Muitas vezes, o cansaço diário é justificado pela preguiça e acumulação de obrigações do dia a dia. Contudo, Fabiano de Abreu, neurocientista luso-brasileiro, considera que a “falta de vontade” está relacionada com uma condição genética. “Ao contrário do que muitos pensam, não estamos mais cansados porque fazemos mais coisas. Na realidade, pensamos mais e fazemos menos, estamos fatigados devido a uma disfunção relacionada à ansiedade”, explica.

“A minha teoria mostra que o ser humano burla a sua identidade genética e, neste momento, sofre as consequências disso”, revela, referindo-se ao estudo publicado recentemente na revista científica internacional Brazilian Journal of Development.

Estamos “viciados” em dopamina, que é uma hormona neurotransmissora que influencia o nosso humor, está relacionada com a recompensa. Procuramos sempre aumentar a sua produção, mas sem fazer esforço para a alcançar. Esse ciclo leva a um descontrolo dessa hormona ou a forçar a sua produção por introdução medicamentosa. Por isso, há tantos casos de síndromes, transtornos de ansiedade, depressão, e claro, o cansaço.”

Fabiano de Abreu reitera ainda que, além da sobrecarga mental, as consequências dessa “busca pela recompensa” podem afetar também a parte física.

“O excesso de ansiedade sobrecarrega o corpo com hormonas de stress, como o cortisol, por exemplo. O cortisol é um regulador do stress, já que é a hormona responsável por manter a nossa imunidade e eliminar o que está errado no nosso organismo. Esse esforço constante em combater o stress exige um gasto de energia que leva à fadiga, já que o corpo está desprovido de energia. O stress constante leva à fadiga crónica. A ansiedade sobrecarrega o corpo, ocasionando a exaustão.”

Fabiano de Abreu revela que “o melhor remédio para combater essa doença, que pode levar, inclusive, à morte prematura, são os hábitos, que podem passar pela alimentação até à rotina de organização, com exercício físico, bem como metas alcançáveis, lazer, interação com outras pessoas e outros”.