Tendo em conta a situação extrema de saúde pública e a pressão a que o Serviço Nacional de Saúde tem sido sujeito, com uma sobrecarga sem precedentes, a Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) considera “ser dever das autoridades a organização dos serviços no sentido de garantirem a prestação de cuidados e de assistência aos doentes com COVID-19, mas também aos doentes que sofrem de outras patologias. Deve também ser dever das autoridades a garantia de segurança e de condições de trabalho dos profissionais de saúde”.

Em comunicado, a SPP confirma que, “ao longo das últimas semanas, face à enorme pressão que os hospitais têm vindo a sofrer, várias situações foram reportadas dando conta de cenários indesejáveis, de doentes internados em condições impróprias e sem a abordagem terapêutica considerada adequada”.

E continua, reforçando que “o facto de a Pneumologia ser uma das especialidades de primeira linha na resposta à COVID-19, implica por vezes o preenchimento dos internamentos adstritos apenas, ou de forma preferencial, aos serviços de Pneumologia, levando a que os doentes com patologia respiratória crónica sejam internados sem a assistência da especialidade responsável”.

A SPP reforça o alerta para “uma menor disponibilidade de recursos, quer a nível dos cuidados primários de saúde, quer a nível hospitalar”, que leva “inevitavelmente a que os doentes respiratórios crónicos não tenham o seguimento apropriado e que os doentes com apresentação da doença não tenham um diagnóstico atempado, circunstância que poderá ser dramática no contexto de doenças que necessitam de um diagnóstico precoce sob pena de os doentes não terem benefício de terapêuticas mais eficazes por se encontrarem em fases mais avançadas da doença”.

“Esta situação será apenas contrariada, no contexto dramático em que nos encontramos, com uma organização racional e eficaz dos vários recursos existentes.”

Por outro lado, conclui, “têm sido igualmente reportadas situações em que os médicos pneumologistas e os restantes trabalhadores de saúde são colocados de forma arbitrária em enfermarias com um ratio/doente extremamente elevado, não podendo disponibilizar os melhores cuidados de saúde, para além da necessidade da organização de equipas multidisciplinares dado os doentes internados com infeção COVID-19 terem em número considerável de várias outras comorbilidades, com necessidade de serem abordadas pela especialidade em causa”.

“Refira-se ainda, que a integridade dos trabalhadores de saúde e das suas famílias não pode ser colocada em causa por falta de material de proteção necessário para a execução de atos médicos no contexto da atual pandemia, continuando a serem reportadas situações deste género, para além de se manter um número excessivamente elevado de infeções por SARScov-2 nos profissionais de saúde.”