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Vacina contra infeções urinárias? Cientistas estão a trabalhar nisso

vacina contra as infeções urinárias

A esperança de travar a crescente resistência da E. coli aos antibióticos e combater vários tipos de infeções, como as infeções urinárias, passa pelo desenvolvimento de vacinas. Mas um estudo internacional recente revela um obstáculo inesperado.

A bactéria E. coli é a causa mais comum de infeções urinárias e infeções da corrente sanguínea. Mas, na busca por vacinas, os investigadores descobriram que a bactéria é mais resistente do que se pensava. A maioria das pessoas tem E. coli na sua microbiota intestinal e enquanto permanecer no intestino, geralmente não causa problemas. Mas, se acabar noutras partes do corpo, pode dar origem a infeções, como as infeções urinárias e as da corrente sanguínea, o que pode ser particularmente grave para os idosos e para as pessoas com cancro.

Muitas pessoas recebem antibióticos para curar uma destas infeções. No entanto, o uso frequente de antibióticos levou ao desenvolvimento de múltiplas variantes de E. coli multirresistentes, o que significa que vários tipos de antibióticos já não funcionam contra elas, representando uma grande ameaça à saúde pública.

Uma vacina poderia reduzir a resistência aos antibióticos

Os investigadores esperam, por isso, que seja possível desenvolver vacinas contra a bactéria. “Isto poderá reduzir o uso de antibióticos e ser de grande benefício para pessoas com o sistema imunitário enfraquecido, como os idosos e os doentes oncológicos”, explica Rebecca Gladstone, investigadora do Departamento de Bioestatística do Instituto de Ciências Médicas Básicas da Universidade de Oslo, na Noruega.

Num novo estudo, publicado na Nature Microbiology, ela e os seus colaboradores recolheram dados de 18.000 amostras de doentes em vários países do mundo e estudaram os detalhes do material genético da bactéria através do sequenciamento genómico.

A E. coli, tal como as bactérias em geral, é uma sobrevivente resistente e, por isso, tem uma cápsula protetora à sua volta. Estas cápsulas são compostas por diferentes tipos de camadas de açúcar que a bactéria utiliza para se esconder e escapar ao nosso sistema imunitário, além de resistir a outras pressões ambientais.

E foi aí que os investigadores se depararam com um novo desafio no estudo: descobriram que havia mais variação neste sistema de proteção do que tinham imaginado. “Descobrimos 90 variantes diferentes destas cápsulas protetoras na bactéria E. coli. Apenas um terço delas era conhecido anteriormente”, afirma Gladstone.

No entanto, em países como a Noruega, existem algumas variantes que são responsáveis ​​por metade das infeções urinárias e das infeções da corrente sanguínea. Estas variantes, por sua vez, causam muitas das infeções em que a bactéria é resistente, ou seja, resiste a pelo menos um tipo de antibiótico.

“As duas cápsulas mais comuns, a K1 e a K5, imitam as proteínas revestidas de açúcar humanas presentes na superfície das nossas células. Por isso, não podem ser utilizadas diretamente nas vacinas. Para as bactérias que possuem estes dois tipos de cápsulas, precisamos de encontrar outras características da bactéria para que a vacina seja direcionada para elas”, explica Gladstone.

“Isto significa que não podemos desenvolver uma única vacina que funcione contra todas as bactérias E. coli. Muito provavelmente, teremos de concentrar os nossos esforços nos tipos que causam infeções com maior frequência e naqueles que levam às infeções mais graves.”

No futuro, corremos o risco de ficar sem tratamento para as infeções urinárias e outras se as bactérias se tornarem resistentes a todos os antibióticos que salvam vidas. “Além das vacinas, também precisamos de trabalhar no desenvolvimento de diagnósticos rápidos. Será também importante encontrar métodos para matar as bactérias sem recorrer a grandes quantidades de antibióticos de largo espectro”, afirma Gladstone.

Crédito imagem: Unsplash

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