Estudo investiga se a capacidade do sistema imunitário combater vírus muda com as estações

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Ainda não terminou, mas um estudo inovador, que se encontra a investigar se a resposta imunitária do corpo às infeções causadas por doenças e vírus, como a COVID ‐ 19, muda consoante as estações do ano, já fez descobertas importantes. 

As descobertas iniciais mostram que um subconjunto de glóbulos brancos, que desempenham um papel fundamental na resposta do sistema imunitário, é elevado em determinadas horas do dia, o que indica que o sistema responde de forma diferente em diferentes horas do dia.

Verificou-se, por exemplo, que as células B, que produzem anticorpos, estavam elevadas à noite.

O impacto das estações no ritmo destas células sanguíneas ainda não é claro, mas as conclusões deste estudo serão importantes para ajudar a identificar a melhor época do ano para administrar vacinas e se as vacinas devem ser administradas em determinados momentos do dia, por forma a aumentar a sua eficácia.

Especialistas da Universidade de Surrey, em Inglaterra, juntaram-se a colegas da Universidade de Columbia, para recolher amostras de sangue, fezes e urina de voluntários durante os solstícios de inverno e verão e os equinócios da primavera e do outono.

Durante as visitas, os voluntários permaneceram no laboratório durante três dias, em salas com temperatura e luz controladas, permitindo aos investigadores avaliar os seus sistemas imunitários e ritmos circadianos (ritmos internos naturais dos processos biológicos) e verificar se estes mudam de estação para estação.

Os especialistas estavam particularmente interessados ​​no número e na funcionalidade das células imunitárias dos voluntários, nos seus padrões de sono e nos seus metabolitos e hormonas.

Que impacto podem ter as estações do ano?

Sabe-se que mudanças sazonais no sistema imunitário podem desempenhar um papel na sazonalidade das doenças infecciosas. Por exemplo, dos quatro coronavírus humanos identificados, descobriu-se que três têm sido afetados pela sazonalidade do inverno.

Por isso, os investigadores acreditam que, quanto mais entendermos sobre a forma como o nosso corpo responde a diferentes doenças infecciosas durante as diferentes estações do ano, mais bem equipados estaremos para lidar com elas.

Micaela Martinez, professora assistente de ciências da saúde ambiental na Universidade de Columbia, e investigadora principal, considera que “conhecer as vulnerabilidades do nosso corpo a doenças e vírus ao longo do ano pode melhorar a vigilância de doenças e informar sobre o momento para realizar as campanhas de vacinação que nos ajudarão a erradicar essas infeções”.

Porque, reforça Debra Skene, professora de neuroendocrinologia da Universidade de Surrey e membro da equipa por detrás do estudo, “muitas doenças infecciosas ocorrem em diferentes épocas do ano, o que pode indicar que as nossas respostas fisiológicas dependem da mudança na duração do dia (fotoperíodo) que ocorre nas diferentes estações do ano”.

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