O coração começa a acelerar, o peito é invadido por dor, a respiração falha. Os sinais preocupam, mas resta a dúvida: serão estes indicadores de um ataque cardíaco ou de um ataque de pânico?

“Qualquer um desses sintomas pode ser extremamente assustador”, afirma em comunicado Patricia Tung, especialista da Divisão de Medicina Cardiovascular do Beth Israel Deaconess Medical Center, um hospital universitário norte-americano.

No entanto, e embora partilhem várias semelhanças, são dois problemas que resultam de processos muito diferentes. De um lado os ataques de pânico, que surgem quando as hormonas do stress desencadeiam uma resposta de “luta ou fuga” no organismo, que tem sobretudo como resultado a aceleração do coração, dor no peito e falta de ar; do outro o ataque cardíaco, consequência de um bloqueio numa artéria coronária, que pode ter os mesmos sintomas.

“Dor no peito, batimentos cardíacos rápidos e falta de ar podem surgir quando uma quantidade insuficiente de sangue atinge o músculo cardíaco”, explica Tung. 

Uma das principais diferenças entre os dois é que um ataque cardíaco costuma desenvolver-se durante um esforço físico, enquanto um ataque de pânico pode ocorrer em repouso.

O mais provável é, reforça a especialista, que um ataque cardíaco se desenvolva quando a carga de trabalho do coração aumenta. Por exemplo, quando uma pessoa está a subir um lance de escadas, sobretudo se não praticar exercício físico regular.

Outra diferença é a duração: os ataques de pânico tendem a diminuir gradualmente e a resolver-se sozinhos em cerca de 20 minutos; um ataque cardíaco, no entanto, tende a piorar com o tempo.

Em caso de dúvida, o melhor mesmo é procurar atendimento médico imediato. Nas mulheres, os sintomas de ataque cardíaco podem ser mais leves e incluir fadiga incomum e desconforto no peito, em vez de dor. É importante, por isso, não minimizar os sintomas, pois a situação pode escalar rapidamente. 

Ataque de pânico ou ataque cardíaco?

No caso do ataque cardíaco, os sintomas costumam ser dor e pressão no peito, com início repentino durante ou após a atividade física (ou seja, subir escadas ou uma atividade mais intensa), dor que irradia para o braço, mandíbula ou omoplatas, com sintomas que pioram com o tempo. É comum também a falta de ar, um quase desmaio, suor, náuseas e vómitos.

No caso do ataque de pânico, é costume sentir-se a frequência cardíaca aumentada ou acelerada, com início súbito ou surgindo em momentos de stress ou ansiedade extremos, uma dor que melhora com o tempo, sendo que os sintomas costumam desaparecer dentro de 20 a 30 minutos. Falta de ar, suor e formigueiro nas mãos costumam ser também sinais.