Uma vacina personalizada contra o cancro, desenvolvida com a ajuda de uma plataforma computacional do Mount Sinai, nos EUA, não gerou questões de segurança e mostrou um potencial benefício para doentes com diferentes tipos de cancro, incluindo o do pulmão e da bexiga, que têm um risco alto de recorrência, mostram os dados de um ensaio clínico de fase I que se encontra a decorrer.

“Embora a imunoterapia tenha revolucionado o tratamento do cancro, a grande maioria dos doentes não tem uma resposta clínica significativa com esses tratamentos”, refere o autor do estudo, Thomas Marron, diretor de Fase Inicial e Ensaios de Imunoterapia do The Tisch Cancer Institute e professor assistente de Medicina (Hematologia e Oncologia Médica) na Escola de Medicina Icahn, em Monte Sinai.

“As vacinas contra o cancro normalmente combinam alvos específicos do tumor que o sistema imunológico pode aprender a reconhecer e atacar para prevenir a recorrência. A vacina contém também um adjuvante que prepara o sistema imunológico para maximizar a eficácia.”

Para gerar uma vacina personalizada contra o cancro, Marron e os seus colegas sequenciaram o ADN do tumor e da linha germinativa e o RNA do tumor de cada doentes, tendo ainda identificado o alvo específico do tumor do doente para ajudar a prever se o seu sistema imunológico reconheceria os alvos da vacina.

Após qualquer tratamento padrão para o cancro, como cirurgia para tumores sólidos ou transplante de medula óssea para mieloma múltiplo, os doentes receberam 10 doses da vacina personalizada durante um período de seis meses.

“A maioria das vacinas experimentais personalizadas contra o cancro são administradas no cenário metastático, mas investigações anteriores indicam que as imunoterapias tendem a ser mais eficazes em pessoas que apresentam menos disseminação do tumor”, explica Nina Bhardwaj, diretora do Programa de Imunoterapia.

“Portanto, desenvolvemos uma vacina neoantígena que é administrada após a terapia adjuvante padrão, quando os doentes apresentam doença residual mínima – tipicamente microscópica.”

Antes da vacina, os participantes do estudo apresentavam uma probabilidade alta de recorrência da doença. Treze deles receberam a vacina, 10 com diagnóstico de tumor sólido e três com mieloma múltiplo.

Após um acompanhamento médio de 880 dias, quatro não apresentavam ainda evidências de cancro, quatro estavam a receber linhas de terapia subsequentes, quatro morreram e um optou por não continuar o estudo. A vacina foi bem tolerada, com cerca de um terço a desenvolver reações menores no local da injeção.

O objetivo principal de um estudo de fase 1 é determinar a segurança de um tratamento experimental, o que foi alcançado neste estudo. Os investigadores viram também os potenciais benefícios da vacina, depois de os exames de sangue de um dos pacientes ter mostrado uma resposta imunológica da vacina, e dois outros terem apresentado uma resposta robusta à imunoterapia.