu uso.

“Idealmente, os dispositivos com ecrã não devem estar nos quartos, especialmente porque alguns estudos verificaram que isso pode afetar o sono”, afirma a especialista.

A este conselho junta outros: “maximize as interações face a face e o tempo ao ar livre. Em essência: sentem-se menos; brinquem mais”.

Necessário mais investigação 

Os investigadores concordam que é necessário estudar mais, reforçar a investigação neste campo, uma vez que os padrões de uso dos ecrãs e os seus efeitos a longo prazo em crianças e adolescentes ainda não são conhecidos.

E se já é difícil ajudar os jovens a serem menos sedentários, o apelo dos ecrãs está a tornar tudo um desafio ainda maior.

Fadiga visual é um dos riscos laborais mais frequentes do século XXI

Por | Trabalho

Chama-se fadiga visual, embora seja mais conhecida por vista cansada, e já afeta sete em cada 10 portugueses. A culpa é, garantem os especialistas, da crescente utilização de dispositivos digitais, que a tornam um dos riscos laborais mais frequentes do nosso século.

Em vésperas do Dia Mundial da Segurança e Saúde no trabalho, que se assinala no próximo sábado (28 de abril), a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO) alerta para esta problemática e explica quais as principais formas de prevenção.

“A fadiga visual resulta de um esforço excessivo do globo ocular exigido pelos ecrãs que utilizamos muito perto dos nossos olhos”, explica Fernando Trancoso Vaz, membro da SPO e coordenador do Grupo de Ergoftalmologia.

“Este esforço, que ocorre maioritariamente em pessoas que trabalham muitas horas em frente ecrãs digitais (computadores, tablets, telemóveis ou televisores), manifesta-se através de pequenos sintomas, tais como: secura ocular, dor de cabeça, cansaço, dificuldade em focar ou lacrimejar excessivo.”

De acordo com o especialista, “existem algumas medidas de prevenção, recomendadas pela SPO, que todos os profissionais que trabalham em escritório devem considerar, tanto a nível comportamental como de ambiente”. São elas:

  • A nível dos comportamentos – É essencial adoptar uma boa postura, ajustando a cadeira e a mesa de forma a ter o monitor ao nível dos olhos e a uma distância de 50-70 cm, fazer intervalos regulares e seguindo a regra dos ‘20-20-20’. Ou seja, fazer, a cada 20 minutos, uma pausa de 20 segundos e para olhar para uma distância de 20 pés (seis metros).
  • A nível do ambiente – Evitar ambientes com muita ou pouca luminosidade, evitar reflexos indesejados no computador, provenientes de poeiras ou impressões digitais, optar por um ecrã de maiores dimensões e, sempre que possível, desligar o ar condicionado.

Crianças e jovens também em risco

Para além dos profissionais que trabalham maioritariamente com computadores, o alerta é também dirigido às crianças e jovens, que começam cada vez mais a sentir, de uma forma precoce, fadiga ocular, resultado do tempo passado em frente aos dispositivos digitais.

De facto, mais de 50% dos jovens entre os 18 e os 34 anos passam nove horas ou mais por dia com dispositivos digitais.

Para atenuar esta epidemia, Fernando Trancoso Vaz conclui ser fundamental “a realização de consultas de rotina, para avaliar a fadiga ocular e analisar se não existe outra patologia associada, como erros refrativos, perturbações do equilíbrio oculomotor, olho seco, etc… São para estas que podem ser recomendadas soluções (óculos, tratamentos de ortóptica, lágrimas artificiais, dicas de ergoftalmologia), que irão diminuir a fadiga ocular e aumentar a qualidade de vida laboral, evitando problemas futuros”.