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Quatro razões para ir fazer uma avaliação da sua saúde ocular

Por Atualidade

São muitos os que acreditam que uma alteração à sua visão não lhes vai passar despercebida. O que faria todo o sentido, não fosse o facto de algumas das principais causas de cegueira, como o glaucoma ou a retinopatia diabética, começarem por norma sem quaisquer sintomas. É por isso que a Academia Americana de Oftalmologia recomenda que todos os adultos saudáveis ​​façam uma avaliação da sua saúde ocular aos 40 anos, mesmo que esta lhes pareça bem. É que os primeiros sinais de doença e alterações na visão podem começar a partir dessa idade.

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glaucoma

Porque é que os exames de rotina e o tratamento precoce são essenciais no glaucoma

Por Bem-estar

O glaucoma, a segunda principal causa de cegueira em todo o mundo (pior só mesmo a catarata), é frequentemente referido como “o ladrão silencioso da visão” porque pode facilmente passar despercebido. Pode ter um caso muito grave de glaucoma e não ter consciência disso, sobretudo se não estiver a afetar a sua visão central ou a causar visão embaçada”, confirma Lauren Dhar, oftalmologista do Krieger Eye Institute, nos EUA.

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Equipa internacional identifica 127 genes do glaucoma no maior estudo do género

Por Investigação & Inovação

No maior estudo de associação do genoma do glaucoma, um consórcio internacional de investigadores identificou 44 novos loci génicos, que são considerados “endereços genéticos”, revelando a localização específica de um gene e confirmou 83 loci previamente associados ao glaucoma. Uma descoberta que pode levar à criação de novos tratamentos para esta doença ocular incurável, que é uma das principais causas de cegueira em todo o mundo.

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Diagnóstico precoce, a única fórmula para travar o glaucoma

Por Bem-estar

É uma doença grave. Uma doença que pode roubar a visão e que o faz, muitas vezes, sem grandes avisos prévios. Por ocasião da Semana Mundial do Glaucoma, a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO) associa-se a esta iniciativa e deixa o alerta: o glaucoma é a principal causa evitável de cegueira irreversível.

Tanto que, em 2040, estima-se que mais de 110 milhões de pessoas venham a ter a doença. A prevenção, através da visita a um especialista e da realização de exames de rotina, é a melhor forma de o evitar.

“O glaucoma, sendo uma doença potencialmente grave, tem tratamento que, quando instituído atempadamente, pode manter uma boa qualidade de vida”, garante Flávio Alves, especialista do Grupo Português do Glaucoma, da SPO.

Por cá, refere o especialista, “tal como nos países ocidentais, a percentagem de doentes com glaucoma varia entre 2,0 a 2,5% sendo mais frequente nas faixas etárias mais elevadas”. O que significa, contas feitas, que cerca de 200 mil pessoas sofrem com a doença no País.

“O diagnóstico precoce é fundamental”, reforça o médico, “uma vez que permite melhores resultados com o tratamento. Além disso, as lesões provocadas pelo glaucoma (perda do campo visual) são irreversíveis e mais graves com a evolução da doença”.

Consultas regulares podem fazer a diferença

Não havendo história familiar de glaucoma, o especialista considera que, “pelo menos aos quarenta anos, deve-se efetuar uma consulta com o médico oftalmologista para despiste da doença”.

Uma periodicidade que varia em função daquilo que for encontrado na primeira consulta que, “no caso de normalidade, deverá ser de dois em dois anos, mas deverá ser mais frequente com a evolução da idade e a presença de doença”.

O principal fator de risco do glaucoma é a hipertensão ocular, ainda que, explica o médico, existam outras, como “a herança genética, alterações vasculares, a raça (nomeadamente a negra e a asiática)”.

E apesar da prática de exercício físico poder ter vantagens, uma vez que permite a redução da pressão intraocular e uma melhoria na circulação a nível ocular, “em glaucomas avançados, no entanto, assim como no Síndrome de Dispersão Pigmentar, o exercício pode não ser benéfico”.

O especialista realça que “a consulta com o médico oftalmologista é importantíssima, especialmente nos casos em que há história familiar positiva”.

E acrescenta que, quando diagnosticado e instituído o tratamento, “é mandatório cumprir as instruções, quer no uso da medição, quer na realização de consultas e exames periódicos, para uma melhor monitorização da doença”.

Envelhecimento faz disparar doenças oculares

Por Bem-estar

O envelhecimento é uma constante. É-o na Europa e é também em Portugal. E se o corpo envelhece, também o sistema visual que, explica a oftalmologista Isabel Almasqué, “tem exatamente a mesma idade de cada um de nós”. O que significa que o envelhecimento da população corresponde a um “aumento do número das doenças oculares mais frequentes em idades avançadas”.

A presbiopia, ainda que não seja uma doença, é uma delas. Manifestando-se sobretudo a partir dos 40 anos, é uma situação que afeta muitos portugueses, resultando de “uma evolução fisiológica do nosso sistema visual”, caracterizada por “uma perda progressiva e fisiológica da capacidade de ver ao perto a partir da quarta década de vida”.

Um problema que “obriga habitualmente ao uso de uma correção ótica para ver ao perto e a maior parte das pessoas não gosta de usar óculos”, acrescenta a especialista.

É para este e para outros impactos do envelhecimento na saúde visual, que chama a atenção o 61º Congresso da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, que começa esta quarta-feira (5 de dezembro), no Algarve.

Idade não perdoa na saúde visual 

Mas há outras doenças que aumentam com o envelhecimento, como a Degenerescência Macular relacionada com a Idade (DMI), a retinopatia diabética, as cataratas ou o glaucoma.

Os números confirmam esta tendência e confirmam também a importância crescente destes problemas de saúde. “Segundo a Organização Mundial de Saúde, a DMI constitui a principal causa de cegueira nos países industrializados. Se extrapolarmos para Portugal a prevalência de DMI nestes países, teremos um total de cerca de 85.000 casos, estimando-se que, anualmente, surjam cerca de 3.000 novos casos de DMI exsudativa no nosso país”, refere a médica.

Quanto ao glaucoma, “é considerado a segunda maior causa de cegueira a nível mundial (a seguir às cataratas) e a primeira causa de cegueira irreversível. Embora os dados atuais não sejam rigorosos, devido ao grande número de casos por diagnosticar (cerca de 50% ), estima-se que cerca de 3% da população mundial com mais de 40 anos tenha glaucoma e que existam atualmente cerca de 7 milhões de cegos bilaterais por glaucoma”.

Aposta no diagnóstico precoce

Doenças que preocupam os oftalmologistas, uma vez que “quanto mais tarde são diagnosticadas, mais interferem de maneira negativa na vida pessoal e social dos doentes e mais recursos económicos exigem para o seu tratamento. Por isso, nunca é demais insistir na importância da vigilância regular pelo oftalmologista”

Essa é, de resto, uma das grandes apostas dos oftalmologistas, o facto de poderem diagnosticar estas doenças “o mais precocemente possível, de modo a poderem tratar as que são tratáveis e a retardar a evolução daquelas que ainda são consideradas incuráveis”.

Até porque, confirma a médica, “há muitas patologias oculares cuja evolução, lenta e silenciosa, só afeta a visão tardiamente, como é o caso do glaucoma ou de algumas doenças degenerativas da retina. Por isso, é necessário que as pessoas consultem regularmente o seu oftalmologista, mesmo quando aparentemente não têm dificuldades visuais, ou quando pensam que uma simples mudança de lentes pode eventualmente resolver o problema”.

Do programa do congresso da SPO fazem ainda parte vários outros temas, um encontro que este ano se realiza em paralelo com a reunião do BIOPSY 2018, “uma sociedade científica de grande prestígio, ligada à Universidade de McGill, em Montreal”

Criada em 2008, “dedica-se à investigação anátomo-clínica na área da oftalmologia e promove reuniões de dois em dois anos em vários países”. Um acontecimento que demonstra, segundo Isabel Almasqué, “o reconhecimento do nível da oftalmologia portuguesa”.

tecnologia permite diagnóstico precoce

Tecnologia permite diagnóstico precoce de várias doenças, evitando a cegueira

Por Bem-estar

Chama-se Tomografia de Coerência Ótica (OCT), um nome complicado que ilustra os avanços tecnológicos em oftalmologia. A propósito do Dia Mundial da Ciência, a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia elege a OCT como um dos mais importantes avanços dos últimos tempos, que permite o diagnóstico precoce de várias doenças.

“É, sem dúvida, uma grande revolução na imagiologia médica, especialmente na área da oftalmologia, onde sofreu um desenvolvimento incrível nas últimas duas décadas”, explica João Figueira, médico oftalmologista.

Tanto que, em 2012, a sua importância foi reconhecida através de um dos prémios mais prestigiados mundialmente na área da medicina e oftalmologia, o Prémio António Champalimaud de Visão, entregue aos pioneiros na aplicação desta tecnologia em oftalmologia.

Ferramenta de diagnóstico e muito mais

Retinopatia diabética, degenerescência macular da idade, oclusões venosas da retina, buracos maculares ou glaucoma são algumas das doenças onde a OCT é “especialmente útil” para o diagnóstico precoce e monitorização, esclarece o especialista.

Uma tecnologia que, acrescenta, já “não está apenas limitada à investigação clínica em determinados centros mas, pelo contrário, está disponível para a prática clínica em hospitais, clínicas e muitos consultórios oftalmológicos do nosso país, permitindo que a maioria dos oftalmologistas tenham acesso a esta ferramenta de diagnóstico, que eu diria mesmo quase imprescindível, para o diagnóstico e seguimento de muitas patologias oculares”.

Mas afinal, o que faz a OCT e como pode ajudar os doentes? É através da emissão de uma luz no olho que, depois de refletida pela retina, é analisada e processada, que é possível obter imagens desta mesma zona. Hoje, são já imagens de alta resolução, “que permitem avaliar a microestrutura da retina como nunca antes tinha sido possível”.

Inicialmente desenvolvida para o estudo e avaliação das doenças da retina, área onde, segundo João Figueira, “continua a ter a maior aplicabilidade clínica”, esta tecnologia permite também “uma melhor resolução da coroide, que se localiza mais profundamente no olho”, aplicando-se ainda a outras estruturas oculares, como o nervo ótico e tecidos do segmento anterior do olho (córnea, câmara anterior, íris e ângulo).

Vantagens para o doente e para os médicos

As vantagens para o doente são muitas. A começar pelo facto de ser “um exame não invasivo, muito rápido e confortável, que permite obter imagens de altíssima qualidade e pormenor”.

Depois, “a OCT demonstrou ser mais sensível e específica, portanto mais eficaz, no diagnóstico precoce de muitas patologias retinianas, quando comparado com o simples exame oftalmológico ou mesmo outros exames”.

A isto junta-se o facto de proporcionar “um diagnóstico mais preciso e correto, em fases mais precoces da doença, que vieram permitir um tratamento mais atempado e, por conseguinte, evitar a progressão da doença para estádios mais avançados e  graves, normalmente associados a pior prognóstico visual”, permitindo ainda “a monitorização ao longo do tempo, bem como a resposta que se vai obtendo com as terapêuticas instituídas”.

Vantagens para os doentes e vantagens para os médicos, que têm ao dispor “um exame de altíssima qualidade, muito sensível e específico para a avaliação de determinadas patologias oculares, nomeadamente da retina. O facto de não ser invasivo, e aparentemente sem efeitos secundários, permite que possa ser repetido com regularidade e portanto utilizado não só para o diagnóstico, mas também para a monitorização com a regularidade desejada no seguimento destes doentes”.

Envelhecimento da população determina “aumento significativo” do glaucoma

Por Atualidade

É a primeira causa de cegueira não reversível em todo o mundo, estimando-se a existência de 80 milhões de pessoas com a doença. Por cá, serão cerca de 200.000 os que sofrem com glaucoma, um problema que leva à perda progressiva e irreversível da visão.

E poderão vir a ser muitos mais, uma vez que, explica António Rodrigues Figueiredo, coordenador do Grupo Português de Glaucoma da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO), “sendo uma doença cuja ocorrência aumenta com a idade e atendendo ao aumento da esperança de vida, estes números tendem a crescer significativamente”.

Um alerta dado no âmbito da Semana Mundial do Glaucoma, que se assinala de 11 a 17 de março.

“O glaucoma é uma doença bastante assintomática nas fases iniciais”, refere o especialista, que acrescenta que “a perceção inicial da doença é ainda mais difícil devido à nossa própria adaptação cerebral, que vai tentando substituir as imagens em falta por ‘cópias’ das imagens próximas – como num roubo valioso, em que as peças roubadas são substituídas por cópias idênticas. Por isso chamamos ao glaucoma ‘o ladrão silencioso da visão’”.

Um fenómeno que “provoca uma perceção deformada e incompleta da realidade, tornando-se bastante grave por exemplo na marcha, causando quedas (uma queixa frequente), ou na condução automóvel”.

A principal causa e fator de risco desta doença que, por cá, se estima que esteja apenas diagnosticada em 50% dos doentes, é a hipertensão ocular.

O que significa que “uma tensão ocular elevada, não detetada e não controlada, vai conduzir ao aparecimento da doença”. Mas há outros fatores de risco, como a idade e a existência de familiares diretos com glaucoma.

Deteção precoce é fundamental

Por ser uma doença progressiva, isto é, “que tem uma natural tendência para agravamento” e também “irreversível, ou seja, as perdas que causa não são recuperáveis, torna-se fundamental a deteção precoce”, refere o especialista. “A oftalmologia possui métodos clínicos e exames complementares sofisticados que permitem que seja detetada muito antes de dar sintomas, prevenindo, graças aos tratamentos adequados, a sua progressão.”

E tudo deve começar pela medição da tensão ocular que, refere António Rodrigues Figueiredo, é o principal fator de risco do glaucoma “e simultaneamente o único que podemos tratar e que conduz ao controlo da doença – há inúmeros estudos e evidência que o comprovam”.

De acordo com o médico, “existem, para os próximos anos, perspetivas de inovação no tratamento com medicamentos. No entanto, atualmente é nas técnicas cirúrgicas que se tem verificado maior progresso”.

Apesar disto, por serem técnicas invasivas e mais agressivas, isso dificulta a sua aceitação pelo doente de forma atempada, “o que por vezes se revela fatal em termos evolutivos da doença. Mas as modernas técnicas microcirúrgicas, com recurso a microimplantes, são muito mais seguras e certamente o seu uso tenderá a aumentar”.

Apesar de existir tratamento, não há cura. E António Rodrigues Figueiredo defende a importância de esclarecer os doentes e de combater esta ideia errada.

Na Semana Mundial do Glaucoma, que se assinala entre 11 e 17 de março, o especialista deixa o alerta: “Atenção ao ladrão silencioso da visão: se tem mais de 45 anos e nem sabe a sua tensão ocular, se tem familiares com glaucoma, proteja a sua visão”.

Aos doentes com glaucoma, recorda que qualquer portador de uma doença crónica “tem que aprender a conviver com esse facto, já que uma doença progressiva e irreversível exige coragem, perseverança e sobretudo apoio para a luta que o seu controlo representa”.