Diz-se que ajudam a manter a forma, a perder gordura e reter a massa muscular magra. Por isso, muitos são os que têm substituído, na sua alimentação, os hidratos de carbono por proteína. No entanto, há agora um novo estudo que pede cuidado com as dietas ricas em proteína, em nome da saúde dos rins.

Kamyar Kalantar-Zadeh, Holly M. Kramer e Denis Fouque, especialistas em nutrição renal, são as vozes que se levantam, considerando necessário questionar a crença de que a dieta proteica faz bem à saúde.

“Podemos economizar calorias, mas podemos também arriscar a saúde dos nossos rins.”

A promessa de perda de peso é o motivo pelo qual uma dieta rica em proteínas é frequentemente recomendada para pessoas que sofrem de diabetes ou que são obesas.

Mas o cerne da questão é que estes grupos de pessoas são especialmente vulneráveis ​​aos efeitos prejudiciais que uma elevada ingestão de proteínas provoca nos rins.

“Uma dieta rica em proteínas induz a hiperfiltração glomerular (um indicador importante para deteção, avaliação e tratamento da doença renal crónica) que, de acordo com nosso estado atual de conhecimento, pode aumentar uma doença renal crónica pré-existente de baixo grau”, explica Fouque, ex-presidente do Grupo de Trabalho Europeu em Nutrição Renal.

“Para resumir: recomendar uma dieta rica em proteínas a uma pessoa com diabetes ou com excesso de peso pode realmente resultar em perda de peso, mas também em grave perda da função renal. Teremos um, mas também o outro.”

Impacto direto nos rins

Tendo em conta o número crescente de pessoas afetadas pela diabetes tipo 2 e o facto de pelo menos 30% destas pessoas sofrem de uma doença renal crónica subjacente, os especialistas acreditam que é mais do que tempo de a população com diabetes e o público em geral serem avisados.

“Ao aconselhar as pessoas – sobretudo aquelas com alto risco de doença renal crónica, ou seja, com diabetes, obesas, com rim solitário e provavelmente até idosos – a seguir uma dieta rica em proteínas, estamos a tocar o sino da morte para a sua saúde renal e a aproximá-los da necessidade de terapia de substituição renal”, refere Fouque.

É o que partilha, com os colegas, num artigo publicado recentemente, com base na análise de um grupo de pessoas holandesas, que mostrou uma associação estritamente linear entre a ingestão diária de proteínas e o declínio da função renal. Quanto maior a ingestão, mais rápido o declínio.

O resultado de um estudo epidemiológico, realizado na Coreia do Sul, aponta na mesma direção: pessoas com maior ingestão de proteínas tiveram um risco 1,3 maior de perda mais rápida da função renal.

A descoberta em si não é nova. Muitos estudos anteriores demonstraram que uma dieta rica em proteínas pode prejudicar a função renal, e é por isso que as pessoas com uma doença renal crónica conhecida em estágio inicial são recomendadas pelos nefrologistas a seguir uma dieta pobre em proteínas.

No entanto, como Fouque e os colegas referem, o problema são as pessoas que têm uma doença renal crónica ligeira que desconhecem totalmente e seguem a tendência de comer uma dieta rica em proteínas porque acreditam que é saudável.

“Essas pessoas não sabem que estão a seguir a via rápida para a insuficiência renal irreversível”, refere Fouque, que manifesta o seu desejo de iniciar uma campanha de informação e aumentar a consciencialização sobre o problema entre a população em geral.

“É essencial que as pessoas saibam que existe um outro lado das dietas ricas em proteínas e que a doença renal incipiente deve sempre ser excluída antes de alguém mudar os hábitos alimentares e adotar uma dieta rica em proteínas.”