Seria capaz de deixar que um minúsculo robô viajasse pelo seu sistema nervoso para o tratar com medicamentos? A resposta poderá ter tendência ser, por enquanto, negativa, mas no futuro estes podem integrar um arsenal avançado de tecnologias à disposição dos médicos. Um novo estudo é o primeiro a investigar como os minúsculos robôs podem funcionar enquanto veículos de entrega de medicação no tecido neural. 

As doenças do sistema nervoso central podem ser difíceis de tratar. “A distribuição de medicamentos por via oral ou intravenosa, por exemplo, para combater cancro ou doenças neurológicas, pode afetar regiões do corpo e do sistema nervoso não relacionadas com a doença”, explica Lamar Mair, da Weinberg Medical Physics, uma empresa de dispositivos médicos com sede nos Estados Unidos e um parceiro industrial do estudo.

“A distribuição direcionada do medicamento pode levar a uma eficácia melhorada e efeitos secundários reduzidos devido a uma dosagem mais baixa fora do alvo”, acrescenta.

E uma forma de o conseguir é através de pequenos robôs que levam os medicamentos a locais específicos. Embora esta tecnologia esteja ainda na sua infância, os investigadores desenvolveram vários tipos de micro ou mili-robôs que poderiam vir a cumprir esse objetivo.

O maior problema está em controlar a sua atividade enquanto viajam através dos tecidos do corpo. Os campos magnéticos são uma forma particularmente promissora de o permitir, uma vez que não são influenciados pelos tecidos e tendem a ser muito seguros.

Este é o poder por detrás dos MANiACs, minúsculos robôs que, em teoria, podem circular com segurança pelo corpo em resposta a um campo magnético aplicado externamente, com o objetivo de atraí-los para um local-alvo para a administração do medicamento.

A equipa de pesquisa que os está a estudar queria testar os seus robôs de software MANiAC sob as condições que eles podem experimentar no corpo, o que inclui a arquitetura ondulante e tortuosa do sistema nervoso, com fluido cerebrospinal e encostas íngremes.

Os testes foram feitos com animais, em laboratório, e permitiram confirmar que estes robôs são capazes de escalar com sucesso encostas íngremes de até 45 graus e moveram-se rio acima contra um fluxo de fluido semelhante ao que encontrariam no sistema nervoso. 

“A capacidade de voltar e levar doses de medicamento a regiões que receberam dose insuficiente no tratamento inicial é significativa”, refere David Cappelleri, da Purdue University, também envolvido no estudo.

“Estes resultados são muito preliminares e altamente experimentais, mas acreditamos ter demonstrado fortes evidências de que os micro-robôs pequenos, macios e baseados em cápsulas têm potencial para entrega local controlada em doenças neurais.”