perda auditiva entre os idosos

30% dos portugueses com mais de 50 anos têm perda auditiva

Por Bem-estar

Em Portugal, cerca de 30% da população com mais de 50 anos sofre de perda auditiva, que ocupa mesmo o terceiro posto na lista de problemas de saúde crónicos mais prevalentes entre os idosos portugueses. Um problema que preocupa os especialistas, que alertam para a importância da reabilitação auditiva na reintegração na sociedade.

É normal: com o avançar da idade, o ouvido sofre alterações e deixamos de ouvir tão bem. Esta é, aliás, a causa principal para quase todos os casos de perda de audição, embora haja outros fatores associados, como os antecedentes familiares, a permanente exposição a ambientes ruidosos ou algumas doenças neurológicas, metabólicas e cardíacas.

“A perda auditiva é um défice adquirido, ou seja, consiste numa perda gradual das capacidades auditivas, devido a lesões ou doenças”, explica Dulce Martins Paiva, diretora-geral da GAES – Centros Auditivos.

“Nestas situações, a maioria das pessoas já aprendeu a comunicar oralmente, sendo que, ao desenvolver esta deficiência, vai procurar alternativas para comunicar. Como qualquer outra parte do nosso corpo, o ouvido precisa de ser estimulado e exercitado para se manter ativo. Se o estímulo desaparece, a perda auditiva aumenta, e a compreensão da fala também começa a deteriorar-se gradualmente. É por isso que é fundamental procurar uma solução.”

Impacto enorme na vida e rotina

De acordo com os dados da Organização Mundial de Saúde, até 2050 e no mundo, cerca de 900 milhões de pessoas devem sofrer de perda auditiva. E com um grande impacto na qualidade de vida e na rotina socialmente ativa.

“Esta condição altera a capacidade de relacionamento com os outros, afeta progressivamente a memória, a orientação e a linguagem, causando o isolamento”, refere a especialista.

O problema torna-se ainda mais preocupante, se tivermos em conta que a solidão e o isolamento social acabam por ser comuns entre estes indivíduos, podendo causar depressões e até mesmo resultar num quadro de demência.

Reabilitação devolve qualidade de vida

Falar de prevenção é preciso, mas a esta conversa tem de se juntar outra, sobre a reabilitação auditiva, que poderá devolver a estas pessoas a sua qualidade de vida.

“Atualmente, com o avanço da tecnologia no setor da saúde, existem inúmeras soluções para casos de perda auditiva”, refere Dulce Martins Paiva. 

A rádio ao serviço da reabilitação de doentes psiquiátricos

Por Saúde Mental

Ajudar os doentes psiquiátricos numa fase de reabilitação, contribuindo para o desaparecimento do estigma da doença mental na sociedade, são os objetivos do ‘Mais Vozes que Nozes: saúde mental sem fios’, um programa de rádio emitido todos os meses.

Da responsabilidade da Engenharia Rádio (ER), em parceria com a Clínica de Psiquiatria e Saúde Mental do Centro Hospitalar São João (CHSJ), trata-se de um programa em formato podcast, emitido todos os meses, que se inspira noutras experiências do género, criadas um pouco por todo o mundo.

Foi na década de 90 do século passado, na Argentina, que surge o primeiro projeto de rádio conduzido por doentes psiquiátricos, utentes de um serviço de psiquiatria. Seguiram-se exemplos em Itália, França, Espanha, Suécia, modelos que António Roma Torres, antigo diretor da Clínica de Psiquiatria e Saúde Mental (CPSM) do CHSJ, tentou replicar em 2011.

Com o apoio da Engenharia Rádio, o projeto ‘Mais Nozes que Vozes: Saúde Mental sem Fios’ ganha agora uma nova dinâmica. Para Rui Coelho, atual diretor da CPSM-CHSJ, “este projeto tem em vista a capacitação de pessoas com doença mental, a exploração dos seus interesses e potencialidades, bem como a diminuição do estigma relativamente à doença, produzindo conteúdos com qualidade técnica e informativa e estreitando laços de proximidade com a comunidade fora das paredes do Hospital”.

Ao realizar o programa mensalmente, “o mundo da psicose, que é mais familiar [ao doente], é posto de parte, levando-o a ser estimulado a pensar num tema, formar uma opinião, redigir e transmitir, sentindo-se reconhecido e ouvido. E assim, recria-se incorporando a sua obra e descobrindo interesses”, acrescenta o clínico em comunicado.

Rádio dá apoio à saúde mental

A gravação e produção conjunta do programa são feitas através do estúdio da Engenharia Rádio, responsável pela difusão dos podcasts nas diversas plataformas digitais ligadas à rádio universitária. “Uma parceria que lança desafios importantes: por um lado, a comunicação como ferramenta de reabilitação dos utentes; por outro, a integração dos utentes no meio universitário, onde a diferença de idades, relativamente aos estudantes, é considerável”, refereFilipe Borges Teixeira, Coordenador Geral da Engenharia Rádio.

Com emissões a partir da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, a Engenharia Rádio é a única Rádio Universitária na Invicta. De carácter independente e experimental, emite 24 horas por dia, sete dias por semana e possui uma emissão online com diversos programas de autor em formato poadcast.

Terapia com música melhora humor e qualidade de vida de vítimas de AVC

Por Atualidade

Que a música faz bem à saúde, já não é grande novidade. O que é novo é o impacto da música na reabilitação de doentes que sofreram um acidente vascular cerebral (AVC), confirmado por um estudo recente.

Publicado na revista científica Annals of the New York Academy of Sciences, o ensaio clínico em questão, realizado por uma equipa de investigadores espanhóis e finlandeses, decidiu analisar a eficácia da musicoterapia na recuperação da mobilidade do braço e mão de doentes vítimas de AVC. O estudo olhou para os efeitos da música para verificar se faria sentido acrescentar este tipo de terapia à que já é disponibilizada nos hospitais.

E a resposta é positiva. Os investigadores não têm dúvida que a motivação é um fator importante na recuperação e os doentes que são tratados com musicoterapia melhoram a sua qualidade de vida e o seu humor.

Os benefícios da música

Mais de 40 pessoas vítimas de um AVC e que realizavam reabilitação no Hospital Esperança de Barcelona juntaram-se ao estudo e foram divididos, de forma aleatória, em dois grupos: um recebia sessões de reabilitação, aos quais se juntava a música – ensino de piano e bateria eletrónica com a mão afetada pelo AVC -, o outro não. E, ao longo de quatro semanas, os investigadores avaliaram as funções motoras e cognitivas, assim como o humor e a qualidade de vida dos doentes antes e depois do tratamento.

A conclusão reforça a importância da música e revela que aqueles que gostavam de participar em atividades musicais foram os que mais melhoraram as suas funções motoras. Para além disso, o tratamento musical reduziu o cansaço, as emoções negativas e a apatia entre os doentes.

 

Quatro anos após o AVC, 30% dos sobreviventes ainda têm restrições

Por País

A diminuição do número de mortes por AVC, que se tem assistido nos últimos anos, fez-se acompanhar por um aumento do número de sobreviventes, obrigados a lidar, no dia-a-dia, com “dificuldades persistentes na execução das suas tarefas”. E, quatro anos após um AVC agudo, mais de 30% dos sobreviventes continuam a manifestar restrições, um problema que exige cada vez mais uma aposta na reabilitação.

Maria Teresa Cardoso, coordenadora do Núcleo de Estudos da Doença Vascular Cerebral da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, defende que a reabilitação é cada vez mais “uma parte essencial do continuum de cuidados ao doente após o acidente vascular cerebral, desde a fase aguda, no hospital, prolongando-se vários meses até à reintegração na comunidade”.

Até porque “mais de 2/3 dos sobreviventes de AVC necessitam de reabilitação após hospitalização”, acrescenta a especialista, assistente sénior de Medicina Interna no Centro Hospitalar de S. João, no Porto. Mas o fim da reabilitação, “geralmente três a quatro meses após o AVC, não deve significar o fim de todo um processo de recuperação”, reforça.

“Não podemos esquecer que a apatia está presente em 50% dos sobreviventes do AVC ao fim de um ano e que a fadiga é um sintoma comum e debilitante, assim como a depressão e a inatividade física.”

A reabilitação assume um papel cada vez mais relevante, sendo grande o trabalho a fazer “em vários domínios, incluindo integração social, qualidade de vida, manutenção de atividade, autoeficácia (acreditar na sua própria capacidade)”.

E mesmo depois da fase aguda e subaguda do AVC, “há evidência crescente de melhoria significativa. A reabilitação numa fase mais tardia pós AVC com intervenções multimodais a nível de perceção de recuperação, equilíbrio, marcha, cognição permitem melhorar o prognóstico.”

Algo que é válido também para a fala, apesar de, durante muitos anos, se considerar impossível melhorar a comunicação verbal em doentes com afasia (distúrbio de comunicação) crónica após AVC. “Estudos recentes demonstraram eficácia de terapia intensiva da fala (mais de 10 horas semanais durante três semanas), com efeitos permanentes”, salienta Maria Teresa Cardoso.

Reativar funções perdidas após o ACV

A considerar também que “a reabilitação cognitiva com o objetivo de reativar funções perdidas e de ensino de estratégias compensatórias é alvo de atenção crescente e não deve ser descurada. Os problemas de memória são frequentes após o AVC, condicionando dificuldades na vida diária, havendo evidência recente que a participação do doente no seu autocontrolo, que inclui programas de educação e de treino, pode melhorar a qualidade de vida e a autoeficácia após AVC. O coaching em termos de saúde aplicado no sobrevivente do AVC parece prometedor no sentido de capacitar o indivíduo para a melhoria e para o controlo da sua recuperação através do acesso a uma ajuda e suporte personalizado”.

supercola para o coração

Só 8% dos doentes com enfarte fazem reabilitação cardíaca

Por País

Reduz a mortalidade e futuras complicações cardiovasculares, melhora a qualidade de vida, aumenta a capacidade física para voltar a ter uma vida ativa e reduz a doença psicológica (ansiedade e depressão) causada pela doença. Ainda assim, só uma pequena minoria de doentes (8%) que sofreram um enfarte realizam reabilitação cardíaca.

Em vésperas do Dia Nacional do Doente Coronário, que se assinala no próximo dia 14 (quarta-feira), a Fundação Portuguesa de Cardiologia (FPCardiologia) alerta para a importância desta prática, deixando a certeza: “a reabilitação salva vidas!”

“A reabilitação cardíaca dá os conhecimentos e a motivação necessária para combater a progressão e complicações da doença cardiovascular”, afirma Manuel Carrageta, presidente da FPCardiologia.

Este “conjunto de intervenções coordenadas, destinadas a otimizar a capacidade física, psicológica e social do doente, e adicionalmente estabilizar, retardar ou promover a regressão da aterosclerose, reduz a morbilidade e a mortalidade de doentes que sofreram um enfarte do miocárdio, têm insuficiência cardíaca ou foram submetidos a angioplastia ou cirurgia coronária ou valvular”.

É por isso que “a reabilitação cardíaca é uma das intervenções clínicas mais custo-eficazes no tratamento das doenças cardiovasculares, sendo responsabilidade dos clínicos recomendar que todos os doentes elegíveis (com doença coronária, insuficiência cardíaca, etc) participem num programa de reabilitação cardíaca”.

Reabilitação cardíaca em debate

Esclarecer a população sobre este tema é o desafio da FPCardiologia que, no Dia Nacional do Doente Coronário, assinala a data com a realização do 3º Encontro de Doentes Cardíacos, subordinado ao tema “Reabilitar o coração para viver mais e melhor”.

No dia 14, o Centro Comercial das Amoreiras, em Lisboa, recebe um rastreio cardiovascular gratuito, entre as 12h00 e as 15h00, que contará com a avaliação da pressão arterial, doseamento da glicemia, medição do peso e altura para cálculo do índice de massa corporal, medição do perímetro abdominal e aconselhamento nutricional.