Uma equipa de investigadores, liderada pela Universidade de Adelaide, na Austrália, e pela Universidade de Estugarda, na Alemanha, usou a micro-impressão 3D para criar o mais pequeno endoscópio flexível do mundo para observar os vasos sanguíneos. O foco são as doenças cardíacas.

O dispositivo de imagem, semelhante à uma câmara, pode ser inserido nos vasos sanguíneos para fornecer imagens 3D de alta qualidade e ajudar os cientistas a entender melhor as causas do ataque cardíaco e da progressão de doenças cardíacas, além de levar a um melhor tratamento e prevenção.

Num estudo, publicado na revista Light: Science & Applications, uma equipa multidisciplinar de cientistas e médicos conseguiu imprimir em 3D uma pequena lente, no final de uma fibra ótica, com a espessura de um cabelo humano.

O dispositivo de imagem é tão pequeno que os investigadores foram capazes de examinar o interior dos vasos sanguíneos de ratos.

Jiawen Li, coautora e especialista do Heart Foundation Postdoctoral Fellow na Universidade de Adelaide, explica que “um fator importante nas doenças cardíacas são as placas, compostas de gorduras, colesterol e outras substâncias, que se acumulam nas paredes dos vasos”.

“Os diagnósticos pré-clínicos e clínicos dependem cada vez mais da visualização da estrutura dos vasos sanguíneos para entender melhor a doença. Os endoscópios miniaturizados, que agem como pequenas câmaras, permitem que os médicos vejam como essas placas se formam e explorem novas formas de as tratar”, acrescenta.

Simon Thiele, líder do Grupo de Design e Simulação Ótica da Universidade de Estugarda e responsável pelo fabrico das pequenas lentes, refere que, “até agora, não era possível fabricar endoscópios de alta qualidade tão pequenos”.

“Usando a micro-impressão 3D, somos capazes de imprimir lentes complicadas, pequenas demais para serem vistas a olho nu. “Todo o endoscópio, com um invólucro protetor de plástico, tem menos de meio milímetro de diâmetro.”

Para Li, “é emocionante trabalhar num projeto, em que pegamos nas inovações e as transformamos em algo tão útil”.