Uma em cada três pessoas com enxaquecas não melhora com fármacos. Cirurgia pode ajudar

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O tratamento cirúrgico da enxaqueca é um procedimento “seguro e eficaz” e pode representar melhorias “significativas” na qualidade de vida dos doentes. Estas são as principais conclusões do estudo desenvolvido por um grupo de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) que comprova os benéficos da intervenção no tratamento da enxaqueca.

Com um enorme impacto social e económico, a enxaqueca é um distúrbio neurovascular generalizado que afeta, aproximadamente, 19% das mulheres e 10% dos homens. Uma combinação de fármacos e evitar fatores que possam desencadear uma crise constituem o tratamento padrão para combater as enxaquecas.

Embora a maioria dos doentes responda positivamente aos tratamentos, António Costa Ferreira, professor da FMUP e um dos autores do estudo, constata que “até um terço dos casos desenvolve resistência à medicação, não tolera os efeitos secundários ou tem contraindicações para a sua utilização”. Nesses casos, “a cirurgia pode ser uma alternativa para travar este distúrbio que afeta a qualidade de vida das pessoas”, afirma o cirurgião plástico.

Após ter sido o primeiro a realizar esta cirurgia em Portugal, o médico e investigador lamenta que o procedimento continue a encontrar resistência no seio da comunidade médica e que os profissionais médicos, bem como próprios doentes “ainda não estejam totalmente conscientes da existência desta possibilidade”. Uma realidade que António Costa Ferreira e os restantes autores esperam ver mudar com as conclusões do estudo.

Estudo garante segurança da cirurgia para as enxaqueca

Nesta investigação, que consistiu numa revisão sistemática de estudos e artigos científicos publicados internacionalmente entre 1996 e 2020, os resultados demonstram a existência de provas cientificas, publicadas em revistas de grande impacto, a favor da segurança e eficácia do tratamento cirúrgico da enxaqueca.

Nos mais de 50 trabalhos de investigação analisados, os autores relatam uma melhoria significativa entre 58,3% a 100% dos casos e a eliminação completa do distúrbio em 8,3% a 86,8% dos doentes. Dados sobre a satisfação dos pacientes e o impacto na qualidade de vida foram analisados em 9 estudos, tendo ficado demonstrado, de forma consistente, os benefícios da cirurgia.

Os investigadores destacaram, igualmente, a diminuição dos custos a longo prazo, comparativamente ao tratamento farmacológico, e o facto de que apenas foram relatadas pequenas e ocasionais complicações no pós-operatório, na sua maioria temporárias, como alguns casos de dormência, hematoma, alopecia, entre outros.

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