
Não é de hoje que se diz que uma boa personalidade ajudar a ter sucesso. Mas será que pode também proteger contra o risco de doenças? Um novo estudo diz que sim.
Publicado na revista da Sociedade Norte-Americana de Menopausa, o trabalho revela que ter traços positivos de personalidade, como ser otimista, podem de facto ajudar a reduzir o risco de desenvolver diabetes tipo 2.
São milhões os que, no mundo, sofrem com diabetes, sendo mais comum o tipo 2. Só em Portugal, estima-se que afete mais de um milhão de pessoas.
Obesidade, história familiar da doença, raça e inatividade física são os principais fatores de risco, mas parece que não são os únicos.
A evidência confirma que a depressão e o cinismo também estão ligados a um aumento do risco de diabetes. A estes juntam-se níveis elevados de hostilidade, que têm sido associados a níveis elevados de glicose em jejum, resistência à insulina e diabetes.
Poucos foram, no entanto, os estudos que investigaram a associação das características de personalidade potencialmente protetoras do risco de diabetes. É isso mesmo que este pretende.
Ser otimista compensa
Verificar se os traços de personalidade, incluindo o otimismo, negatividade e hostilidade, estão associados ao risco de desenvolver diabetes tipo 2 em mulheres na pós-menopausa foi o objetivo do estudo, que acompanhou 139.924 mulheres pós-menopáusicas, que não tinham diabetes no início do trabalho. Catorze anos depois, foi possível identificar 19.240 casos de diabetes tipo 2.
Comparações feitas, verificou-se que as mulheres mais positivas tiveram um risco 12% menor de diabetes, face às menos otimistas.
Não só o otimismo parece ter aqui influência, mas também a expressividade emocional negativa ou hostilidade: níveis mais elevados destas características estavam associados a um risco 9% e 17% superior de diabetes.
Prevenção adequada à personalidade
A conclusão é, para os investigadores, simples: níveis baixo de otimismo e elevados de negatividade e hostilidade estão relacionados com o aumento do risco de diabetes em mulheres na pós-menopausa, independentemente dos principais comportamentos de saúde e sintomas depressivos.
“Os traços de personalidade permanecem estáveis ao longo da vida; por isso, as mulheres com maior risco de diabetes, que têm otimismo reduzido e elevados níveis de negatividade e hostilidade, podem ter estratégias de prevenção adaptadas aos seus tipos de personalidade”, explica Joann Pinkerton, diretora executiva da Sociedade Norte-Americana de Menopausa.
“Para além de podemos usar os traços de personalidade para nos ajudar a identificar as mulheres com maior risco de desenvolver diabetes, podemos também usar mais educação individualizada e estratégias de tratamento”, acrescenta.