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O seu relógio e o seu telemóvel sabem se está stressado

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O stress é aquele incómodo ruído de fundo da vida moderna. A Organização Mundial de Saúde alerta que os problemas de saúde mental são agora a principal causa de incapacidade na Europa e, embora a capacidade humana de se preocupar com coisas que ainda nem sequer aconteceram seja impressionante, detetar quando essa preocupação se torna patológica é extremamente importante. É isso que promete um novo estudo.

Liderado pela Universidade Politécnica de Madrid (UPM) e pelo King’s College London (KCL), o trabalho desenvolveu um método para medir o stress sem recorrer a dispositivos complexos ou invasivos. Até então, a obtenção de dados fiáveis ​​envolvia frequentemente a ligação do paciente a fios, cintas torácicas e elétrodos para registar diversas variáveis ​​fisiológicas. A desvantagem era clara: avaliar o estado de calma de uma pessoa através de um sistema de monitorização complexo pode, paradoxalmente, alterar o que se pretende medir.

A investigação, publicada na revista Biomedical Signal Processing and Control, aborda este equilíbrio entre a precisão do algoritmo e a intrusão do dispositivo na vida quotidiana. Os investigadores, do grupo KNOwledge Discovery and Information Systems da Escola Técnica Superior de Engenharia de Sistemas de Computação (ETSISI), analisaram dados fisiológicos e comportamentais obtidos a partir de três fontes: telemóveis (baixa intrusão), smartwatches (ou dispositivos wearable de pulso – intrusão média) e cintas torácicas (intrusão elevada).

Os resultados são uma ótima notícia para quem usa um smartwatch. O estudo concluiu que os dispositivos de pulso representam o equilíbrio perfeito. Utilizando modelos avançados de aprendizagem profunda, os investigadores conseguiram classificar os níveis de stress com precisão entre 98% e 100%.

A descoberta surpreendente, e esta é a chave para o sucesso do estudo, é que o cérebro digital mais complexo nem sempre é necessário. Para os dados obtidos a partir de telemóveis, os modelos clássicos de aprendizagem automática (mais simples e leves) tiveram um desempenho quase tão bom como as redes neuronais mais complexas, atingindo 77% de precisão. “Isto sugere que o seu telemóvel pode dizer-lhe se precisa de férias simplesmente com base na forma como o utiliza, sem a necessidade de sensores biométricos, o que é extremamente útil para estudos populacionais em grande escala”, revela o trabalho.

A equipa identificou também uma descoberta relevante: em alguns casos, avaliar o estado fisiológico num momento específico utilizando dados agregados simples (como a frequência cardíaca média num minuto) é mais eficaz do que analisar a sequência completa de cada batimento cardíaco.

Como comenta o investigador da UPM, Alberto Díaz-Álvarez, “este trabalho abre as portas a sistemas de saúde inteligentes que sejam, acima de tudo, suportáveis. Porque, no final do dia, o objetivo é cuidar da nossa saúde mental com dispositivos que sejam companheiros silenciosos, e não intrusos que nos lembrem constantemente que estamos a ser observados”.

Crédito imagem: Unsplash

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