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Estudo revela impacto do cancro do endométrio na qualidade de vida das mulheres

cancro do endométrio

Um estudo internacional, publicado recentemente no International Journal of Gynecological Cancer, envolvendo 2.761 mulheres de 20 países, evidenciou que o cancro do endométrio tem um impacto profundo e prolongado na qualidade de vida das doentes, mesmo após o fim dos tratamentos. Apesar de doentes portuguesas não terem sido envolvidas, Cláudia Fraga, Presidente da Associação MOG – Movimento Oncológico Ginecológico, refere que estes dados são importantes para recordar que “esta realidade é universal e este estudo evidencia claramente que a fadiga, o sofrimento emocional e alguns efeitos secundários têm um peso enorme na vida das doentes, mesmo após o fim dos tratamentos”.

O estudo, baseado num questionário anónimo com 80 perguntas sobre sintomas, estado de saúde e bem-estar associado ao cancro do endométrio, analisou mulheres em três fases distintas da doença: tratamento inicial, tratamento após recaída e fase de seguimento. Os resultados mostraram que grande parte das doentes continua a apresentar sintomas ao longo de todo o percurso da doença.

Durante o tratamento, cerca de dois terços das mulheres reportaram sintomas ativos (64,8% durante a primeira linha e 68,4% após recaída), sendo a fraqueza o sintoma mais frequente, seguido da dor nos casos em tratamento ativo. Mesmo após o tratamento, 42,6% das mulheres em seguimento continuam a apresentar sintomas.

Entre os efeitos secundários do cancro do endométrio mais difíceis de gerir destacam-se a fadiga, a queda de cabelo e os problemas gastrointestinais, apontados como os mais impactantes na vida diária destas mulheres.

O estudo revela ainda dados sobre necessidades não satisfeitas: 28,8% das inquiridas referem precisar de mais tempo com os médicos para obter informação, enquanto 26,8% gostariam de ter melhores estratégias para prevenir a queda de cabelo e 24% para reduzir a fadiga.

A presidente da MOG sublinha, por isso, que “estes dados reforçam a necessidade de uma abordagem integrada da doente, que inclua não só o tratamento oncológico, mas também a gestão ativa dos sintomas, o apoio psicológico e o exercício físico ao longo de toda a jornada da doença”.

Impacto emocional

Outro dado relevante prende-se com o peso significativo do impacto emocional do cancro do endométrio. Mais de metade das mulheres em tratamento referiu sentir uma preocupação constante, cerca de 50% reportou cansaço extremo e quase metade dificuldades de sono. Mesmo na fase de seguimento, mais de 30% das doentes continuam a experienciar sofrimento emocional, incluindo medo, tristeza e ansiedade. Segundo Cláudia Fraga, “o exercício físico é importantíssimo para atenuar estes sintomas”.

estudo conclui ainda que intervenções dirigidas à gestão da fadiga, da queda de cabelo e do sofrimento psicológico podem ter um impacto significativo no bem-estar das mulheres com cancro do endométrio, destacando a importância de cuidados centrados na pessoa com doença.

O cancro do endométrio é o tumor ginecológico mais frequente e, embora cerca de 80% dos casos sejam diagnosticados em fases precoces, uma proporção significativa de mulheres enfrenta desafios físicos e emocionais persistentes. Por isso, “é fundamental garantir que as doentes têm acesso a acompanhamento contínuo e a estratégias integradas, incluindo controlo da fadiga, dos efeitos secundários e do impacto emocional. Melhorar a qualidade de vida deve ser uma prioridade tão importante como tratar a doença”, reforça Cláudia Fraga.

Crédito imagem: Pexels

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