Um simples exame de sangue pode ajudar a detetar o cancro em doentes com sintomas inespecíficos, como fadiga, dor ou perda de peso. Esta é a conclusão de um estudo sueco realizado pelo Instituto Karolinska, Hospital Danderyd, e outras instituições, na Suécia, publicado na revista Nature Communications.
Quando os doentes procuram cuidados médicos devido a sintomas inespecíficos, como fadiga, dor ou perda de peso, é muitas vezes difícil determinar se a causa é cancro, outra doença grave ou algo completamente inofensivo. Num novo estudo, investigadores do Instituto Karolinska e do Hospital Danderyd, em conjunto com a Universidade de Örebro, o Instituto Real de Tecnologia KTH e o SciLifeLab da Universidade de Uppsala, investigaram se as proteínas no sangue podem fornecer pistas precoces.
Assinatura proteica associada ao cancro
O estudo analisou amostras de sangue de quase 700 doentes encaminhados para o Centro de Diagnóstico do Hospital Danderyd e do Hospital Universitário de Örebro, na Suécia. As amostras foram colhidas antes do início da investigação diagnóstica e, utilizando um método para análise de proteínas em larga escala, foram medidos os níveis de 1.463 proteínas diferentes no plasma.
Os investigadores identificaram, depois, uma combinação específica de proteínas, conhecida como assinatura proteica, que pode ser associada ao diagnóstico de cancro.
“O estudo demonstra o potencial da proteómica em larga escala para extrair informações clinicamente relevantes a partir de pequenas quantidades de sangue”, afirma Mikael Åberg, professor da Universidade de Uppsala e chefe do SciLifeLab Affinity Proteomics Uppsala, onde as análises foram realizadas.
Distinguir o cancro de outras doenças
Os investigadores desenvolveram, então, um modelo capaz de distinguir os doentes oncológicos daqueles com outras doenças, como as inflamatórias, autoimunes ou infecciosas, com elevada precisão.
“Um ponto forte do estudo é que o grupo de controlo era composto, em grande parte, por doentes com outras doenças graves que podem causar sintomas semelhantes aos do cancro”, explica Charlotte Thålin, médica do Hospital Danderyd, professora do Instituto Karolinska e investigadora principal do estudo.
“Isto reflete a realidade clínica, em que os doentes com sintomas inespecíficos são frequentemente difíceis de avaliar”, acrescenta.
Os investigadores realçam que o método não deve substituir os exames de imagem ou as biópsias, mas sim servir como um auxílio para priorizar quais os doentes que devem ser investigados mais a fundo.
“O método pode ajudar a identificar quais os doentes que devem ser priorizados para diagnósticos adicionais, por exemplo, com PET-CT, evitando investigações desnecessárias em doentes sem cancro”, afirma Fredrika Wannberg, médica no Hospital Danderyd e estudante de doutoramento no Instituto Karolinska.
Mais estudos são necessários antes que o método possa ser utilizado clinicamente e o passo seguinte é testá-lo nos cuidados primários, onde a incidência de cancro é menor do que nos cuidados especializados.
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