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Violência contra os profissionais nas urgências está a aumentar, revela estudo

serviços de urgências

Setenta e cinco por cento dos trabalhadores dos serviços e departamentos de urgências testemunharam violência no último ano, segundo um inquérito a mais de 1.300 profissionais de saúde em 81 países.

Luis Garcia Castrillo, professor aposentado de medicina de emergência no Hospital Marqués de Valdecilla, em Santander, Espanha, refere que, embora os doentes e os seus amigos ou familiares sejam os principais agressores, frequentemente devido ao consumo de álcool ou drogas, a sobrelotação nos serviços de urgências contribui igualmente para a violência.

“A violência no local de trabalho não só coloca em risco a saúde física e mental dos profissionais de saúde, como também tem um impacto negativo na qualidade dos cuidados prestados. O inquérito revela que 45,8% dos inquiridos acreditam que a qualidade dos cuidados foi prejudicada em consequência da violência que testemunharam”, afirma.

O inquérito internacional online, conduzido pelo Grupo de Trabalho do Dia da Medicina de Emergência da Sociedade Europeia de Medicina de Emergência, e apresentado no Congresso daquela sociedade, recebeu respostas de 1.306 profissionais de saúde em 81 países entre maio e junho de 2026 e revelou que 75,5% dos inquiridos testemunharam violência nos seus locais de trabalho no ano anterior, 68,8% sofreram danos psicológicos e 40,3% sofreram danos físicos.

A agressão verbal foi a forma mais comum de violência (87,8%), seguida pela agressão física (42,3%), danos materiais (26,4%), assédio sexual (14,6%), violência racial (14,5%), conflito armado (4,5%), incidentes com armas (4,1%), agressão sexual (3,5%), assédio cibernético (3,1%) e incidentes com armas de fogo (2,9%).

Os doentes foram os principais agressores (67,6%), seguidos pelos familiares ou amigos (44,1%). Os doentes ou visitantes intoxicados representaram 44% dos casos, e os doentes psiquiátricos, 35,2%.

Quase metade dos inquiridos (48,3%) acreditava que a violência no local de trabalho se tinha agravado nos últimos cinco anos e considerava os doentes violentos uma das maiores ameaças ocupacionais, perdendo apenas para o risco de infecção. Apenas metade (51,1%) tinha recebido formação formal em prevenção da violência, 38,6% referiu não ter recebido qualquer formação formal, 57,3% teve acesso a apoio psicossocial após incidentes violentos, enquanto 27,1% não teve acesso. As mulheres foram mais propensas a relatar vitimização psicológica do que os homens: 72,2% contra 40,4%.

Roberta Petrino, diretora do Departamento de Urgências do Ente Ospedaliero Cantonale, em Lugano, na Suíça, primeira autora do artigo, referiu que “o principal problema para as mulheres que trabalham na área de emergência é a violência verbal; isto pode incluir insultos, comentários sexuais, assédio de género e discriminação. As mulheres que trabalham em emergências são sujeitas a isto com muito mais frequência do que os homens, e as consequências são principalmente psicológicas. Os participantes da investigação desejavam apoio psicológico e que o problema da violência fosse abordado através da prevenção e de melhores processos de segurança”.

Ainda de acordo com a especialista, “outro ponto importante é a perceção de que existe pouca preparação para lidar com o problema da violência; os participantes da investigação acreditavam que os serviços de emergência estavam mais preparados para um evento com múltiplas vítimas do que para a violência quotidiana”.

“Tempos de espera prolongados, recursos limitados e um elevado nível de stress emocional aumentam as tensões entre os doentes, familiares e profissionais de saúde. Isto precisa de ser abordado através de intervenções organizacionais.” Os gestores hospitalares devem melhorar a organização interna do hospital para reduzir a sobrelotação, por exemplo, disponibilizando espaços adequados e bem concebidos, com pessoal suficiente, e estabelecendo políticas nas enfermarias para facilitar a transferência rápida dos doentes dos serviços de urgências. Isto permitiria que os serviços de urgências melhorassem o fluxo de doentes. Os gestores devem considerar a formação específica sobre como desescalar as situações e como comunicar eficazmente, devendo providenciar sistemas de segurança, como câmaras de vídeo e pessoal de segurança.

Crédito imagem: iStock

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