rastreio do cancro do colo do útero

Cerca de 13% das mulheres não fazem o rastreio do cancro do colo do útero no País

Por País

Cerca de 13% das mulheres portuguesas nunca fizeram o rastreio do cancro do colo do útero e, entre as que fizeram, 12% não seguem as recomendações europeias relativas à periodicidade de realização do exame. Os dados são de um estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), que ainda assim dá conta de um aumento do número de mulheres que fazem este rastreio.

Ler Mais

diagnóstico para a doença de Parkinson

Diagnosticar a doença de Parkinson através do cheiro

Por Investigação & Inovação

A ideia de que uma doença pode ter um cheiro próprio pode ser estranha, mas quando a confirmação é feita pela ciência, o melhor mesmo é aproveitar o facto para melhorar o diagnóstico. É isso mesmo que se pretende com a descoberta de produtos químicos, presentes na pele, responsáveis ​​por um aroma único em pessoas com a doença de Parkinson.

Resultados que sugerem que a doença de Parkinson pode vir a ser, um dia, diagnosticada a partir da análise dessas substâncias na pele, recolhidas com recurso a um cotonete, o que abre a porta a novos testes.

O cheiro pode ser a chave

Não há, atualmente, um exame de diagnóstico para a doença de Parkinson, que é identificada a partir da observação dos sintomas, um processo que pode durar vários anos.

Cientistas da Universidade de Edimburgo sugerem agora que esta doença pode vir a ser diagnosticado devido à presença de substâncias químicas na pele.

Tudo começou com Joy Milne, a viúva de um ex-doente, cujo sentido apurado de olfato permitiu perceber que as pessoas com Parkinson têm um aroma único.

Num estudo piloto, Joy foi capaz de distinguir com precisão quais os doentes e quais as pessoas saudáveis, através apenas do cheiro das camisolas que usaram ao longo de 24 horas.

Utilizando uma técnica especializada que imita o nariz humano, investigadores da Universidade de Manchester analisaram a amostras da pele de pessoas com a doença de Parkinson e identificaram três moléculas associadas ao odor, causadas pela doença, que acreditam serem capazes de vir a dar origem a novos testes.

Um passo importante no sentido da criação de uma forma de diagnóstico que permita reduzir o tempo que leva até ao diagnóstico.

“Ter um teste conclusivo teria um enorme impacto, não apenas para os doentes, mas também na investigação de novos tratamentos”, confirma Tilo Kunath, especialista do Conselho de Pesquisa Médica Centro de Medicina Regenerativa da Universidade de Edimburgo.

Ainda à procura de uma cura

A doença de Parkinson é provocada por uma perda de células nervosas na parte do cérebro que controla o movimento do corpo. Atualmente, não há cura, mas os especialistas esperam que a identificação precoce das pessoas afetadas seja capaz de as ajudar na busca por tratamentos.

Novo dispositivo deteta alergias a antibióticos em menos de uma hora

Por Investigação & Inovação

São vários os testes que permitem identificar as alergias a antibióticos. Testes invasivos, que não são suficientemente sensíveis, o que pode resultar num diagnóstico impreciso, são demorados e, em muitos casos, caros. Algo que pode mudar em breve.

Para resolver estes problemas, investigadores europeus, liderados pela Universidade Politécnica de Valência, desenvolveram um teste de baixo custo e elevada sensibilidade, capaz de detetar, de forma não invasiva e com uma pequena quantidade de sangue, alergias a antibióticos, como a amoxicilina ou penicilina, em menos de uma hora. 

As vantagens são muitas e para além de ser rápido e barato, este protótipo destaca-se por ser capaz de detetar, numa só amostra, até dez alergias aos antibióticos. E de poder analisar até seis amostras diferentes ao mesmo tempo.

“A análise é muito simples”, explica Anjo Maquieira, investigador da Universidade Politécnica de Valência.

“Depois de carregada no disco, a amostra é inserida no leitor. A partir da interação entre a amostra e os reagentes, obtém-se o resultado, que ajudará os médicos a diagnosticar se o paciente não é alérgico. Tudo em menos de uma hora”, confirma o especialista.

“Mais seguro, rápido e com menos custos”

É em Valência e Montpellier, França, que estão a decorrer os testes, que têm como objetivo confirmar o desempenho do dispositivo em situações reais. Segue-se a aplicação prática no Hospital Universitário La Fe i Politécnico.

Para Ethel Ibáñez, alergologista desta unidade, o novo teste pode fornecer o diagnóstico de alergia a antibióticos com menos custos, reduzindo, ao mesmo tempo, o desconforto e risco para os doentes.

“Atualmente, o diagnóstico começa com uma história clínica do paciente e, dependendo do risco que teve, são realizados testes cutâneos. Estes são invasivos e podem envolver uma série de riscos”, refere Ethel Ibáñez.

“Para além disso, realizamos testes analíticos e exposição ao medicamento, fornecido ao paciente por via oral, o que acarreta um risco maior do que os testes cutâneos. Todos estes testes também exigem deslocamentos sucessivos”, acrescenta.

“O equipamento que foi desenvolvido neste projeto é muito mais seguro, rápido e gera muito menos custos. Quando o doente chega à consulta, com uma pequena amostra de sangue (25 microlitros) sabemos se é alérgico ou não”.

novo rastreio para apneia do sono

Novo teste permite rastreio mais rápido da apneia do sono

Por Investigação & Inovação

Identificar de uma forma mais rápida e simples a apneia do sono, que afeta cerca de um milhão de portugueses, é o que pretende um novo teste, que promete gerar uma poupança de milhares de euros.

É verdadeiramente uma doença que não deixa dormir. A apneia obstrutiva do sono é uma perturbação da respiração, que torna a a hora de ir para a cama mais difícil, uma vez que se caracteriza pelo corte do fluxo respiratório mais de cinco vezes por hora, durante mais de 10 segundos. 

Uma situação que pode ser grave, mas cuja confirmação passa atualmente, entre outros, pela realização de um teste, a polissonografia, exame que visa analisar a qualidade do sono e detetar perturbações, ainda que cerca de 34% das que são feitas por suspeita de apneia do sono tenham um resultado normal. 

Para além de dispendioso, este teste exige a presença de técnicos, implica longas listas de espera e está muito limitado às áreas urbanas, o que dificulta a sua realização.

Ferramenta promete detetar mais de 90% dos casos de apneia do sono

O novo método, a usar na prática clínica, pretende detetar mais de 90% dos casos da doença e evitar que uma em cada cinco pessoas realize a polissonografia, com poupanças de milhares de euros em exames, consultas e recursos humanos. Até porque, segundo os dados disponíveis, cada exame custa cerca de mil euros.

Criado por uma equipa de investigadores do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, trata-se de uma ferramenta inovadora, cujo “objetivo é fazer uma triagem, identificando as pessoas que provavelmente sofrem desta doença, dando-lhes prioridade na marcação do exame”, explica Daniela Ferreira Santos, primeira autora do estudo sobre esta novidade, publicado na revista International Journal of Data Science and Analytics, que avaliou cerca de três centenas de doentes. 

“Da mesma forma, podemos evitar que muitas pessoas façam este exame desnecessariamente.”

A ferramenta online, que integra uma tabela de risco e um modelo gráfico, pode ser usada a partir de agora pelos médicos, entre os quais os médicos de família nos Cuidados de Saúde Primários, para calcular automaticamente a probabilidade de alguém sofrer de apneia do sono.

teste para infeções virais

Teste rápido para infeções virais pode poupar aos hospitais 2.500€ por doente

Por Investigação & Inovação

Um teste rápido e fácil, capaz de detetar infeções virais e que pode reduzir o uso desnecessário de antibióticos e internamentos hospitalares foi apresentado no Congresso Internacional da Sociedade Europeia Respiratória. 

O teste, que consegue um resultado em apenas 50 minutos, pode gerar poupanças para os hospitais de cerca de 2.500 euros por doente não hospitalizado, ajudando a aliviar da falta de camas e a reduzir o desenvolvimento de resistência aos antibióticos.

Kay Roy, consultor de medicina respiratória e clínica geral do Hospital Hertfordshire NHS Trust, em Watford, e professor honorário da Universidade de Hertfordshire, em Hatfield (Reino Unido), considera que “os resultados iniciais nos primeiros 1.075 doentes revelam o potencial deste teste. Identificamos 121 doentes que apresentavam infeções virais, não apresentavam evidências de infeção bacteriana, apresentavam radiografia ao tórax normal e apenas modestos indicadores de inflamação”.

De acordo com o especialista, “foi possível evitar o internamento hospitalar em 25% dos casos e a administração de antibióticos desnecessários em 50%. Nenhum dos 30 doentes que evitaram internamento e que não receberam antibióticos tiveram desfechos clínicos adversos, o que é reconfortante”, acrescenta.

Tecnologia mais próxima do doente

O teste viral respiratório (POCT) foi lançado no Watford General Hospital (Reino Unido) a 15 de janeiro de 2018. É rápido e simples de executar, envolvendo a inserção de um cotonete na narina do paciente para recolha de amostra de secreções (1 minuto).

A amostra é depois preparada e inserida numa máquina compacta, a FilmArray® (3-5 minutos), que a analisa e gera um resultado em 43 minutos.

“Todo o processo, desde a obtenção de uma amostra do nariz do doente ao resultado demora menos de 50 minutos, o que tem um impacto potencialmente enorme na qualidade do atendimento, permitindo a tomada precoce de decisões informadas sobre a gestão do doente”, refere Kay Roy.

“Este é o mesmo teste e tecnologia usados ​​no nosso laboratório de microbiologia, mas trouxemos o equipamento para junto do doente. Os resultados das amostras enviadas para o laboratório de microbiologia podem levar mais de dois dias.”

Menos camas ocupadas

Os dados, apresentados no congresso europeu, revelam que, dos doentes testados, 61% tinham um ou mais vírus (56% eram influenza e 54% outros).

Em 387 doentes, os resultados dos testes foram combinados com outros fatores clínicos importantes, como os resultados radiológicos do tórax e a falta de evidência de infeção bacteriana. Destes, foram identificados 121 potencialmente adequados para evitar hospitalização e antibióticos.

“Descobrimos que, quando os doentes realizaram o teste viral respiratório logo após o internamento, melhorava o fluxo de camas, o que é extremamente importante no inverno, sobretudo durante uma epidemia de gripe.”

Poupança de 2.500 euros por doente

O custo do POCT é compensado evitando, por exemplo, o custo dos testes laboratoriais de microbiologia e o custo de internamento dos doentes nos hospitais. “As conclusões apontam claramente para uma poupança líquida de custos. Cada admissão respiratória pode custar cerca de 2.500 euros. Poderíamos ter uma poupança significativa para os serviços nacionais de saúde, evitando admissões desnecessárias em doentes que têm que ser admitidos e tratados com antibióticos, enquanto esperam até dois dias pelos resultados do laboratório”, reforça o médico.

Burnout afeta 13% dos portugueses

Teste permite identificar risco de burnout através da saliva

Por Saúde Mental

E se fosse possível identificar o risco de burnout, um problema que, em 2016, afetava 13% dos portugueses ativos, de forma simples, tornando também mais fácil a prevenção? É isso que propõe um grupo de investigadores, que afirma ter criado um teste de saliva capaz de o fazer.

Investigadores da MedUni de Viena e do Centro de Saúde e Prevenção da Agência de Seguros de Saúde austríaca socorrem-se do cortisol para o fazer, uma hormona anti-stress, produzida predominantemente no início da manhã, ao acordar.

Nas pessoas saudáveis, o nível de cortisol cai ao longo do dia, até que praticamente não haja cortisol mensurável à noite. Um quadro que muda quando as pessoas estão sujeitas a um stress constante. Para estas, o corpo mantém o nível de cortisol dentro do intervalo mensurável por muito mais tempo, para lidar com o stress prevalente. E se o stress se tornar “crónico”, os níveis desta hormona permanecem elevados sem qualquer padrão diário normal.

O que Helmuth Haslacher, Alexander Pilger e Robert Winker, os três investigadores principais deste estudo, conseguiram mostrar é que níveis elevados de cortisol podem ser detetados através de uma amostra única de saliva, recolhida ao meio-dia ou à noite, capaz de medir o risco de burnout.

Um teste que funciona

“Verificou-se que as pessoas identificadas como tendo elevados níveis de stress associados ao trabalho tinham valores de cortisol notavelmente mais altos ao meio-dia e também à noite. Observamos também uma melhoria clínica e nos níveis de cortisol daqueles que receberam tratamento na clínica de stress criada para o efeito”, afirmam os especialistas.

“Isso significa que podemos usar estes marcadores para identificar preventivamente as pessoas que estão em maior risco de burnout.”

O que é preciso agora é que se realizem outros estudos para avaliar este resultado e desenvolver um sistema de testes bioquímicos válido para uso na prática clínica diária, para identificar candidatos de alto risco para o burnout.

“Os nossos dados atuais indicam que o risco de burnout pode ser identificado a partir de uma única amostra de saliva com quase 100% de precisão.”

Burnout: o que é e quais os sintomas

Definido pela Organização Internacional do Trabalho, o burnout “é um estado de exaustão física, emocional e mental, que resulta do envolvimento a longo prazo em situações de trabalho emocionalmente exigentes”. Ou seja, trata-se de uma resposta prolongada à exposição crónica a riscos psicossociais, emocionais e interpessoais no espaço do trabalho.%

Caracterizado por exaustão emocional, faz-se acompanhar por cinismo (atitudes negativas, desumanizadas e insensíveis em relação às pessoas em redor), despersonalização, falta de envolvimento no trabalho, baixo nível de realização pessoal e ineficiência.

Novo exame de sangue útil para detectar pessoas em risco de Alzheimer

Por Atualidade

Acredita-se que o início de Alzheimer comece muito antes dos primeiros sintomas. E acredita-se também que o progresso na investigação de medicamentos para travar a doença tem sido dificultado pelo fato de esta só pode ser diagnosticada quando é tarde demais para uma intervenção eficaz. É para mudar esta situação que um grupo de investigadores alemães desenvolveu um exame de sangue capaz de indicar a presença da doença muito antes dos primeiros sintomas.

Um exame que oferece a oportunidade de identificar os que estão em risco e abrir a porta a novos caminhos na descoberta de medicamentos.

Uma das características da doença de Alzheimer é a acumulação de placas beta-amilóide no cérebro dos doentes. O exame de sangue, desenvolvido por Klaus Gerwert e pela sua equipa, investigadores na Universidade de Ruhr, em Bochum, Alemanha, mede no sangue as quantidades relativas de uma apresentação patológica e saudável destas placas.

Publicado na revista científica EMBO Molecular Medicine, o trabalho procurou verificar se o exame de sangue seria capaz de captar a presença das placas beta-amilóide patológicas em fases muito precoces da doença. E os resultados são promissores, tanto mais que, atualmente, as ferramentas de diagnóstico disponíveis para a doença de Alzheimer envolvem a realização de exames cerebrais muito caros ou de análises de amostras de líquido cefalorraquidiano, extraídas através de punção lombar.

Com este exame, os cientistas apresentam o que dizem ser não só uma opção mais barata, mas também mais simples para pré-selecionar indivíduos da população geral, depois indicados para testes adicionais através dos métodos mais invasivos, capazes de excluir os falsos positivos.