O impacto da solidão na expectativa de vida dos mais velhos e na sua saúde foi categoricamente quantificado pela primeira vez, num estudo que confirma que a solidão pode, de facto, matar.

No estudo, realizado por cientistas da Duke-NUS Medical School, em Singapura e da Nihon University, no Japão e publicado na revista científica Journal of the American Geriatrics Society, descobriu-se que “os adultos solitários mais velhos podem esperar viver uma vida mais curta do que os seus pares que não se veem como solitários”, resumiu Rahul Malhotra, principal autor do estudo.

“Além disso, eles pagam um preço por terem uma vida mais curta, perdendo ainda anos potenciais de boa saúde.”

Angelique Chan, autora sénior do trabalho, considera que, “além de ser o ano associado ao despontar do novo coronavírus, 2019 foi também o ano em que o número de adultos com mais de 30 anos passou a representar metade da população global total pela primeira vez na história, marcando o início de um mundo cada vez mais envelhecido. Em consequência, a solidão entre os idosos tornou-se um problema de preocupação social e de saúde pública”.

Uma preocupação que, segundo o coautor sénior do estudo, Yasuhiko Saito, se agravou ainda mais devido “às medidas de distanciamento físico e de permanência em casa instituídas desde o início da COVID-19, que intensificaram a preocupação com o bem-estar físico e mental dos idosos”.

De acordo com o estudo, a solidão tem consequências físicas reais. Os resultados mostram que as pessoas com 60 anos que entendem ser solitárias podem esperar viver entre três a cinco anos a menos, em média, do que os seus pares que não sofrem deste mal.

Da mesma forma, aos 70 e 80 anos de idade, as pessoas solitárias podem, em média, esperar viver três a quatro e dois a três anos a menos, respetivamente, em comparação com os seus pares não solitários.

Usando o mesmo conjunto de dados, os investigadores descobriram que a perceção da solidão tem um impacto semelhante em dois tipos de expectativa de saúde: nos anos restantes de vida vividos num estado autoavaliado de boa saúde e nos anos restantes de vida vividos sem limitação das atividades da vida diária, que incluem rotinas como tomar banho e vestir-se, levantar-se ou deitar-se na cama ou cadeira e preparar as refeições.

Aos 60 anos, os idosos que são ocasional ou maioritariamente solitários podem esperar passar, em média, menos entre três a cinco anos da sua vida restante sem limitações nas atividades da vida diária. Aos 70 anos, a sua expectativa de vida ativa reduz-se em dois a quatro anos; aos 80 anos, cai entre um a três anos.

“As nossas descobertas recentes destacam o impacto da solidão na saúde da população e a importância de identificá-la e geri-la entre os adultos mais velhos”, refere Malhotra. 

“Com os idosos a correrem um risco potencialmente maior de solidão como resultado das medidas de controlo da pandemia, tem havido um interesse crescente nas políticas de solidão em todo o mundo”, afirma Chan.

“Em 2018, o Reino Unido lançou uma estratégia nacional para combater a solidão e, em 2021, o Japão nomeou um ‘Ministro da Solidão’. Esperamos que este estudo ajude a galvanizar mais políticas para combater a solidão entre os idosos.”