Ao contrário das mulheres, os homens que moram sozinhos há vários anos, lidando com a solidão, e que sofreram vários fins de relacionamentos enfrentam maiores riscos para a saúde. A garantia é dada em forma de estudo, que vem da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca.

“Quer seja viver sozinho durante mais de seis anos, ou enfrentar dois ou mais fins de relações aumentam o risco de inflamação nos homens, mas não nas mulheres”, explica o professor Rikke Lund, do Departamento de Saúde Pública, principal autor do estudo.

“Aqui a inflamação refere-se à irritação crónica do tecido e não a condições causadas por vírus ou bactérias. E, também aqui, os homens são especialmente vulneráveis. Precisamos de considerar a introdução de iniciativas especiais voltadas para homens que sofram separações ou vivam em solidão por um período de anos.” 

Os investigadores acompanharam 4.835 homens e mulheres dinamarqueses de meia-idade durante um período de mais de 20 anos. Os seus níveis de inflamação foram medidos em 2009-2011, quando os participantes tinham 50-60 anos.

“A irritação crónica do tecido no corpo está associada a várias doenças, incluindo arteriosclerose, demência e aumento da mortalidade. Também sabemos que um aumento menor, mas de longo prazo, da proteína C-reativa está associado ao aumento do risco de doença cardiovascular, e esse aumento também é observado neste grupo de homens”, refere Rikke Lund.

Os especialistas identificaram ainda uma relação entre a solidão de morar sozinho ou ter sofrido vários desgostos amorosos e divórcios e a inflamação ligeiramente aumentada em homens depois de tido em consideração uma série de fatores como idade, nível de educação, personalidade, doença, inflamação aguda e grandes eventos negativos durante a infância.

O preço da solidão

O fim da relação pode ser evitado, aliviando alguns dos maiores riscos para a saúde, mas os resultados do estudo não significam que a pessoa deve ficar com o parceiro a qualquer custo, enfatiza Rikke Lund, pois estudos anteriores mostram claramente que relacionamentos difíceis também podem prejudicar a saúde.

Grande parte da população dos países mais ricos vive sozinha, e muitos estão bem porque têm outros contactos sociais. No entanto, as pessoas que vivem sozinhas têm um risco aumentado de solidão.

Por isso, os especialistas consideram necessário o estabelecimento de relações sociais, mesmo em sociedades onde muitas pessoas vivem sozinhas, para evitar a solidão.