Com a despesa em saúde a aumentar, uma inevitabilidade que resulta do envelhecimento da população e das doenças que o acompanham, conceitos como sustentabilidade e desperdício ganham um novo significado. E protagonismo. É aqui que entram os genéricos, medicamentos que, nos últimos 15 anos, proporcionaram uma poupança nacional de quatro mil milhões de euros.

O número foi avançado por Paulo Lilaia, presidente da Associação Portuguesa de Medicamentos Genéricos e Biossimilares (APOGEN), na celebração dos 15 anos de vida da organização. Mas não foi o único. O responsável acrescentou ainda que, se tudo correr como esperado, entre 2018 e 2020 o potencial de poupança vai além dos 300 milhões, apenas com os genéricos.

A estes juntam-se os biossimilares, que irão permitir juntar a este valor outros 100 milhões. Ao todo, a poupança estimada ultrapassa os 400 milhões.

“Não há espaço para o supérfluo e para o desperdício”, afirma. “É fundamental ter soluções alternativas, com custos que se possam assumir”, acrescenta, reforçando que os serviços de saúde têm que disponibilizar “mais e melhores serviços”, que podem ser garantidos pelos genéricos e biossimilares.

Mais poupança no futuro

O objetivo para os próximos anos é continuar a promover o uso destes medicamentos, alternativas comprovadamente seguras e muito menos dispendiosas. Embora a quota nacional de medicamentos genéricos , em unidades, tenha atingido um valor recorde no primeiro trimestre deste ano (48,2%), o potencial de crescimento é ainda grande, confirma Paulo Lilaia. 

“Podemos atingir, em Portugal, até 65% de quota máxima, mas nos últimos anos temos assistido a uma tendência de estagnação”, que é preciso combater, reforça o especialista. “Temos razões mais do que suficientes para sermos mais racionais no consumo de medicamentos.”

Custos com medicamentos a subir

Um dos convidados das celebrações dos 15 anos  da APOGEN, António Melo Gouveia, diretor dos Serviços Farmacêuticos do IPO de Lisboa, não escondeu que é defensor dos medicamentos genéricos. E a poupança que estes medicamentos já permitiram e continuam a permitir gerar são motivos que os justificam. 

“Nos últimos 14 anos, os custos com medicamentos no IPO Lisboa aumentaram 80%”, explica, recordando que o investimento em saúde não tem acompanhado este crescimento. “Como resolvemos isto? Como tratamos os doentes? Temos que usar protocolos clínicos adequados, muito rigor na gestão e aproveitar todas as oportunidades.” E os genéricos são uma delas.

“E se não houvesse genéricos”, questiona o especialista, que responde com números e exemplos. Um deles refere-se a um medicamento que, quando não tinha alternativa genérica, custava 70€ por comprimido. “Em 2013, quando apareceu o genérico, o preço desceu de 70 para 1. Literalmente, de 70€ para 1€.”

O especialista não tem dúvidas em relação à segurança e eficácia dos genéricos. “Se a Agência Europeia de Medicamentos diz que são seguros, se se consegue, com dados de vida real, com outros estudos, confirmar isso, sinto-me tranquilo.” E também não tem dúvidas que “se um grupo relevante de medicamentos não tiver genéricos, tornam-se num fator de insustentabilidade”.