É o distúrbio nutricional mais comum no mundo, com uma prevalência particularmente alta em pessoas com doenças cardiovasculares. Isto porque, sabe-se agora, a deficiência de ferro afeta também os vasos sanguíneos. 

A garantia é dada por um novo artigo, publicado por especialistas da Universidade de Oxford, que descreve a forma como a falta de ferro afeta os vasos sanguíneos, sobretudo os do pulmão.

Há algum tempo que se sabe que a deficiência de ferro, também conhecida como ferropénia, predispõe à hipertensão arterial pulmonar (HAP), problema onde os vasos sanguíneos dos pulmões são restritos e remodelados, pressionando o lado direito do coração.

Uma situação que se pensava ser causada por anemia, que teria a ferropénia como mecanismo subjacente. Ou seja, a única atenção dada à deficiência de ferro no cenário clínico tem sido, pelo menos até agora, no contexto da correção da anemia.

No entanto, os especialistas envolvidos neste trabalho mostraram que a deficiência de ferro dentro dos tecidos, como o coração, é suficiente para causar doença mesmo na ausência de anemia. Ou seja, Lakhal-Littleton, investigadora da Universidade de Oxford, e a sua equipa conseguiram provar que a deficiência de ferro está, de facto, associada, e de forma isolada, às doenças cardíacas.

Uma investigação que, garante Lakhal-Littleton tem, por isso mesmo, “o potencial de alterar a forma como os doentes com hipertensão arterial pulmonar são tratados”, justificando a administração de ferro, “mesmo quando estes não são anémicos, uma vez que o alvo deixou de ser a anemia, mas a ferropénia dentro dos tecidos”.