Os cuidadores de pessoas com demência perdem entre 2,5 a 3,5 horas de sono por semana devido à dificuldade em adormecer, uma situação que não só os prejudica, mas tem também um impacto negativo nos cuidados que prestam.

Quem diz é um grupo de investigadores da Universidade Baylor, nos EUA, que garante que intervenções simples e de baixo custo pode melhorar o sono destes cuidadores.

A avaliação feita a 35 estudos, com dados de 3.268 cuidadores, foi publicada no JAMA Network Open, uma publicação da American Medical Association, que confirma que cuidar informalmente de uma pessoa com demência é o mesmo que adicionar um emprego em part time, não remunerado, à vida dos cuidadores, com uma média de 21,9 horas de cuidados, segundo estimativas da Associação de Alzheimer.

“Perder 3,5 horas de sono por semana não parece muito, mas os cuidadores sentem muitas vezes a acumulação das perda de sono ao longo dos anos”, explica Chenlu Gao, especialista em Psicologia e Neurociências da Faculdade de Artes e Ciências de Baylor.

“Perder 3,5 horas semanais de sono, para além de todo o stress, pesar e tristeza, pode ter um impacto muito forte na cognição dos cuidadores e na sua saúde mental e física.”

No entanto, acrescenta, “melhorar a qualidade do sono através de intervenções comportamentais de baixo custo pode melhorar significativamente as suas funções e qualidade de vida”.

Solução simples para melhorar o sono

O stress crónico está associado a um sono mais curto e à má qualidade do mesmo. E despertares noturnos causados por uma pessoa com demência podem também contribuir para o sono perturbado dos cuidadores, referem os investigadores.

“Com essa perda extra de sono, um cuidador pode-se esquecer de alguma dose de medicamentos ou reagir de uma forma mais emocional”, refere o coautor do estudo, Michael Scullin, diretor do Laboratório de Neurociências e Cognição da Baylor.

“Os cuidadores são algumas das pessoas mais inspiradoras e trabalhadoras do mundo, mas a perda de sono acaba por se acumular a um nível que diminui a vigilância e a capacidade de realizar várias tarefas ao mesmo tempo.”

Mas nem tudo são más notícias. Um sono mais descansado foi conseguido quando seguidos alguns conselhos simples, como estabelecer uma rotina regular e relaxante para dormir ou praticar exercícios físicos moderados.

Sono comprometido nos que cuidam de pessoas com demência

Para esta análise, os investigadores procuraram artigos em revistas científicas e livros, dirigidos a cuidadores, sono, demência e doença de Alzheimer, publicados até junho de 2018. Estudos que mediram a qualidade e quantidade do sono, monitorizando a atividade elétrica cerebral, os movimentos corporais e tendo por base auto-relato dos cuidadores.

A diferença de tempo e qualidade de sono foi significativa quando comparada com não cuidadores da mesma faixa etária e com o mínimo recomendado de sono: sete horas noturnas para adultos.

Resultados que levam os especialistas a recomendar, tendo em conta “as consequências a longo prazo, potencialmente cumulativas, da má qualidade do sono, bem como a crescente necessidade de cuidadores de demência em todo o mundo, que os médicos considerem intervenções de sono não apenas para o doente, mas também para o cônjuge, filho ou amigo que o tem a seu cuidado”.