Scroll Top

UE quer devolver a natureza às cidades e já tem um plano de ação para o fazer

natureza nas cidades

Cidades verdes, com parques, ruas arborizadas, espaço para pedalar ou caminhar. De acordo com um estudo do Eurobarómetro, 84% dos cidadãos da União Europeia (UE) gostavam de ter acesso a cidades assim, mas 22% temem que espaços como estes aumentem o custo de vida. Mas será mesmo assim? Thami Croeser, especialista do Instituto Real de Tecnologia de Melbourne, na Austrália, está a estudar o tema e integra uma equipa internacional que aconselha a UE no planeamento do espaço urbano. É ele que explica o que é isto de “soluções baseadas na natureza” e como estão a ser implementadas na Europa.

São muitos ainda os que, nas cidades, não abdicam dos seus carros e criticam as soluções que impedem ou dificultam o seu uso. Mas para Thami Croeser, “as pessoas não são realmente o problema. Envolver a comunidade neste tipo de projetos desde muito cedo é uma das etapas mais importantes”.

Segundo explica, “embora muitas pessoas gostem dos seus carros, estão dispostas a ser criativas para encontrar soluções ecológicas, como fechar ou estreitar uma estrada, ou abrir mão de algum espaço de estacionamento para árvores ou espaços verdes, se isso beneficiar o bairro”.

Claro que vai haver sempre quem defenda que os carros devem ser a prioridade à custa de todo o resto, mas são uma minoria, acredita, “e a maioria das pessoas entende que podemos fazer trocas realmente positivas, desde que tenham a possibilidade de participar no processo”.

Até porque, reforça, “tornar verdes os espaços urbanos não tem de ser ‘anti-carro’. Com um design inteligente, muitas vezes podemos manter o acesso de alguns veículos, ajudando as nossas ruas a ter muitas árvores”.

As vantagens de ter a natureza na cidade

São muitas as vantagens da natureza na cidade. “Pode manter as cidades frescas, evitar inundações, limpar o ar, melhorar a nossa saúde mental e incentivar à prática de exercício. É também um habitat valioso para muitas espécies e pode contribuir para a beleza e a identidade dos lugares em que vivemos”, explica Thami Croeser, que não tem dúvidas que “as soluções urbanas baseadas na natureza são agora mais importantes do que nunca”.

É que aqui que entram as soluções urbanas baseadas na natureza, um setor que, garante Thami Croeser, está a amadurecer, havendo “cada vez mais formas de ajudar as nossas cidades a tornarem-se verdes”.

É isso que se está também a fazer ao nível da União Europeia, com o projeto URBAN GreenUP, onde se “estão a analisar novos modelos de financiamento para infraestruturas verdes, tanto na comunidade como no setor empresarial”.

São três as cidades pioneiras nesta matéria – Valladolid (Espanha), Izmir (Turquia) e Liverpool (Inglaterra). “Liverpool e Valladolid são cidades realmente diferentes, mas ambas têm densas áreas centrais que precisam de mais natureza. Fiquei realmente impressionado que os dois tenham conseguido colocar grandes paredes verdes nas áreas centrais”, refere Thami Croeser.

O trabalho continua e são vários os exemplos de soluções ‘verdes’ espalhados um pouco por toda a Europa.” Na Europa, fiquei extremamente impressionado com o belo verde da paisagem urbana que vi em Amesterdão, principalmente porque a maior parte é de moradores que colocam as suas próprias plantas nas ruas. Em Berlim, destacam-se parques multifuncionais; Roterdão é líder mundial em telhados verdes; Barcelona está a tomar medidas ousadas para recuperar o espaço da rua aos carros e transformá-lo em espaço público. Dependendo dos desafios que a sua cidade enfrenta, qualquer uma destas abordagens pode ser a ideal.”

Posts relacionados