“O treino regular de resistência e uma boa forma física parecem proteger contra eventos graves cardiovasculares e mortalidade precoce nas pessoas diagnosticadas com fibrilhação auricular.” Quem o diz é o fisiologista do exercício Lars Elnan Garnvik, na sequência de um estudo, em que salienta os benefícios da atividade física nestes doentes.

Num artigo, publicado recentemente no European Heart Journal, Garnvik e os colegas do Grupo de Investigação em Exercícios Cardíacos (CERG) avaliaram como a atividade física e os bons níveis de condicionamento estão relacionados com riscos futuros para a saúde de homens e mulheres diagnosticados com fibrilhação auricular.

“Os resultados mostram que as pessoas com fibrilhação auricular que cumprem as recomendações das autoridades em relação à atividade física geralmente vivem mais do que aquelas que se exercitam menos. Têm também quase metade do risco de morrer de doenças cardiovasculares”, refere o especialista.

A recomendação mínima é praticar 150 minutos por semana de intensidade moderada – que significa ficar sem fôlego e a suar, mas ser capaz de manter uma conversa – ou 75 minutos semanais de exercícios de alta intensidade – perder o fôlego, de maneira que não consegue articular frases mais longas.

“Descobrimos que o treino de intensidade moderada e elevada está associado a riscos significativamente reduzidos”, confirma Garnvik.

O impacto de ficar em forma na fibrilhação auricular

As pessoas com fibrilhação auricular têm mais risco que os indivíduos da mesma idade sem a doença. O novo estudo mostra que homens e mulheres inativos com fibrilhação auricular geralmente morrem mais cedo do que homens e mulheres inativos sem a doença.

“Por outro lado, o risco para pessoas fisicamente ativas com fibrilhação auricular não é maior do que para pessoas saudáveis ​​fisicamente inativas na mesma faixa etária”, refere Garnvik.

O estudo incluiu um total de 1.117 pessoas com diagnóstico confirmado de fibrilhação auricular e com uma idade média superior a 70 anos. Garnvik usou os registos nacionais de saúde para descobrir quem morreu ou foi afetado por doenças cardiovasculares nos anos que antecederam a avaliação.

“Vale a pena notar que este é um estudo observacional; por isso, os resultados não podem ser usados ​​para estabelecer relações causais definidas. No entanto, tentamos isolar ao máximo a relação entre exercício e risco para a saúde, ajustando as análises para todas as outras diferenças conhecidas entre pessoas que se exercitam muito e pouco”, esclarece o especialista.

Tanto a nossa investigação como outras sugerem que ficar em forma pode ser ainda mais essencial para a saúde do que o nível de atividade física. Os nossos genes determinam parte da nossa aptidão, mas a grande maioria das pessoas pode melhorar essa herança e exercitar-se adequadamente. Este também é o caso para os indivíduos com fibrilhação auricular”, refere.

O risco de nada fazer

Treinar de uma forma que realmente influencie o seu nível de condicionamento físico é muito importante.

“A nossa equipa de investigação mostrou repetidamente que o treino intervalado de alta intensidade é mais eficaz que o exercício moderado para melhorar a forma física. Isso é verdade tanto para indivíduos saudáveis ​como para pessoas com diferentes tipos de doenças”, reforça o investigador.

Ainda não foram publicadas recomendações específicas de treino para pessoas com fibrilhação auricular. No ano passado, no entanto, Vegard Malmo, cardiologista do CERG, mostrou que “o treino com intervalo aeróbico tem o mesmo efeito benéfico nos fatores de risco em pessoas com fibrilhação auricular do que nas que apresentam outras doenças cardiovasculares”.

Quatro meses de treino intervalado regular reduziram os sintomas da doença. Além disso, o exercício proporcionou melhor qualidade de vida e função cardíaca. E, por último, mas não menos importante, teve como resultado um aumento acentuado no condicionamento físico.

“Mudanças no estilo de vida, incluindo exercícios, devem ser fundamentais para o tratamento da fibrilhação auricular”, diz Malmo.

“Sabemos que níveis muito altos de exercício durante muitos anos podem aumentar o risco de fibrilhação auricular. No entanto, isso não é algo com o qual a maioria de nós se precise de preocupar. Pouca atividade física é uma causa muito maior de fibrilhação auricular na população do que as pessoas que se exercitam demais”, refere Lars Elnan Garnvik.

A forma mais frequente de arritmia

A fibrilhação auricular é a forma mais comum de arritmia. Isso significa que as células que fazem com que as câmaras cardíacas se contraiam regularmente são dominadas por outros impulsos, o que resulta num batimento rápido e descontrolado.

A fibrilhação auricular costuma começar com episódios mais curtos, mas pode evoluir para fibrilhação permanente ao longo do tempo.